Coimbra  19 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Francisco d’Eulália apologista da “busca da perfeição”

29 de Junho 2018

José de Faria Costa, ladeado por João Rasteiro e António Vilhena 

 

A “busca da perfeição” faz parte da utopia indispensável à vida, considerou, ontem, o poeta Francisco d’Eulália ao usar da palavra na Casa da Escrita de Coimbra.
Francisco d’Eulália é o pseudónimo de José de Faria Costa, catedrático da Faculdade de Direito da UC, que interveio em mais uma sessão do ciclo “Coimbra (t)em poesia”, organizado pela Câmara local desde o final de 2014.
Apaixonado pela pintura, José de Faria Costa conjugou a opção pela formação jurídica com o gosto pela literatura e confessou quase sofrer de “obsessão pela perfeição”.
À questão que consiste em saber se pode viver sem poesia, Francisco d’Eulália respondeu afirmativamente, perante António Vilhena (curador da Casa da Escrita), João Rasteiro e assinalável público, mas advertiu que ela possui “o «intermezzo» que nos liga aos deuses”.
“Os poetas precisam de ter pudor”, vincou o jurista, que confessou sentir preocupação por haver “muita gente a transgredir a regra sem, no entanto, a conhecer”.
Para Faria Costa, a fulanização das coisas é “um dos terríveis defeitos” da sociedade portuguesa e outros dos males consistem em sermos “todos primos” e vivermos “em capelinhas”.
Neste contexto, o orador disse não haver em Portugal crítica literária nem, por exemplo, crítica jurídica.
Se existisse, ironizou, correríamos “o risco de haver zangas entre membros de famílias”.
“Necessitamos de lutar contra sistemas endogâmicos” (assentes em casamentos consanguíneos), opinou o anterior titular da Provedoria de Justiça.
José de Faria Costa foi director da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (FDUC), membro do Conselho Superior de Magistratura (eleito pelo Parlamento), presidente da Comissão de Fiscalização dos Serviços de Informações da República e timoneiro do Instituto de Direito Penal Económico e Europeu.
Ao evocar o seu mestre Eduardo Correia, o penalista parafraseou-o para dar conta da dificuldade inerente a proferir uma conferência e do «sofrimento» subjacente a ter de ouvi-la.
Compreende-se o gracejo, mas a de José de Faria Costa fez com que ninguém desse por mal empregue o tempo da incursão pela Casa da Escrita de Coimbra.
Além do director da FDUC, Rui Marcos, assistiram à intervenção do orador, por exemplo, Cristina Robalo Cordeiro, José Xavier de Basto, Mariano Pêgo, Maria João Antunes, Cláudia Santos, João Nuno Calvão da Silva, Pedro Maia, Aroso Linhares, Alice Santos e Arménia Coimbra.

 

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