Coimbra  25 de Maio de 2022 | Director: Lino Vinhal

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Exploratório de Coimbra cria infantário para os pequenos “cientistas por natureza”

8 de Maio 2022 Jornal Campeão: Exploratório de Coimbra cria infantário para os pequenos “cientistas por natureza”

O primeiro jardim-de-infância Ciência Viva já arrancou em Coimbra, com uma turma da rede pública a passar a semana pelo Exploratório. Na idade dos porquês, torna-se fácil falar de ciência, não fossem as crianças “cientistas por natureza”.

Helena, de seis anos, com óculos de protecção, “como os dos cientistas”, olha atentamente para o seu tubo de ensaio, onde pôs vinagre e corante (“como aquele que se usa nos cremes dos bolos”, explica), enquanto dá o passo final: uma colherzinha de bicarbonato de sódio lá para dentro.

Fica maravilhada enquanto vê uma espuma colorida a subir o tubo e a sair, toca na espuma, sorri para a colega do lado, e desata a repetir a experiência noutro tubo, agora mais rápida e sem qualquer receio.

“Isto é muito engraçado”, conta Helena, que admite que se sente um “pouco cientista”. Este projecto do Exploratório, que arrancou na segunda-feira com o Jardim-de-Infância de Trouxemil, assume-se como a primeira Escola Ciência Viva no país a trabalhar o pré-escolar.

A iniciativa prevê acolher por uma semana cada uma das turmas da rede pública de jardins-de-infância do concelho de Coimbra (mais de mil crianças) ao longo dos próximos três anos, explicou à Lusa Catarina Reis, da Direcção do Exploratório e a pessoa responsável pela coordenação da iniciativa.

Ali, as crianças têm os seus bibes especiais, os seus cabides, e, para além dos assistentes operacionais e educadoras da sua escola, acompanha-as uma educadora associada ao projecto, para além de todos os dias terem a companhia de um funcionário daquele Centro Ciência Viva, dependendo da temática que abordam, disse Catarina Reis.

Ao longo da semana, Helena já descobriu como é que os pintainhos saem do ovo, foi até à Lua no Hemispherium (espaço do Exploratório com projecção a 360º) e descobriu que as sementes “são muito importantes” e viajam muitos quilómetros, entre outras coisas.

Há espaço para biologia, matemática, astronomia, física ou química, sempre com actividades lúdicas que obrigam as crianças a pôr as mãos na massa. “A ciência é muito importante, porque a ciência diz-nos as coisas que nós não sabemos e eu gosto disso”, disse Helena.

A educadora do Jardim de Infância de Trouxemil, Helena Pais, não hesita quando fala do projecto: “Está a ser incrível”. “Até eu própria estou a aprender coisas novas e eles estão a adorar”, confessou a educadora da turma de 20 crianças, das quais a maioria nunca tinha ido ao Exploratório.

“É um projecto fantástico que proporciona esta oportunidade de experienciar e viver o mundo da ciência. Passamos aqui o dia todo e este contacto é muito importante. As crianças nestas idades são muito curiosas e observadoras, gostam de saber o porquê das coisas e, ao mostrarmos todas estas possibilidades, vai despertar-lhes ainda mais curiosidade”, frisou Helena Pais.

O projecto surgiu de um desafio da Rede Nacional Ciência Viva aos diferentes Centros Ciência Viva para criarem novas Escolas Ciência Viva e o Exploratório de Coimbra, já com uma grande experiência a trabalhar com crianças muito novas, decidiu avançar com a ideia de um jardim-de-infância Ciência Viva.

A ideia foi acolhida pela rede, assim como pela Câmara de Coimbra e pelos agrupamentos, destacou Catarina Reis. “A ideia é passarem aqui uma semana inteira – crianças e equipa. É uma experiência completamente diferente do que quando fazem uma visita por umas horas”, explicou a responsável, salientando que o programa semanal é desenhado em conjunto com cada jardim-de-infância.

Para a educadora de infância destacada no Exploratório, Manuela Gonçalves, o desafio de falar de ciência aos mais novos é aliciante e consegue-se desmistificar a ideia de que pode ser difícil captar a atenção dos mais novos para estes temas.

“Eles são cientistas por natureza”, brincou a educadora, recordando que, tal como os cientistas, as crianças têm uma propensão para lançarem perguntas e questionarem-se sobre as coisas ao seu redor.

Aproveitando a “idade dos porquês”, as actividades são criadas a pensar na própria curiosidade natural das crianças, sendo desafiadas no Exploratório a fazer perguntas e também a lançar respostas. “É fácil mantê-los interessados”, notou Manuela Gonçalves.

No final da actividade em que as crianças olhavam com espanto para a espuma criada pela reacção entre o bicarbonato e o vinagre, Maria João, de seis anos, já tinha o seu tubo de ensaio com um líquido preto.

“Experimentei pôr todas as cores [dos corantes] e ficou preto. Se misturar todas as cores, fica preto”, diz Maria João, que se considera uma “exploradora”, mais interessada na mistura preta que tinha à frente do que em falar.

O projecto vai decorrer, pelo menos, até Março de 2025. Depois disso, ainda não se sabe o que irá acontecer, mas há “vontade para continuar”, talvez até garantindo continuidade com um projecto semelhante para o 1.º ciclo, assumiu Catarina Reis.