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Estudo da ESTeSC revela que conimbricenses acreditam estar de boa saúde

21 de Setembro 2017

O investigador da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (ESTeSC) João Paulo Figueiredo realizou um estudo que revela que a maioria da população de Coimbra acredita estar de boa saúde.

O estudo, apresentado, ontem (20), em livro, traça um diagnóstico das condições de vida da população do concelho de Coimbra, e revela a relação da percepção do estado de saúde no indivíduo na idade adulta com os comportamentos verificados na adolescência.

O também docente defende um investimento na promoção da saúde junto da população mais jovem, através da educação e sensibilização nas escolas e da introdução de medidas dissuasoras de estilos de vida prejudiciais à saúde, para reduzir efeitos de factores responsáveis pela morbilidade e mortalidade na vida adulta.

O objectivo da investigação foi “compreender o impacto dos determinantes de saúde dos habitantes do concelho de Coimbra na percepção geral de saúde”, revela a ESTeSC.

As conclusões apuraram que a maioria da população do concelho de Coimbra perceciona ter um bom estado de saúde, com 47,1 por cento dos inquiridos a classificar como “bom” e 38,2 por cento como “razoável” ter uma boa qualidade de vida.

Segundo o docente, “no âmbito da satisfação com a vida verificou-se que quanto mais satisfeitas estão as pessoas ao nível da sua saúde e funcionalidade, nas relações sociais, condição económica, na presença de um bem-estar psicológico e suporte familiar, também apresentaram índices mais elevados de perceção de estado de saúde no momento presente (vida adulta)”.

João Paulo Figueiredo demonstra, com esta investigação, que “há determinantes em saúde na adolescência que condicionam a percepção de estado da saúde no adulto, tais como o tipo de frequência e o abandono escolar, o ingresso no mercado de trabalho e as suas circunstâncias,

a participação em actividades de lazer ou sócio-recreativas, e determinados estilos de vida, tais

como a alimentação, os hábitos de consumo de álcool e tabaco, entre outros”, adianta a Escola, em comunicado.

No geral, o que se percebeu é que os factores externos com maior impacto negativo no perfil de saúde observaram-se em pessoas com idades mais avançadas, do sexo feminino, na condição de

viuvez, religiosas, com baixas habilitações literárias, proprietárias da sua habitação, desempregadas, reformadas ou empregadas com vínculos precários.

Também a pior condição de saúde percebida foi predita por pessoas que consultaram o médico

nos últimos três meses, com múltiplas consultas e com acesso a uma só entidade de saúde, que

controlavam a tensão arterial e colesterol, e portadores de doença crónica.

A pior percepção de saúde verificou-se, segundo João Paulo Figueiredo, em pessoas “com difícil acesso a cuidados de saúde, muito dependentes do médico ou de entidades religiosas, factores que afectam a capacidade de decisão”. Elevados riscos de acidente, menores cuidados alimentares, insatisfação geral com a vida, sedentarismo, obesidade/excesso de peso, período de sono menor de sete horas por dia, consumo de tabaco prolongado, anterior consumo de álcool e actividade física laboral pesada foram outros factores verificados como tendo um impacto negativo na percepção de saúde.

“A classe média baixa foi aquela onde as pessoas revelaram maior ‘deficit’ de saúde na maioria dos

indicadores estudados”, afirma.

O investigador constatou, ainda, que os habitantes que na adolescência registaram baixa participação em actividades de lazer, tinham actividade religiosa, ingressaram cedo no mercado de trabalho (a tempo integral), com responsabilidades em tarefas domésticas e que abandonaram precocemente o ensino revelam piores resultados de saúde no momento presente.

Segundo o investigador, os resultados mostram que alguns factores de risco presentes na adolescência revelaram ter continuidade na vida adulta, o que “desperta a motivação da necessidade de ir mais além do que controlar a doença ou sintomas e promover estilos de vida saudáveis”. Para João Paulo Figueiredo, é necessário que vários parceiros sociais com responsabilidade nestas áreas se envolvam em “estratégias multidisciplinares – económicas, políticas e de desenvolvimento social – que possam actuar no combate aos vários determinantes sociais”.

A investigação compreendeu três fases: a descrição e avaliação de determinados parâmetros sociais, antropométricos, clínicos, comportamentais e estilos de vida; a análise do perfil de estados de saúde da população em função de determinantes de saúde/doença no momento presente (vida adulta); e uma análise retrospectiva para avaliação de determinados indicadores de risco/protecção de saúde vivenciados no tempo passado da população em estudo.

Na investigação participaram 1 214 habitantes, adultos (igual ou superior a 35 anos), de ambos os sexos, residentes no concelho de Coimbra, durante um período de dois anos (2011-2013).

Os resultados do estudo foram incluídos na tese de doutoramento apresentada à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, e constituem o 13.º volume da Coleção “Ciência, Saúde e Inovação | Teses de Doutoramento” da ESTeSC.

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