Coimbra  19 de Outubro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Figueira da Foz com Feira do Mar para uma economia sustentável

26 de Setembro 2019

A Feira do Mar e da Sustentabilidade, que decorre até sábado (dia 28) na Figueira da Foz, é uma mostra de actividades assente no desenvolvimento sustentável a nível empresarial e com muitas ideias para melhorar o planeta.

A “Figueira Sea – Sustainable Expo Alliance” conta com 60 participantes, que ocupam 72 espaços de exposição interiores numa tenda instalada na praça do Forte, junto à foz do rio Mondego, e outros no espaço exterior, tendo entrada livre e funcionando das 15h00 às 23h00. A corveta António Enes está atracada no porto e encontra-se aberta a visitas da população.

Esta primeira edição foi inaugurada, ao final da tarde de ontem, pelo Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, almirante Silva Ribeiro, o presidente da Câmara da Figueira da Foz, Carlos Monteiro, o secretário de Estado do Ambiente, João Ataíde das Neves, e o presidente da Associação Comercial e Industrial da Figueira da Foz (ACIFF), Carlos Moita, entidade que organiza em parceria com o Município.

Na cerimónia usou também da palavra João Nuno Calvão da Silva, vice-reitor da Universidade de Coimbra, entidade que organiza, hoje e amanhã, a conferência “Adaptação às Alterações Climáticas: desafios ambientais, sociais e económicos do século XXI”, no Centro de Artes e Espectáculos (CAE) da Figueira da Foz.

Na abertura da feira estiveram, igualmente, todos os membros do Conselho de Administração do Porto da Figueira da Foz, liderado por Fátima Lopes Alves, acompanhados da Direcção da Comunidade Portuária da Figueira da Foz.

A “Figueira Sea” conta com a participação de empresas do concelho e de carácter nacional, ‘start ups’ e uma zona dedicada ao empreendedorismo. Há ainda uma área de alimentação em modelo ‘street food’, acções de sensibilização dinâmicas, bem como aprendizagens especiais para toda a família, momentos de lazer, como uma regata de vela e de remo e momentos de animação.

A ACIFF pretende que o novo certame possa consolidar-se como uma mostra da actividade económica do município, “mas assente no princípio do desenvolvimento sustentável, mostrar o que cada empresa faz de melhor”.

Ana Carvalho, vice-presidente da Câmara Municipal, lembra a estratégia municipal “Figueira 2030, território sustentável do Atlântico”, referindo que a Câmara possui uma incubadora do Mar e Indústria e que a autarquia, ao responder ao desafio da ACIFF, pretendeu promover uma feira “diferenciadora, pôr empresas da Figueira da Foz a pensar no desafio da sustentabilidade”.

A autarca evidenciou que desde as grandes unidades industriais do concelho “já habituadas a pensar o tema do desenvolvimento sustentável, até empresas mais pequenas do sector alimentar ou de comércio e serviços que não o têm, à partida, muito desenvolvido, todas aceitaram o desafio, quer focado no produto que comercializam, quer em processos de fabrico”.

O presidente da Câmara Municipal acrescenta que a sustentabilidade “trata-se com grandes e pequenas coisas” dando, entre outros, o exemplo da concessionária de águas e saneamento e do seu projecto de “telemetria de topo, para evitar perdas de água”, mas também a integração de produtos locais – como o chouriço de Quiaios ou o sal da ilha da Morraceira – nas refeições escolares ou para venda em grandes superfícies comerciais.

“É rara a empresa que não tem aqui uma grande evidência de questões ambientais e sustentáveis”, garantiu Carlos Monteiro.

Militares preocupados com o ambiente

O chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), almirante Silva Ribeiro, enalteceu a acção dos militares portugueses dos três ramos na preocupação com o ambiente, considerando-os um exemplo, quer na formação, quer em iniciativas concretas.

Silva Ribeiro frisa que os três ramos das Forças Armadas “têm, desde sempre, preocupações ambientais muito rigorosas, desde logo na sua formação, para que nas suas acções provoquem um mínimo de impacte ambiental”.

“E em função da natureza dos meios que operam, também seguem um conjunto de procedimentos, estabelecidos na doutrina da NATO, porque, como é evidente, os meios militares em operação provocam impacte ambiental”, notou o CEMGFA.

Silva Ribeiro destacou as acções de preservação ambiental dos militares portugueses, “em campanhas pelo país”, quer da Armada, com elementos da Polícia Marítima nas praias ou “os próprios mergulhadores da Marinha em campanhas de recolha de lixo submarino”.

Por outro lado, lembrou “o contributo essencial” do Exército e da Força Aérea para a preservação do ambiente no apoio à Protecção Civil “para minimizar os efeitos das tragédias dos fogos florestais”.

O CEMGFA referiu, ainda, a investigação científica, exemplificando com a acção do Instituto Hidrográfico, “um dos centros de investigação de alta qualidade que Portugal tem para o mar”, que inclui duas divisões – uma de oceanografia e outra de química e poluição oceânica.

Silva Ribeiro classificou este como um trabalho “notabilíssimo” em colaboração com universidades, o Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA) e outras instituições nacionais, destacando estas sinergias que “põem a capacidade científica do país ao serviço daquilo que é a preservação ambiental”.

O almirante Silva Ribeiro lembrou, também, a acção do Instituto Geoespacial do Exército, com a sua “extraordinária capacidade de reconhecimento geoespacial” na vigilância do território nacional, e, sobretudo, para “apoiar universidades e institutos na investigação que desenvolvem”.

“Todos nós, em todas as organizações, mas até ao nível individual, temos a necessidade de nos envolvermos neste esforço de preservação do ambiente, em Portugal e a nível global, porque temos de assegurar que os recursos que hoje existem e que nos proporcionam este bem-estar de que nós hoje usufruímos, também estão disponíveis para as gerações futuras”, assinalou.

Silva Ribeiro destacou que “esses recursos incluem não só os minerais estratégicos, mas também a água e a qualidade do ar, absolutamente indispensáveis à qualidade de vida das gerações no futuro”.

Presente na sessão, o secretário de Estado do Ambiente e anterior presidente da autarquia da Figueira da Foz, João Ataíde, enfatizou que as alterações climáticas “são a grande questão do nosso tempo” e que Portugal “foi o primeiro país a assumir o compromisso de atingir a neutralidade carbónica até 2050”.

“Para essa neutralidade carbónica até 2050, Portugal tem pela frente uma redução de emissões de gases com efeito de estufa superior a 85 por cento em relação às emissões de 2005”, salientou João Ataíde.

 

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