Coimbra  27 de Janeiro de 2022 | Director: Lino Vinhal

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Figueira da Foz: Sector da sardinha quer pescar “um bocadinho mais” em 2022

30 de Novembro 2021 Jornal Campeão: Figueira da Foz: Sector da sardinha quer pescar “um bocadinho mais” em 2022

O sector da sardinha quer pescar mais e durante mais tempo em 2022, depois das 27 mil toneladas capturadas e dos cerca de seis meses de safra este ano, diz o principal armador da Figueira da Foz.

“Nós pescadores queremos pescar um bocadinho mais, para não pôr em causa, sequer, a rentabilidade e os preços que conseguimos este ano. Há que manter a regularidade por um bocadinho mais de tempo” – refere António Lé.

Em declarações no final da cerimónia de encerramento da safra da sardinha, que decorreu esta terça-feira, na Câmara Municipal da Figueira da Foz, o armador frisou que “o grande objectivo, sem dúvida” para 2022 “é alargar o tempo de trabalho”.

“O segundo, temos números em que a ciência aponta e incentiva que se capture mais, a favor do equilíbrio, também, dos recursos. Neste momento, Portugal sofre um grande problema: é que a abundância dos recursos biqueirão, sardinha, carapau e cavala é de tal forma grande, que corremos o risco de o peixe morrer à fome” – assinalou António Lé.

“Há tanto peixe, tanto peixe [no mar], que não há alimento para tanta gente. Ou seja, neste momento há que retirar para restabelecer o equilíbrio dos recursos”, assinalou o armador, que até recentemente era presidente da cooperativa de produtores Centro Litoral, cargo agora ocupado pelo seu filho, Nuno Lé.

Questionado sobre se o período de safra de seis meses e meio observado este ano, entre meados de Maio e final de Novembro, poderá aumentar em 2022 para os sete ou oito meses, António Lé respondeu: “pode passar para os dez”.

“Fazer como se fez este ano e, tomando como boa nota os resultados que tivemos, prolongando no tempo”, explicou o armador, acrescentando que se trata de pescar mais sardinha “quando ela tem valor” e “pescar menos quando ela tem menos valor, para manter o mesmo nível de rendimento”.

O ministro do Mar, Ricardo Serrão dos Santos, não quis adiantar “previsões” sobre as capturas e tempo de safra do sector em 2022, antes de serem conhecidas as recomendações científicas que serão emitidas pelo Conselho Internacional para a Exploração do Mar em 18 de Dezembro. “Mas ponho a hipótese, e trabalhamos com a hipótese, de que as oportunidades de pesca vão-se manter ou aumentar”, disse.

Na sua intervenção na sessão, Ricardo Serrão dos Santos afirmou que as expectativas “são positivas” e que da nova recomendação do Conselho Internacional para a Exploração do Mar “resultará a definição dos cenários sobre as possibilidades de captura em 2022”.

Dirigindo-se aos pescadores e armadores presentes, o ministro sublinhou “as diversas visitas” que fez às comunidades piscatórias ao longo do país, “muitas delas relacionadas com a pesca da sardinha”, que o fizeram “prosperar” enquanto governante.

“Estas visitas também me educaram, também me deram ideias. Estes contactos com o sector da pesca do cerco fizeram-me prosperar como ministro do Mar, aprender convosco” – assinalou.

O ministro do Mar deixou ainda “apreço e gratidão” ao sector das pescas “por ter respondido de forma tão eficaz e dedicada à enorme crise causada pela pandemia de covid-19”.

“O peixe nunca faltou nas mesas dos portugueses, porque o sector nunca deixou de garantir o abastecimento de pescado nos nossos mercados”, frisou Ricardo Serrão dos Santos.