Coimbra  26 de Maio de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Estudo da UC revela que pandemia teve forte impacto nos planos de viagens

11 de Maio 2020

Uma equipa de investigadores do Instituto Politécnico de Viseu (IPV) e da Universidade de Coimbra (UC) realizaram um estudo, com o qual se concluiu que a pandemia teve forte impacto na percepção de segurança e planos de viagem e turismo dos portugueses.

Esta investigação, desenvolvida ao longo dos últimos três meses (entre 02 de Fevereiro e 02 de Maio) e através de um inquérito online, foi a primeira a analisar os efeitos da actual pandemia na percepção de segurança para viajar no país e no estrangeiro e para a prática de várias actividades de lazer e turismo, bem como medo e preocupação relacionados com o contágio e medidas/restrições com as quais os residentes em território nacional concordam para se sentirem mais seguros.

“Numa primeira fase, a equipa, constituída por Carla Silva, José Luís Abrantes, Manuel Reis e Odete Paiva (IPV) e Cláudia Seabra (UC), analisou os dados totais daqueles vários aspectos”, revelam os investigadores, que tiveram em consideração uma análise do tipo sondagem para se perceber a mudança de opinião dos residentes nacionais ao longo do tempo.

Assim, foram marcados cinco momentos por eventos específicos referentes à actual pandemia: 02 de Fevereiro, quando foram confirmados os primeiros casos na Europa (dois turistas chineses em Itália); 02 de Março, dia em que foram confirmados os primeiros dois casos de infecção em Portugal; 18 de Março, início do primeiro estado de emergência; 02 de Abril, dia em que foi decretado o segundo estado de emergência; e finalmente o período entre o decreto do terceiro estado de emergência a 18 de Abril e o seu termo, a 02 de Maio.

Os principais resultados do estudo, salientam os autores, “mostram que a actual pandemia tem um impacto significativo na percepção de segurança dos portugueses para viajar no país e no estrangeiro. Os residentes nacionais concordam que a segurança é um factor fundamental para viajar e inclusive é o atributo mais importante para a escolha de um destino, em termos globais, mas é ainda mais crucial quando se consideram as viagens internacionais”.

Segundo a investigação permitiu concluir, os inquiridos consideram que, devido à pandemia, “são arriscadas as viagens para férias, deslocações de trabalho, viagens com a família ou para visita de amigos e familiares dentro do país”. Respostas que são ainda mais expressivas para as mesmas viagens no estrangeiro. Finalmente, consideram que medidas de segurança adicionais nos aeroportos tornam as viagens mais seguras no país e no estrangeiro.

A avaliação das respostas nos cinco períodos temporais já referidos indicam que o medo de viajar pelos residentes nacionais aumentou progressivamente, a cada período estudado, tal como o medo de contágio em termos pessoais e familiares.

As conclusões desta investigação, “além de contribuírem para se perceber melhor como a actual pandemia está a influenciar a vida quotidiana dos portugueses e os seus planos de lazer e viagem, chamam a atenção para vários aspectos muito importantes, tais como o nível de segurança sentido para viajar dentro e fora do país e sua evolução ao longo do tempo, mostrando que as viagens domésticas foram consideradas como menos arriscadas ao longo do tempo; e quais as actividades de lazer e turismo que os portugueses consideram mais seguras, destacando-se claramente a prática de turismo de natureza”, consideram os autores.

“As gerações mais velhas são quem mostra mais receios, pelo que este segmento de mercado será aquele que precisará de mais tempo para recuperar a confiança para viajar. Já no que respeita às restrições e medidas de segurança, os portugueses aceitam as medidas impostas pelo Governo, contudo, não concordam com medidas mais impositivas”, acrescentam.

Destaques do estudo:

Segurança

  • A geração mais velha revela uma “percepção de risco de viagem mais elevada seja em destinos nacionais ou em destinos internacionais”;

Actividades de lazer e turismo

  • Residentes nacionais sentem-se muito inseguros para estas actividades, com destaque para a ida a casinos ou locais de diversão nocturna;
  • Entre 60 a 80 por cento classificam como muito inseguras as visitas a parques temáticos, galerias, museus e monumentos, centros urbanos e centros históricos; participação em eventos como concertos, festivais, eventos desportivos ou religiosos; prática de desportos em espaços fechados; fazer refeições em restaurantes, ficar em alojamentos hoteleiros, participar em visitas turísticas ou fazer compras em centros comerciais e mercados;
  • Inquiridos consideram a ida a praias, rios e lagos como uma actividade menos insegura; e a ida a parques naturais, percursos pedestres e a prática de desportos de natureza são as únicas actividades consideradas como relativamente seguras pelos portugueses no contexto da pandemia;
  • As gerações mais velhas são aquelas que, tendencialmente, demonstram um maior receio para praticar todas as actividades de lazer e turismo;

Contágio

  • 85 por cento dos inquiridos sentem que cidadãos e turistas poderão ser vítimas de contágio e que esse receio se aplica a si e aos seus familiares;
  • 50 por cento dos respondentes afirmam que vão mudar vários aspectos da sua vida e rotinas quotidianas por causa da doença;
  • 65 por cento vão mudar vários aspectos no que concerne aos planos de férias e viagens por causa da doença;

Medidas/Restrições

  • Portugueses são unânimes sobre a obrigação de quarentena para os casos diagnosticados (95 por cento) e um maior controlo das fronteiras (86 por cento);
  • Quanto ao repatriamento, os respondentes são mais concordantes quando a medida é aplicada a cidadãos portugueses no estrangeiro (49 por cento) do que a cidadãos estrangeiros em Portugal, já que 39 por cento dos participantes do estudo discordam até desta medida.
  • No que respeita à possibilidade de forças de segurança pararem pessoas aleatoriamente nas ruas para serem examinadas, a discordância é maior com quase 40 por cento dos participantes a afirmarem a sua opinião contra, 34 a favor e 26 por cento neutra.

Este estudo, que envolve o Centro de Investigação em Serviços Digitais (CISeD) do IPV e o Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT) da UC, está ainda a decorrer e permitirá num futuro próximo apurar os impactos da covid-19, não só em Portugal, como também noutras regiões do mundo.

Os autores obtiveram até ao momento, respostas de residentes em 74 países nos cinco continentes, alguns dos quais importantes mercados emissores para Portugal.

O questionário, disponível em 21 línguas, pode ser consultado e respondido em:

http://estatisticas.estgv.ipv.pt/index.php/823712?newtest=Y&lang=pt.

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