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Estudos mostram efeito da Creatina nos desportistas

19 de Dezembro 2019

A recente explosão no consumo de suplementações fez com que muitos cientistas buscassem entender os reais efeitos de cada um dos nutrientes no desempenho dos atletas. A creatina é um dos suplementos nutricionais mais consumidos pelos desportistas mundo afora e, por isso, um dos mais estudados. A Universidade de Coimbra, por exemplo, possui diversos estudos que mostram o que esta molécula muda na vida e na rotina dos desportistas.

A creatinina é um nutriente não-essencial para a dieta humana, e pode ser obtido de duas maneiras diferentes: a primeira delas, de forma exógena, ou seja, através da ingestão e, a segunda, de forma endógena, produzida dentro do nosso fígado. A sintetização da creatinina envolve três aminoácidos: arginina, glicina e metionina.

Um dos estudos, realizado por Nuno Constantino, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, prova que a popularidade da creatinina não veio à toa: ela é realmente muito eficiente para melhorar o desempenho físico dos atletas, pois não apenas reduz a fadiga durante e depois da realização das actividades, mas também aumenta a massa, a força e o volume muscular. Além disso, também ajuda na melhora da resposta anaeróbica do músculo-esquelético.

Por conta dessas características, a creatinina é mais eficaz para os atletas de desportos de alta intensidade, como futebol. Mas, o estudo mostra que a suplementação de creatina monohidratada pode trazer muitos benefícios para outros grupos de não-atletas, principalmente os idosos e pessoas que sofrem com alguma doença degenerativa, contribuindo muito para a manutenção da qualidade de vida, evitando as dores e o cansaço.

Outra dessas pesquisas mostra, com preocupação, como as pessoas estão ingerindo quantidades cada vez maiores da suplementação de creatinina. A conclusão, porém, é que até hoje ainda não foi provado nenhum malefício da ingestão do nutriente, pois as pessoas que o consomem não apresentam diferenças em relação às pessoas saudáveis, e que o consumo é seguro, apesar de ainda não ser possível assegurar a mesma situação às pessoas que têm contacto com o nutriente por muitos anos.

A única contra-indicação comprovada é para as pessoas que sofrem de patologias renais. A ligação entre a creatinina e os rins é intrínseca, a ponto de ser possível detectar alguns problemas renais através da medição dos índices do nutriente no organismo, inclusive de maneira precoce, ajudando no tratamento.

Além dos suplementos, também é possível encontrar a creatinina nas carnes vermelhas e nos frutos do mar, especialmente em peixes como o atum, o salmão, o bacalhau e o arenque. Nesses casos, a quantidade costuma variar entre 3 e 8 gramas de creatinina para cada quilo do alimento, enquanto a maioria dos suplementos costuma conter 300 gramas de creatina monohidratada em pó.

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