Coimbra  21 de Julho de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Estudo da UC apresenta novo método no tratamento da dor pós-cesariana

19 de Março 2018

Uma equipa multidisciplinar de cientistas e médicos da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), coordenada por Manuela Grazina, apresentou uma nova abordagem médica personalizada no tratamento da dor pós-cesariana, revelou, hoje, a UC.

O estudo piloto, realizado durante dois anos em amostras de ADN de 55 parturientes adultas caucasianas portuguesas submetidas a cesariana programada, seguidas na maternidade do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), “mostrou uma associação positiva entre as variantes genéticas da enzima CYP2D6 e a dor”, salienta a Universidade.

Esta investigação revelou que “as variantes genéticas que resultam na ausência ou redução da função enzimática da CYP2D6 estão associadas a mais dor. Este efeito está possivelmente relacionado com uma diminuição da síntese da dopamina pela actividade da enzima CYP2D6 no cérebro”, explica Manuela Grazina, adiantando que o estudo traz, assim, “novas perspectivas sobre a abordagem médica personalizada no tratamento da dor pós-cesariana”.

A enzima de que trata o estudo, a CYP2D6, além de metabolizar um elevado número de fármacos no fígado, “apresenta actividade no cérebro e, em condições fisiológicas normais, constitui uma via alternativa para síntese de cerca de 12 por cento de dopamina, um neurotransmissor essencial para o bem-estar, incluindo na resposta analgésica do organismo à dor. A presença de variantes genéticas que se traduzem em actividade enzimática reduzida ou nula levará a menor produção cerebral de dopamina e, portanto, uma pontuação de dor mais elevada”, clarifica a cientista da UC.

Os resultados desta investigação são importantes, na medida em que “a dor pós-parto aguda afecta um número considerável de mulheres e 10 a 15 por cento desenvolvem dor persistente crónica após a cesariana”. Este estudo, permitindo um tratamento médico personalizado, de acordo com as características genéticas individuais, poderá trazer “grandes benefícios, permitindo ajustar as doses de analgésico para um tratamento mais eficaz”, frisa a também responsável pelo Laboratório de Bioquímica Genética do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC).

Estas conclusões foram já publicadas na revista científica “Pain Medicine” e são “um contributo importante para uma melhor compreensão de como a variabilidade genética da CYP2D6 afecta o resultado da dor”.

A análise genética do gene CYP2D6 constitui, assim, “uma ferramenta promissora, rápida, acessível e credível, com uma contribuição muito significativa para a estimativa das necessidades analgésicas no tratamento da dor pós-cesariana”, conclui Manuela Grazina.

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com