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Figueira da Foz: Greve de enfermeiros com 66 por cento de adesão

22 de Agosto 2018 Jornal Campeão: Figueira da Foz: Greve de enfermeiros com 66 por cento de adesão

A greve de enfermeiros no Hospital Distrital da Figueira da Foz (HDFF) teve, hoje, uma adesão de 66 por cento no turno da manhã, segundo fonte sindical.

Pedro Loureiro, dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), disse que a adesão à greve no turno da manhã foi “bastante elevada”, cifrada em mais de 80 por cento nos internamentos e com o bloco operatório “parado a 100 por cento”, com excepção de uma cirurgia oncológica que ali foi realizada “por estar em causa a vida do doente”.

Já a adesão dos profissionais de enfermagem que prestam serviço nas consultas externas ficou-se pelos 35 por cento, “o que dá uma adesão global de 66 por cento” à paralisação, sublinhou o dirigente do SEP.

Os enfermeiros do HDFF reclamam, entre outros pontos, o descongelamento das progressões na carreira, pagamento de suplemento remuneratório a todos os enfermeiros especialistas e “a aplicação efectiva das 35 horas semanais a todos os profissionais”, assim como “o pagamento de horas extraordinárias, folgas e feriados em dívida”.

O SEP considera, ainda, “essencial a contratação de mais enfermeiros”, alegando Pedro Loureiro que “são necessários mais 14 ou 15 profissionais no HDFF” e que a administração da unidade de saúde “pediu 11 e só foram autorizados sete”, metade das necessidades reclamadas pelo sindicato.

A estrutura sindical alega, também, que “solicitou por três vezes reuniões à administração do hospital, em Junho, Julho e Agosto, e que a resposta foi o silêncio absoluto”.

Por parte da administração do Hospital Distrital da Figueira da Foz (HDFF) a adesão à greve dos enfermeiros naquela unidade de saúde foi de 62,7 por cento, percentagem próxima dos 66 por cento anunciados pela estrutura sindical que convocou a paralisação.

Já sobre o “silêncio absoluto” da administração, denunciado pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), José Albino e Silva, presidente do Conselho de Administração do HDFF, alega que, à data do primeiro pedido, em Junho, optou “por aguardar mais algum tempo”, uma vez que assuntos como a contratação de enfermeiros tinham “a sua resolução em curso”.

Já à data do segundo pedido de reunião, em Julho, a administração argumenta que “estaria para breve a nomeação do futuro Conselho de Administração, o que de certa forma e por motivos óbvios inviabilizou de imediato a reunião com o órgão de gestão ainda em funções”.

Embora mantendo a posição de “não reunir agora” com o SEP, José Albino e Silva diz ter enviado ao sindicato, na terça-feira, um conjunto de esclarecimentos sobre as questões que motivaram a greve, entre as quais estão o descongelamento das progressões na carreira ou a contratação de mais profissionais de enfermagem.

A administração do HDFF explica que “pediu efectivamente 15 enfermeiros e não 11 [como alegou o sindicato] tendo sido recrutados no mês de Julho sete enfermeiros. Entretanto, foram já autorizadas mais duas contratações, aguardando-se autorização da tutela para contratar os restantes”.

Acrescenta, ainda, que a unidade de saúde “tem vindo a reforçar o quadro de pessoal, nomeadamente de enfermagem”, e que no final de Agosto o HDFF “terá no quadro de pessoal 207 enfermeiros que, em número absoluto e relativo, é o maior número de profissionais de enfermagem no Hospital da Figueira desde o ano de 2011”.

Já sobre o descongelamento das progressões na carreira, o administrador alega que ele “foi efectuado, abrangendo até ao momento 127 enfermeiros em regime de contrato de trabalho em funções públicas”.

O descongelamento, segundo José Albino e Silva, foi efectuado com reposicionamento remuneratório de 25 por cento retroactivo a Janeiro de 2018 e processado desde Abril, a que acrescem outros 25 por cento a partir de 01 de Setembro.