Coimbra  27 de Setembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Figueira promoveu sessão para fazer face a plantas invasoras

24 de Julho 2020 Jornal Campeão: Figueira promoveu sessão para fazer face a plantas invasoras

Foi sob o tema “Prevenção, Erradicação e Controlo de Espécies Exóticas e Invasoras no território da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra” que decorreu, ontem, uma sessão de esclarecimentos no Auditório João César Monteiro, no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira.

Esta iniciativa, promovida pelo Município e pela Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM-RC) e com a colaboração da investigadora Hélia Marchante, da Escola Superior Agrária de Coimbra, tem como objectivo desencadear, na região, processos de prevenção e controlo de espécies invasoras da fauna e flora, nomeadamente do jacinto-de-água na bacia do rio Mondego, na lagoa das Barças e na lagoa da Vela.

Esta é uma estratégia conjunta entre os municípios de Mira, Cantanhede, Montemor-o-Velho, Soure, Góis, Vila Nova de Poiares, Tábua e Figueira da Foz, e tem como parceiros a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA) e o Centro de Ecologia Funcional da Universidade Coimbra (UC).

Nesse sentido, a CIM da Região de Coimbra viu aprovada pelo Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR), uma candidatura no valor de mais de 500 000 euros e que integra um conjunto vasto de investimentos, sendo de destacar a aquisição de um anfíbio que vai realizar o controlo mecânico de espécies invasoras em meio aquático e terrestre. No caso concreto das acções de controlo do jacinto-de-água, está destinado um investimento de cerca de 250 000 euros.

A apresentação do projecto decorreu no seguimento de visitas às áreas com a colaboração dos municípios e da Escola Superior Agrária de Coimbra, realizadas no primeiro semestre do ano. Para o segundo semestre de 2020 está prevista a instalação das barreiras de contenção, de forma a confinar o jacinto-de-água às áreas já invadidas.

De acordo com Jorge Brito, secretário executivo da CIM Região de Coimbra, “estas espécies invasoras representam um problema muito sério no Mondego, pois são capazes de formar verdadeiros tapetes sobre a água, cobrindo completamente a superfície e provocando efeitos devastadores na biodiversidade. Nesta iniciativa, que reúne oito municípios da Região de Coimbra, queremos alcançar resultados práticos e também resultados científicos, que eventualmente poderão ser replicáveis”.

Carlos Monteiro, presidente da autarquia, por sua vez, realçou que este é um assunto do “interesse de todos”, uma vez que os jacintos-de-água prejudicam fortemente a actividade piscatória e que, nesse sentido, é de extrema importância apostar na sua erradicação.

Prevenção, resposta rápida, priorizar, continuidade a longo prazo, coordenação, comprometimento dos diferentes intervenientes e protecção, foram os factores destacados pela investigadora presente para fazer face às plantas invasoras, tendo destacado ainda a “monitorização regular” ao longo do ano para remoção de pequenos núcleos logo após o seu surgimento, garantindo que, “esta é uma ‘guerra’ que tem de estar marcada por um forte comprometimento”.