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Figueira da Foz: Prémio de Arquitectura e livro perpetuam obra de Isaías Cardoso

14 de Janeiro 2024 Jornal Campeão: Figueira da Foz: Prémio de Arquitectura e livro perpetuam obra de Isaías Cardoso

Decorreu no Auditório Madalena Biscaia Perdigão a apresentação Pública da 1.ª Edição do Prémio Municipal de Arquitectura José Isaías Cardoso e do livro “Um arquitecto, uma cidade: Isaías Cardoso na Figueira da Foz”, da autoria de Susana Lobo e Alexandre Miguel.

A cerimónia, na tarde sábado, presida pelo presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, contou com a presença de familiares de José Isaías Cardoso, eleitos locais, do actual e do anterior presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Arquictetos (SRCOA), de dirigentes municipais e de público em geral.

Coube a Nogueira Santos, presidente do Rotary Clube da Figueira da Foz, abrir o período de intervenções. O mesmo traçou o perfil rotário de Isaías Cardoso, um “homem exigente no fazer bem e um brilhante companheiro” de quem o Rotary se orgulha.

O arquitecto Carlos Figueiredo apresentou, de forma resumida, as normas do Prémio Municipal de Arquitetura José Isaías Cardoso – aprovadas na Reunião de Câmara de 8 de Maio de 2023. O Prémio resulta da convergência de interesses entre o Município da Figueira da Foz, a SRCOA e o Rotary Clube da Figueira da Foz e tem como objectivo “promover os valores cívicos do cidadão José Isaías Cardoso, os seus valores profissionais e a sua importância na valorização patrimonial que trouxe à cidade da Figueira da Foz.”

Ao Prémio, de natureza pecuniária (cinco mil euro) e periodicidade bienal, podem candidatar-se arquitectos autores de obras “de construção e ou reabilitação e arranjos urbanísticos e de tratamento de espaços exteriores de uso público, tanto em relação à criação de novos espaços, como à recuperação ou reabilitação de espaços urbanos existentes”, que tenham sido concluídas no quadriénio anterior ao ano da edição (2020 a 2023 inclusive).

Projectos com rigor

No entender de Carlos Figueiredo, que também apresentou a medalha a atribuir ao vencedor – uma “peça inovadora” que “lembra Isaías Cardoso para sempre”, é importante que o júri olhe para os projectos “com aquele rigor que o arquitecto Isaías Cardoso também olhava para os seus projectos”.

Por sua vez, Florindo Belo Marques, actual presidente da SRCOA, referiu-se a Isaías como um “arquitecto de excelência” e deixou o compromisso de continuar a preservar a sua obra “com empenho e entusiamo”, pois a “memória e revisitação do passado projecta também o futuro”.

Susana Lobo agradeceu em seu nome de Alexandre Miguel a distinção de terem sido escolhidos para concretizar a obra «Um arquitecto, uma cidade: Isaías Cardoso na Figueira da Foz».

A mesma apresentou a edição municipal que pretende assinalar o centenário de nascimento de um figueirense que se assume como figura incontornável da nossa história, que se encontra organizada em seis programas distintos e reúne os projectos considerados mais emblemáticos e indicativos das várias fases da criação arquitetónica de Isaías Cardoso,

O livro é “uma súmula de várias informações sobre Isaías Cardoso, as obras produzidas, espelhadas e projectadas no concelho da Figueira da Foz de mãos dadas com vários conteúdos, que não esquecem nem a “história”, nem o sempre indispensável enquadramento espacial e temporal da obra feita, trabalhadas a partir da documentação dos arquivos municipais e de documentos cedidos pela família e pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, com o intuito de congregar o melhor de um homem que deu e fez sempre o melhor para uma construção arquitectónica marcada pela diferença, harmonia e unicidade.”

Tiago Farinha que colaborou na obra, considerou Isaías Cardoso “um excelente construtor”. Já Matilde Cardoso, neta de Isaías Cardoso e também ela colaboradora na obra, salientou que “o livro saiu bem, bonito e certo” e é “uma amostra representativa da obra” de Isaías Cardoso, uma “prova para a nossa memória colectiva “.

O presidente da Câmara Municipal, Pedro Santana Lopes, saudou e felicitou todos pelas palavras proferidas e apresentações feitas “bonitas e úteis.

Para Santana Lopes, “trata-se de engrandecer a obra de um dos cidadãos mais destacados desta terra que merece todas estas provas de reconhecimento e todos estes contributos para perpetuação do seu legado”.

O presidente da edilidade figueirense deixou um desafio ao “Departamento de Cultura e a todos os que nele trabalham”: Que nos “projectos de investigação que estão em curso na cidade, o domínio da arquitectura e as áreas do saber a ela ligadas estejam efectivamente integradas naquilo que é portfólio com que a Figueira se apresenta neste mundo competitivo, em que a inovação, a investigação, a descoberta, o respeito pela história, mas também o abrir de novos horizontes desafia de modo particular.

Santana Lopes salientou, também, que a componente da arquitectura de “rasgar a cidade, rasgar o concelho”, de o desenvolver do modo mais homogéneo quanto possível.

Aludindo à obra de requalificação da Piscina Mar, Santana Lopes deixou a promessa de ouvir o Conselho Regional da Ordem antes de tomar qualquer decisão e a garantia de que o Executivo procurará “trabalhar sempre com a preocupação de que ele [Isaías Cardoso], onde estiver, fique tranquilo e satisfeito depois de ver o que lá vai ser feito”.

“Deus tenha o arquitecto Isaías Cardoso consigo e que saibamos sempre honrar a sua memória, referiu Santana Lopes ao finalizar a sua intervenção.