Coimbra  24 de Junho de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Festival da Lampreia de Penacova para saborear e passear

22 de Fevereiro 2019

São 12 os restaurantes, com doses a 20 euros, que participam na edição deste ano do Festival da Lampreia de Penacova, entre hoje e domingo (dia 24), uma aposta da autarquia para atrair mais visitantes ao concelho.

Na apresentação da iniciativa, o presidente da Câmara de Penacova, Humberto Oliveira, salientou a importância de promover as iguarias à base de lampreia, para cativar “novos públicos” na área do turismo gastronómico.

Nos três dias do festival, beneficiando da oferta de doçaria conventual pela autarquia, os apreciadores poderão saborear o “arroz de lampreia à moda de Penacova” a um preço mais acessível do que o habitual durante a época, que decorre de Janeiro a Abril.

À hora da sobremesa, os comensais da lampreia têm à sua disposição nos restaurantes os pastéis de Lorvão e as nevadas de Penacova, os doces conventuais mais afamados deste município banhado pelo rio Mondego.

Mais uma vez, o Festival da Lampreia de Penacova, fundado há 21 anos, resulta de uma parceria entre o Município e os restaurantes, dispersos um pouco por todo o concelho, para a qual também contribui a Associação de Desenvolvimento Local da Bairrada e Mondego (AD ELO), cujo director executivo, Mário Fidalgo, esteve presente na apresentação, na praia fluvial do Reconquinho.

Para Humberto Oliveira, importa que os promotores “consigam um momento marcante” na projecção de Penacova a nível nacional, além da dinamização de uma economia local cujas potencialidades turísticas assentam sobretudo na natureza, na gastronomia e no património.

O Município deve ser “cada vez mais um território da gastronomia e do bem receber”, defendeu o autarca do PS.

No último dia do Festival da Lampreia, domingo, realiza-se em Penacova o primeiro Encontro de Gaiteiros, o que contribuirá para alguma animação musical junto aos restaurantes, em especial à hora do almoço.

Durante o festival, os restaurantes acordam entre si os preços, com a dose de arroz do ciclóstomo a 20 euros, enquanto uma lampreia inteira custa 60 euros.

Humberto Oliveira admitiu que nem todas as lampreias consumidas localmente na época são capturadas no Mondego ou seus afluentes próximos, havendo necessidade de comprar parte delas no exterior.

A construção de açudes, entre Figueira da Foz e Penacova, “trouxe dificuldades” à passagem da lampreia e diversos peixes que vão desovar a montante. “A lampreia também sobe cada vez mais tarde”, acrescentou o presidente da Câmara.

A autarquia investe cerca de 30 000 euros nesta edição do festival, designadamente na sua promoção e nas sobremesas oferecidas entre amanhã e domingo.

No Festival da Lampreia de 2018, os restaurantes locais serviram cerca de 4 000 refeições à base do prato tradicional, segundo Humberto Oliveira, que destacou a “importância económica do evento” para o concelho.

Há dois anos, Pedro Raposo Almeida, da Universidade de Évora, disse à agência Lusa que o número de lampreias que subiram o Mondego através da escada de peixe de Coimbra, desde 2013, tem sido irregular.

Responsável pela monitorização da passagem de lampreias, o investigador, que coordenou o projecto “Reabilitação dos habitats de peixes diádromos na bacia hidrográfica do Mondego”, disse que apenas 30 a 40 por cento das lampreias que ultrapassam a escada, na ponte-açude de Coimbra, são capturadas a montante para consumo.

À mesa por todo o concelho

Os 12 restaurantes que participam no Festival da Lampreia estão espalhados por todo o concelho de Penacova, o que permite ficar a conhecer vários locais do município.

Pode-se encontram a lampreia na ementa do Boa Viagem (Porto da Raiva), Côta d’Azenha (Azenha do Rio), Hotel Rural Quinta da Conchada (Travanca do Mondego), Leitão do Aires (Espinheira), Mondego (Porto da Raiva), O Cantinho (Penacova), O Casimiro (Silveirinho), O Cortiço (Cavadinha), O Relvão (S. Pedro de Alva), Panorâmico (Penacova), Piscinas Restaurante Bar (Penacova) e Portas da Serra (Espinheira).

Este ano, o Festival volta a contar com um parceiro estratégico, a Quinta da Mata Fidalga, marca oficial que estará à mesa dos restaurantes aderentes.

Roteiro para respirar bons ares

No início do século XX, Penacova era procurada pelos chamados aristas, pessoas que ali passavam temporadas, atraídas pela qualidade do ar e pelas paisagens. O novo Roteiro do Arista é pretexto ideal para conhecer este território com moinhos, fornos de cal e um mosteiro que é dos mais antigos da Europa.

Do passado se fez presente e o Município acaba de lançar o Roteiro do Arista, um “passaporte” com oito locais a visitar, tantos quantas as letras da palavra Penacova, um convite para descobrir o território, tendo a natureza como fio condutor.

O arranque é no Penedo do Castro, localizado na parte alta da vila, que oferece uma bela panorâmica sobre o vale do Mondego, com o arista a poder continuar a apreciar a paisagem no centro de Penacova, no Mirante Emydgio da Silva, que lembra um pagode oriental, com colunas provenientes do Mosteiro de Lorvão. A propósito dele, Vitorino Nemésio até escreveu que dali parecia estar “a ver a catedral do púlpito”.

Cumprindo o roteiro do arista, desce-se da vila até à praia fluvial do Reconquinho, com bandeira azul, no rio Mondego, e quem é amante de praias fluviais pode também visitar a do Vimieiro, no rio Alva, igualmente com Bandeira Azul, e que surpreende pela limpidez das águas e o verde da paisagem.

O percurso proposto inclui um dos maiores núcleos molinológicos do país, os 14 moinhos da Serra de Gavinhos, onde nos deparamos com uma bela vista panorâmica e um monumento em honra do Sagrado Coração de Maria.

Nas proximidades de Lorvão encontramos os 10 Fornos de Cal de Casal de Santo Amaro, que transformavam a pedra calcária das encostas em frente em cal parda, utilizada na construção. Os homens escavavam a rocha com picaretas e as mulheres carregavam a pedra à cabeça, em cestos de vime.

Imperdível é, também, o Mosteiro de Lorvão, que terá sido fundado no século VI, que passou de mosteiro masculino a feminino com a chegada das filhas de D. Sancho I. D. Teresa, que viu anulado o seu casamento com o rei de Leão, fez sair os frades, instalou-se lá e tornou-se numa das mulheres mais poderosas do reino.

O roteiro não acaba antes de uma paragem na Livraria do Mondego, na lendária EN2, que liga Chaves e Faro. O geomonumento, formado ao longo de 400 milhões de anos, tem esse nome porque as altas assentadas de quartzíticos dispostos quase na vertical parecem lombadas de livros.

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