Coimbra  24 de Outubro de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Ex-ministro Jorge Coelho faleceu na Figueira da Foz

8 de Abril 2021 Jornal Campeão: Ex-ministro Jorge Coelho faleceu na Figueira da Foz

Foi quando visitava uma casa que tencionava comprar, na zona turística da Figueira da Foz, que o ex-dirigente socialista e antigo ministro Jorge Coelho foi vítima de um ataque cardíaco fulminante e morreu, aos 66 anos.

Ontem, depois das 17h00, Jorge Coelho, de 66 anos, sentiu-se mal, quando estava numa habitação na Rua da Liberdade, e o facto foi comunicado ao 112, mas quando a equipa dos Bombeiros Voluntários da Figueira da Foz chegaram ao local já estava em paragem cardiorrespiratória.

Anda foram efetuadas as manobras de reanimação, mas não foi possível reverter a situação, tendo o óbito sido declarado no local, na presença do INEM e da PSP. Para cumprimento dos procedimentos legais e apurar-se a verdadeira causa de morte, o corpos foi encaminhado para o Instituto de Medicina Legal de Coimbra.

Jorge Coelho afastou-se da política activa para se dedicar à vida empresarial e de 2008 a 2013 foi presidente da Comissão Executiva da Mota-Engil, que deixou depois para abrir uma fábrica de queijo, na sua terra natal, Mangualde, a Queijaria Vale da Serra.

Jorge Coelho foi ministro de três pastas nos governos de António Guterres: ministro Adjunto, ministro da Administração Interna e ministro da Presidência e do Equipamento Social.

A partir de 1992, com Guterres na liderança, Jorge Coelho foi secretário nacional para a organização, contribuindo para a vitória eleitoral dos socialistas nas legislativas de Outubro de 1995.

Como ministro-adjunto, é de destacar a criação das Lojas do Cidadão. Em conjunto com o seu secretário de Estado da Administração Pública, Fausto Correia, lançou em Portugal o conceito de Loja do Cidadão, enquanto interface e centro de atendimento de várias entidades públicas, agregando e ligando serviços num só espaço.

Após as eleições legislativas de 1999, que viriam a reconduzir António Guterres como chefe do Governo, Jorge Coelho assumiu as pastas da Presidência e das Obras Públicas. Em 04 de Março de 2001, Jorge Coelho “voltaria a deixar a sua assinatura na cultura política e democrática portuguesa, ao assumir, demitindo-se, a responsabilidade política plena pela queda da ponte de Entre-os-Rios.

“Constituiu um precedente de coerência para todos os titulares de funções executivas que se lhe seguiram e perdurará na moldura executiva como traço de dignidade e de respeito pelas vítimas”, defende o PS.

De acordo com o partido, Jorge Coelho “voltou a ser decisivo na campanha socialista de 2005, em que, pela primeira vez, com José Sócrates, o PS alcançou uma maioria absoluta em eleições legislativas”.

Foi em Novembro de 2006 que Jorge Coelho renunciou ao mandato de deputado e abandonou todos os cargos partidários para se dedicar à docência, à consultoria, à actividade empresarial e ao comentário político.

Nas palavras do historiador e comentador político José Pacheco Pereira, Jorge Coelho era “muito fiel à sua terra” e “um defensor do Interior do país e da sua região”.