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Estudo da UC revela que portugueses têm interesse em lazer erótico

2 de Agosto 2018 Jornal Campeão: Estudo da UC revela que portugueses têm interesse em lazer erótico

Massagens eróticas, motel, jantar às escuras ou o mais recente conceito ‘bodysushi’ são actividades em que a maioria dos portugueses demonstram interesse, segundo um estudo desenvolvido pela investigadora Catarina Nadais, da Universidade de Coimbra.

“A maioria dos portugueses revela curiosidade em produtos e serviços de lazer erótico e sexual, e são os jovens e os solteiros os que demonstram mais interesse em participar”, adianta a investigação, realizada no âmbito da tese de doutoramento “Lazeres eróticos e sexuais – práticas, consumos e percepções da população portuguesa”.

O estudo revela que a maioria dos inquiridos associa “curiosidade e interesse a este tipo de práticas”, contra apenas “3,4 por cento e 3,5 por cento que falam de vergonha e de leviandade, respectivamente”.

Aqueles que mais revelam interesse em participar ou conhecer produtos e serviços eróticos e sexuais são jovens, sendo que, dentro do estado civil, estão em maioria os solteiros e divorciados.

Das práticas com mais interesse, destacam-se as massagens eróticas (16,4 por cento), o ‘bodysushi’ [mesa erótica humana] (9,9 por cento), jantar às escuras (nove por cento) e motel (8,1 por cento), refere a tese realizada na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e que envolveu um inquérito a 752 pessoas.

Quanto à prática ou compra efectiva de serviços e produtos deste sector, a actividade mais referida pelos inquiridos são as ‘sex shops’ (38,7 por cento), seguido de programas de canais para adultos (36,7 por cento) e motel (25,5 por cento). Já entre as actividades com menor participação estão o cruzeiro de solteiros (0,8 por centro), ‘bodysushi’ (0,9 por cento) e o ‘speed dating’ (1,2 por cento).

A classe social mostra-se determinante no nível de conhecimento da maioria dos serviços e produtos, seja nos encontros às cegas, ‘speed dating’, websites de infidelidade, festivais eróticos ou de ‘swing’, entre outros, sem que haja, depois, diferenças ao nível da percentagem de participação.

O estudo revela que os websites de infidelidade são mais usados por divorciados, sendo também estes que referem mais já terem recorrido à prostituição e irem a ‘sex shops’.

Os motéis são mais conhecidos pelo grupo etário entre os 31 e os 59 anos e pertencentes a uma classe social alta.

Do inquérito realizado, 80,9 por cento consideraram que não havia divulgação ou promoção das actividades de lazer erótico e sexual.

Para Catarina Nadais, Portugal ainda é “uma sociedade conservadora”, que não entende estas práticas “como normais”, em que é difícil assumir sequer que se recorre a este tipo de serviços ou produtos.

“Normalmente, é mais fácil lidar com a situação, com o desconforto ou com o tabu, quando há uma quase infantilização da prática”, disse, apontando para as despedidas de solteiro como um exemplo em que essa infantilização acontece.

Apesar disso, nota que o interesse e curiosidade dos inquiridos neste tipo de práticas mostram que, à partida, haverá, hoje em dia, “uma maior abertura da sociedade a estas práticas”.

“A Internet e a comunicação social também ajudam, ou as revistas femininas que apresentam estas práticas de forma acessível, descomplexada e praticável”, referiu, apesar de admitir que ainda há “preconceito e tabu” quando o tema é este.

O estudo, sublinhou, “é um ponto de partida”, até porque “não há trabalho sobre isto e não se conhece o mercado que existe”, afirmou Catarina Nadais, referindo que é necessário também perceber não apenas as percepções da população mas também o outro lado, de quem oferece este tipo de serviços.