Coimbra  19 de Novembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Estudo da UC distinguido pela Associação Internacional de Ozono

16 de Outubro 2019

 Um estudo da Universidade de Coimbra (UC) foi distinguido, hoje (16), pela Associação Internacional de Ozono, a “única associação científica do mundo” dedicada às aplicações do ozono.

A investigação propõe “diversas soluções inovadoras para tratamento de águas residuais com contaminantes emergentes, tendo por base o uso de ozono e a biofiltração”, utilizando rochas vulcânicas, provenientes dos Açores.

“Os contaminantes emergentes, tais como fármacos, pesticidas e produtos de higiene pessoal, entre outros, são compostos químicos bastante complexos e os actuais métodos usados nas estações de tratamento de águas residuais (ETAR) não são eficazes na sua remoção”, afirma a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

O método proposto pelo investigador João Gomes, do Departamento de Engenharia Química da FCTUC, recorre ao ozono foto-catalítico, ou seja, “ozono associado a um catalisador (que acelera as reacções químicas) e luz”, explicita a Faculdade.

Neste caso, o investigador utilizou vários catalisadores, entre os quais rochas vulcânicas provenientes dos Açores.

“Caracterizámos as amostras das pedras e verificámos que apresentavam propriedades com grande potencial para, em conjunto com uma pequena quantidade de ozono, degradar contaminantes tóxicos que não são removidos eficazmente pelos processos convencionais de tratamento de água”, explica João Gomes.

“Apesar de ser um gás fortemente oxidante e muito eficaz na degradação de poluentes químicos, o ozono é um gás caro”, reconhece o investigador.

Os catalisadores permitem, no entanto, “reduzir a quantidade de ozono necessária à descontaminação, tornando o processo economicamente viável”, salienta João Gomes.

As várias experiências realizadas em laboratório com uma mistura de parabenos, compostos muito utilizados, por exemplo, em géis de banho e champôs, apresentaram resultados promissores.

“Na presença de catalisadores, com uma pequena quantidade de ozono, a concentração inicial de parabenos foi totalmente removida, ao contrário do que se verifica utilizando apenas ozono”, sublinha João Gomes.

Provado o conceito e tendo já sido feita a aplicação em efluente real, o investigador vai agora optimizar o sistema à escala piloto, adianta a FCTUC.

Sobre a atribuição do prémio ‘Willy Masschelein Prize 2019’, o investigador, que realizou o estudo no âmbito do seu doutoramento, orientado pelos professores Rui Martins e Rosa Quinta Ferreira, afirma que “é uma honra imensa ver o trabalho reconhecido pela comunidade científica internacional”.

O galardão vai ser entregue no dia 23 de Outubro, em Nice (França), durante o IOA World Congress&Exhibition.

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com