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Ex-aluna envolve comunidade da ESEC em campanha para ajudar refugiados

6 de Fevereiro 2017 Jornal Campeão: Ex-aluna envolve comunidade da ESEC em campanha para ajudar refugiados

Liliana Calisto, ex-aluna do curso de Turismo da Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC), encontra-se a trabalhar como voluntária num campo de refugiados e apelou à sua antiga escola e respectiva comunidade para que pudessem colaborar numa campanha de recolha de bens.

Alunos, professores e auxiliares da ESEC, de imediato se disponibilizaram para ajudar e o átrio da Escola rapidamente se encheu de dezenas de cobertores, sacos-cama e centenas de peças de roupa quente (casacos, meias quentes, luvas, gorros, roupa térmica). Peças essenciais e que serão, agora, entregues num campo de refugiados em Belgrado, na Sérvia, onde, neste momento, sobrevivem cerca de 2 000 pessoas numa zona de fábricas abandonadas e em condições bastante difíceis, sujeitos a temperaturas negativas”.

Liliana Calisto descreve a situação nos campos como “deplorável e vergonhosa”. “Não é exagero, as roupas são escassas, a comida também, em alguns campos não só é pouco como não é devidamente cozinhada ou não está em condições para consumo”, relata a jovem.

A ex-aluna, que já foi voluntária em vários campos de refugiados, onde colabora com organizações humanitárias independentes, sentiu que tinha de fazer algo mais para ajudar. Uma experiência que tem sido “brutal, de extremos, intensa e complexa (…). Vivendo tudo isto no terreno é quase impossível voltar às nossas vidas com a mesma atitude. Tudo muda, e a ligação com aquelas pessoas que passam a ser família, a conexão que alguns de nós sentem com os refugiados não nos permite simplesmente desligar deste assunto”.

Neste sentido, a “ESEC entendeu que podia intervir e colaborar nesta campanha de recolha de donativos”, explica a instituição.

Num dos campos em que esteve como voluntária, em Oreokastrus, Liliana e uma amiga avançaram com um projeto, criar um espaço onde as mulheres se pudessem dedicar à costura. Conseguiram já equipar uma sala com duas máquinas de costura e material para poderem costurar.

Apesar do desespero que encontrou naqueles lugares, em que grande parte das pessoas “já só sobrevive”, a jovem licenciada em Turismo reconhece, também, que encontrou alguma esperança: “ainda há brilho nos olhos de muitos deles. Ainda há sonhos e ainda há finais felizes de famílias que se reencontraram e de famílias que finalmente foram alojadas”.