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Fernando Namora condecorado por Marcelo Rebelo de Sousa

30 de Agosto 2019

O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa condecorou, ontem (29), o condeixense Fernando Namora, a título póstumo, com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, atribuído à filha do escritor, Margarida Namora.

A par de Fernando Namora, Marcelo Rebelo de Sousa também distinguiu os escritores Mário Cláudio e Zeferino Coelho, no âmbito do início da quarta edição da Festa do Livro, em Belém, uma iniciativa promovida pelo Chefe de Estado para promover o livro e a leitura.

Este ano, assinala-se o centenário do nascimento de Fernando Namora que, além de escritor, era médico e foi também ilustrador.

Formado em Medicina pela Universidade de Coimbra, Fernando Gonçalves Namora cedo abandonou a prática médica, tendo trabalhado por pouco tempo numa empresa de produtos farmacêuticos.

Tornou-se escritor ainda muito jovem, pelo menos desde os 16 anos, e versou todos os géneros literários, desde o ensaio ao conto, passando pela poesia, pelo romance, pela crónica e pelo registo memorialista, tendo publicado centenas de títulos, muitos reeditados e traduzidos em diversos idiomas.

Autor de um romance autobiográfico da geração coimbrã a que pertenceu, “Fogo na Noite Escura”, em 1943, Fernando Namora publicou em 1938 o primeiro livro, “As Sete Partidas do Mundo”, que lhe valeu o Prémio Almeida Garrett, no mesmo ano em que se lhe atribuiu o Prémio António Augusto Gonçalves, de artes plásticas.

Seguiram-se títulos como “Casa da Malta”, “Minas de San Francisco”, “A Noite e a Madrugada”, “O Trigo e o Joio”, “O Homem Disfarçado”, “Cidade Solitária”, “Domingo à Tarde” e “O Rio Triste”.

Algumas das suas obras mais marcantes foram adaptadas a cinema e a televisão, nas décadas de 1960 e de 1980, como “Retalhos da Vida de Um Médico” e “Domingo à Tarde”.

Esta foi a terceira condecoração pela Presidência da República a Fernando Namora, depois de ter recebido o Grande Oficialato da Ordem de Santiago de Espada, atribuído por Ramalho Eanes, e a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, por Mário Soares.

Marcelo Rebelo de Sousa distinguiu, também, hoje o ensaísta e crítico literário Eugénio Lisboa, autor de prosa e poesia, especialista na obra de José Régio e antigo presidente da Comissão Nacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, em inglês), como comendador da Ordem Militar de Sant’Iago de Espada, e o antigo presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) João Amaral.

Aos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que estas cinco condecorações pretendem “homenagear o livro e a leitura”.

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