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Estudo da UC revela que mulheres académicas foram mais afectadas pela pandemia

5 de Março 2021 Jornal Campeão: Estudo da UC revela que mulheres académicas foram mais afectadas pela pandemia

Um estudo da Universidade de Coimbra (UC), realizado no âmbito do projecto europeu “SUPERA | Supporting the Promotion of Equality in Research and Academia”, revelou que as mulheres académicas foram o grupo mais afectado pela severidade dos efeitos psicológicos e emocionais associados ao confinamento.

Esta investigação teve como objectivo avaliar o impacto da crise pandémica nas condições de trabalho e desempenho de docentes e investigadores/as e segundo os resultados do inquérito, realizado entre os dias 10 e 20 de Setembro de 2020, após o primeiro confinamento, reportaram mais frequentemente os sentimentos de ansiedade, tristeza, preocupação com o futuro profissional e percepção de ausência de controlo sobre a situação.

“A pandemia covid-19 motivou a adopção de medidas de contingência (por exemplo, a transição para o trabalho/ensino remoto nas universidades e encerramento de escolas e equipamentos sociais) que tiveram fortes implicações na organização e condições de trabalho académico (por exemplo, transição para aulas online, académicos/as com filhos/as passaram a compatibilizar actividade docente e científica com cuidados às crianças, investigadores/as tiveram que reformular e adaptar planos de investigação). Este estudo veio demonstrar que as novas condições para a realização do trabalho docente e de investigação tiveram um impacto diferenciado em mulheres e homens académicos, tornando visíveis ou acentuando desigualdades pre-existentes em termos de condições de trabalho, possibilidades de conciliação trabalho-família, divisão do trabalho académico, e desempenho científico”, explicou Mónica Lopes, coordenadora do estudo, coordenadora local do projecto “SUPERA” e investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

“Os resultados apontam não só para a maior severidade dos efeitos da crise pandémica sobre as mulheres académicas, mas também para a situação de particular desvantagem em que se encontram homens e mulheres académicos/as com crianças menores a cargo e docentes/investigadores/as mais jovens e com vínculos precários para corresponder à forte exigência e elevados padrões de desempenho da profissão durante a pandemia. Por outro lado, o estudo releva o papel crítico do suporte/apoio institucional (de colegas, serviços técnicos, direcções de faculdades/departamentos/unidades I&D e reitoria) no amortecimento dos efeitos negativos do confinamento no desempenho académico”, acrescenta a investigadora.

Quanto à mudança no uso do tempo pessoal e doméstico/familiar, associado ao primeiro confinamento, o inquérito aponta que as actividades que sofreram maior impacto foram o trabalho doméstico e cuidados e acompanhamento a crianças e jovens, a que mais de 2/3 das pessoas inquiridas passou a dedicar mais tempo. As mulheres, em especial as académicas com crianças ou adultos dependentes, foram as mais afectadas pela sobrecarga de trabalho doméstico e familiar e pela redução do tempo de lazer.

No que diz respeito à percepção sobre a influência da covid-19 no uso do tempo académico, foram também as mulheres e as pessoas com crianças até aos 12 anos a revelar uma maior influência da pandemia na afectação de tempo ao trabalho profissional. 68% das mulheres e 67% das pessoas com crianças até aos 12 anos declarou que a covid-19 influenciou bastante ou muito a dedicação de tempo ao trabalho, face a 54% dos homens e 48% das pessoas sem crianças que declara essa influência.

O estudo também fornece informações importantes sobre a extensão em que as sobrecargas distintas impostas pelo confinamento às mulheres mais jovens com filhos pequenos tiveram impacto na produção científica. Os resultados mostram uma redução dos outputs científicos durante o confinamento, mas apenas no caso das mães académicas. Os académicos masculinos, durante o confinamento, concentraram-se mais na produção científica mais valorizada, como artigos, livros e capítulos de livros, enquanto o investimento das mulheres foi mais diversificado e frequentemente dirigido para a vertente pedagógica. De salientar ainda que quatro em cada 10 das pessoas inquiridas declarou estar insatisfeita com o desempenho académico/científico, em termos de resultados, durante o confinamento.

Outra das conclusões deste estudo foi a importância atribuída pelos inquiridos ao suporte institucional para atenuar os efeitos negativos do confinamento nas condições de trabalho à distância e desempenho académico.

Este estudo, que contou com uma amostra de 281 docentes e investigadores da UC, foi realizado no âmbito do projecto “SUPERA”, coordenado em Portugal pelo Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra. Este projecto, do qual a Universidade de Coimbra é a única universidade portuguesa a fazer parte, visa combater as desigualdades entre mulheres e homens no mundo académico através do apoio à implementação de planos de acção para a igualdade de género em seis entidades europeias do sistema científico.

O Plano para a Igualdade, Equidade e Diversidade da Universidade de Coimbra está neste momento em fase final de preparação e, em breve, estará disponível.