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Fogo no concelho de Góis obriga a evacuar três aldeias

20 de Junho 2017 Jornal Campeão: Fogo no concelho de Góis obriga a evacuar três aldeias

O incêndio que lavra, desde sábado (17), no concelho de Góis, sofreu um agravamento, esta manhã, e já obrigou a evacuar as aldeias de Velha, Candosa e Carvalhal do Sapo, disse à Agência Lusa fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Coimbra.

“A temperatura está altíssima, a subir cada vez mais. Eu desloquei-me a uma das povoações e havia uma localidade em que o vento dobra as árvores de uma tal maneira… Aliás, vê-se pelas estradas, que a quantidade de folhas e de carumas que há por ali fora se deve ao forte vento”, relatou, esta manhã, a presidente da Câmara de Góis, Lurdes Castanheira.

Evacuado foi, também, um lar da terceira idade, com 56 idosos, situado na povoação de Cabreira, na União de Freguesias de Cadafaz e Colmeal.

“Esperemos que o fogo não chegue até estas localidades, mas, na eventualidade de chegar, recebemos instruções do Comando [Distrital de Operações de Socorro – CDOS] para se proceder à evacuação”, afirmou, adiantando que a autarquia “mobilizou todos os meios, juntamente com a GNR, o INEM, voluntários, a Segurança Social” para retirar todos os idosos do lar.

A Câmara Municipal de Góis disponibiliza cerca de 88 camas para desalojados no edifício da residência de estudantes.

A autarca lamentou, contudo, que alguns residentes das aldeias evacuadas tenham optado por permanecer nas suas habitações. “Infelizmente, há pessoas que teimam em ficar, não seguem o exemplo de Pedrógão Grande, dizem que têm umas mangueiras, que têm um bocado de água e não conseguimos [tirá-las de lá]”, assinalou.

Reconhecendo que não podem retirar os moradores de suas casas “à força”, Lurdes Castanheira indicou que, “numa das povoações, ficaram lá oito pessoas”.

O incêndio tinha estado “praticamente dominado” na freguesia de Alvares, mas agravou-se e, ao princípio da tarde de hoje, era o mais preocupante.

Segundo secretário de Estado Jorge Gomes, havia, esta manhã, uma frente de fogo com 58 quilómetros.

O incêndio em Góis mobiliza673 operacionais, auxiliados por 233 viaturas e cinco meios aéreos, e fonte dos Bombeiros Voluntários de Góis disse à Lusa que “a situação está bastante complicada” nas povoações de Cabreira e Colmeal.

Também na Pampilhosa da Serra, durante a madrugada, a proximidade das chamas obrigou a evacuar os 15 habitantes da aldeia de Baçal, contudo, não se registam casas danificadas pelo incêndio.

Góis e Pampilhosa da Serra mobilizam cerca de 630 bombeiros, auxiliados por 192 veículos.

Já esta manhã, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, visitou os feridos internados no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), onde disse estar grato à unidade hospitalar.

“Num momento muito difícil, de facto esta instituição não só esteve à altura das circunstâncias como se excedeu”, vincou Marcelo Rebelo de Sousa, falando aos jornalistas no final de uma visita de cerca de 45 minutos à unidade de queimados do CHUC e ao serviço de urgências.

O incêndio de Pedrogão Grande, o mais grave de sempre em Portugal, já provocou a morte a 64 pessoas, uma delas um bombeiro da corporação de Castanheira de Pera, e fez outros cerca de 130 feridos.