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Festival das Artes regressa à Quinta das Lágrimas e tem cariz solidário

22 de Junho 2017 Jornal Campeão: Festival das Artes regressa à Quinta das Lágrimas e tem cariz solidário

“Metamorfoses” foi o tema escolhido para a nona edição do já muito reconhecido Festival das Artes, que vai decorrer em Coimbra, de 15 a 23 de Julho.

O evento, que junta espectáculos de diversa índole, põe, em destaque nesta edição o concerto de Adriana Calcanhotto e uma “performance” do mágico conimbricense Luís de Matos, artistas que participam pela primeira vez. Além destes, a Quinta das Lágrimas, o Convento de São Francisco, a Biblioteca Joanina, o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha ou o Basófias são alguns dos locais por onde passarão os eventos que compõe os ciclos da música, das conferências, da gastronomia, das artes do palco, do cinema, das artes plásticas ou o serviço educativo.

“Queremos sempre dar a Coimbra o melhor, embora este ano o Festival conte apenas com 10 dias, mas de alta qualidade”, referiu Cristina Castelo Branco, directora do Festival, adiantando que este certame tem já um selo de qualidade dos festivais de músicas da Europa, uma distinção conseguida já em 2015 e 2016 e que “tem subjacente a ideia de passar de um festival regional para internacional, de forma a atingir o patamar dos maiores da Europa”.

Uma das novidades deste ano é o cariz solidário do certame, que se quis associar à onda de solidariedade que invade o país face à tragédia ocorrida, há dias, em diversos concelhos da região devido aos incêndios.

Assim, metade das receitas da bilheteira conseguidas no concerto de Irina Chistiakiva, a 19 de Julho, reverterão para os municípios afectados pelo fogo. “É uma posição solidária para com os nossos vizinhos, embora seja pequena, é o que podemos e devemos fazer”, afirmou a responsável.

Além deste, também o concerto da Orquestra Clássica do Centro, no dia 22 de Julho, terá uma vertente solidária, uma vez que a Câmara Municipal de Coimbra irá entregar 300 convites aos municípios afectados pelos incêndios, de forma a “proporcionar um momento de alívio, numa altura em que as pessoas estão a sofrer bastante”, revelou Manuel Machado, presidente da autarquia conimbricense.

O autarca destacou, ainda, “as características pioneiras e inovadores deste Festival em Coimbra”, que “demonstra o potencial da cidade”.

O presidente do Turismo Centro de Portugal, Pedro Machado, reforçou o apoio ao Festival, um evento que é “agregador e diferenciador” na região, que permite “projectar a marca Centro de Portugal”.

Já Celeste Amaro, da Direcção Regional da Cultura do Centro, notou que Coimbra e a região “devem ter orgulho por acolherem um festival desta natureza”.

A nona edição do Festival das Artes, promovido pela Fundação Inês de Castro e com apoio da Câmara Municipal e outros mecenas e patrocinadores, conta com um orçamento de cerca de 150 0000 euros e tem conseguido captar perto de 18 000 visitantes.

PROGRAMAÇÃO PARA TODOS

O Festival arranca no dia 15 de Julho (sábado), às 11h00, com “As Metamorfoses de uma Viagem com Leituras”, um passeio pela cidade de um “tuk tuk carregado de palavras e notícias” que “vai deixando leituras e novidades do 9.º Festival das Artes, para quem habita e passa por essas ruas”, de acordo com Cristina Castelo Branco.

Para as 16h00 está marcada a inauguração da exposição de azulejaria “Metamorphosis: Cenários em Azul e Branco”, que ficará patente até 03 de Setembro, bem como a cerimónia de abertura oficial do Festival, no Museu Nacional de Machado de Castro. Nesse dia, está marcado o espectáculo “Metamorfoses Germânicas”, da Orquestra Metropolitana de Lisboa, às 19h00 no Convento de São Francisco.

O espetáculo de magia de Luís de Matos, “Luís de Matos 360º”, “único, concebido e desenhado para o Festival das Artes”, está marcado para o dia 17 de Julho, no anfiteatro Colina de Camões, na Quinta das Lágrimas. No espectáculo, que é a oitava metamorfose do festival, “a magia interage com os elementos paisagísticos, naturais e arquitectónicos, sem se impor à circundante, mas a ela recorrendo no potenciar da experiência vivida por cada espectador”, garante a organização.

No mesmo anfiteatro, irá acontecer o espectáculo “Dessa Vez”, a 18 de Julho, que junta em palco a cantora Adriana Calcanhotto e o guitarrista Gabriel Muzak, e que é inspirado em todas as impressões e contágios que a artista teve com a cultura, a poesia e a música portuguesa, metamorfoseando-as em melodias de uma sensibilidade única.

Juntos irão apresentar, “num alinhamento inédito, algumas das músicas que Adriana Calcanhotto trabalhou ao longo da sua residência coimbrã, entre cantigas de trovadores medievais como D. Dinis e Arnaut Daniel, poemas musicados, entre os quais constam os poemas de Adília Lopes, alguns clássicos do cancioneiro brasileiro, canções novas escritas em Portugal e por fim, os sucessos incontornáveis da sua trajectória musical”, como “Fico assim sem você”, “Vambora” e “Esquadros”.

Para 19 de Julho, também no anfiteatro Colina de Camões, está marcado o recital “Metamorfoses ao Piano”, da pianista russa Irina Chistiakova. “No recital desta noite, Irina Chistiakova interpreta alguns dos principais marcos da Sonata, uma das mais importantes formas musicais da história da música”.

Entre os destaques da programação está, ainda, o concerto do Mário Laginha Trio (Mário Laginha – piano, Bernardo Moreira – contrabaixo e Alexandre Frazão – bateria), “Mongrel – Chopin e Jazz”, no dia 21 de Julho, no anfiteatro Colina de Camões.

A “metamorfose mais visível” do festival acontece há nove anos em Julho, altura em que “o jardim da Quinta das Lágrimas se enche de um público que o transforma em sala de espectáculos”. A segunda metamorfose acontece quando “do silêncio nasce a música que transforma o espaço no sentir duplo do que os olhos veem e os ouvidos ouvem”. “A terceira passa-se dentro do hotel” e “a metamorfose dos espaços de Coimbra em festa é a quarta que, de 15 a 23 de Julho, se vai desdobrando em espetáculos”, realça a organização.

A quinta e a sexta são “duas famosas metamorfoses” que Coimbra não esquece “a do pão em rosas [milagre das rosas da Rainha Santa Isabel] e a das lágrimas choradas pelas ninfas do Mondego que Camões transformou em água que rega as flores”.

A sétima metamorfose “começou em Setembro de 1995 e renovou-se há pouco”, em referência à transformação da Quinta das Lágrimas em hotel. “Não fora isso, não haveria Festival das Artes”.

A oitava metamorfose refere-se ao espectáculo de magia e a nona é “a renovação [do Festival das Artes] que se começou este ano e se espera que continue para sempre”.