Coimbra  29 de Novembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Estudo nacional em 12 000 voluntários para saber prevalência da covid-19

8 de Setembro 2020 Jornal Campeão: Estudo nacional em 12 000 voluntários para saber prevalência da covid-19

O Instituto de Medicina Molecular (IMM) João Lobo Antunes da Universidade de Lisboa está a realizar um estudo que vai recrutar 12 000 voluntários, em todo o país, para aferir a prevalência da infecção respiratória covid-19.

O estudo arranca hoje, envolve várias entidades parceiras e pretende colher dados de uma amostra representativa da população, pelo que até 07 de Outubro, tem à disposição dos interessados em voluntariar-se 314 postos de colheita do Centro de Medicina Laboratorial Germano de Sousa, em todos os distritos do país.

Este estudo, que começa na prática com o recrutamento de participantes com várias idades em 102 concelhos do país, incluindo ilhas, é financiado em dois milhões de euros pela Sociedade Francisco Manuel dos Santos e pelo grupo Jerónimo Martins, refere um comunicado divulgado pelos promotores.

Os testes serológicos (recolha de uma amostra de sangue que permite detectar anticorpos para o coronavírus que provoca a doença covid-19) serão feitos, sem custos para os voluntários, e os resultados, esperados para fim de Outubro, vão ser apresentados como “o primeiro painel serológico para a covid-19 de cobertura nacional alargada”. Os resultados permitirão “dotar Portugal, e também a comunidade científica, da mais completa avaliação já realizada sobre a prevalência da infecção no país”.

Em declarações à agência Lusa, o imunologista do IMM e investigador-principal do estudo, Bruno Silva-Santos, disse que o número de voluntários pretendido, mais amplo face a outros trabalhos, confere “robustez” ao rastreio da “seroprevalência da população portuguesa”.

O painel serológico será constituído decorridos seis meses sobre o início da pandemia em Portugal, após um período de confinamento e outro de desconfinamento e depois das férias do Verão, em que as pessoas “estiveram mais expostas ao exterior” e ao relacionamento com familiares, assinalou o investigador.

A amostra tem por base três grupos etários (menores de 18 anos, entre os 18 e os 54 anos e 55 ou mais anos, com estes dois últimos grupos a representarem 81 por cento do universo de voluntários) e a densidade populacional das regiões (baixa, média e elevada).

A definição e caracterização da amostra contou com o contributo de especialistas da Pordata, base de dados organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, e da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, à qual está agregada o IMM.

Aos participantes do painel será realizado um inquérito médico para se perceber, nomeadamente, a percentagem de pessoas que têm doenças crónicas, são assintomáticas à covid-19 e estão vacinadas contra a gripe ou a tuberculose (esta última vacina parece dar alguma protecção ao organismo contra a doença covid-19, pelo menos na forma mais severa, de acordo com estudos científicos).

As pessoas podem registar-se como voluntárias no endereço www.painelcovid19.pt ou contactar a linha de apoio telefónico 808 100 062 (entre as 09h00 e as 18h00).

Bruno Silva-Santos adiantou que, a partir dos resultados obtidos com o primeiro painel serológico, será feito um novo estudo com um subgrupo destes voluntários, entre 2 000 a 2 400 pessoas, para acompanhar a evolução da taxa de seropositividade (presença de anticorpos para o coronavírus da covid-19 no soro sanguíneo) durante um ano e estimar a imunidade de grupo desenvolvida.

Apenas 2,9 por cento da população portuguesa tem anticorpos contra o SARS-CoV-2, um valor estimado no primeiro inquérito serológico do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, que decorreu entre 21 de Maio e 08 de Julho e envolveu 2 301 voluntários com idade superior a um ano, distribuídos pelo continente, Madeira e Açores.

A percentagem calculada é considerada inferior à necessária para se atingir imunidade de grupo.

A imunidade de grupo é o estado de protecção de uma população contra uma doença infectocontagiosa, que limita a sua disseminação.

Quando não é adquirida artificialmente através da vacinação em massa, a imunidade de grupo é conseguida, de modo natural, depois de uma parte significativa da população ter sido infectada.