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Estudo da ESTeSC revela má qualidade do ar nas escolas de Coimbra

4 de Janeiro 2017 Jornal Campeão: Estudo da ESTeSC revela má qualidade do ar nas escolas de Coimbra

Ana Ferreira, docente e vice-presidente da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (ESTeSC), lança, hoje, um livro que traduz os resultados de um estudo de avaliação da qualidade do ar em escolas de Coimbra, onde foram detectadas concentrações perigosas de dióxido de carbono e partículas.

A investigação, realizada no âmbito da tese de doutoramento em Ciências da Saúde, ramo de Ciências Biomédicas, apresentada à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), em 2015, e intitulada “Qualidade do Ar Interior em Escolas e Saúde das Crianças” revela que “a presença de concentrações de CO2, compostos orgânicos voláteis (COVs), formaldeído (CH2O) e de partículas em salas de aula em Coimbra excedem os limites máximos permitidos por lei, pondo em causa a saúde, o conforto e o processo de aprendizagem das crianças e podendo aumentar a ocorrência de doenças respiratórias, alérgicas, cardiovasculares e cancro”.

O estudo avaliou as concentrações de partículas, de monóxido de carbono, dióxido de carbono, ozono, compostos orgânicos voláteis, entre outros, assim como a temperatura e humidade relativa, com o objectivo de caracterizar a qualidade do ar interior das salas de aula das escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico do concelho de Coimbra, bem como a qualidade do ar ambiente. Pretendeu-se, ainda, “estimar o estado actual de saúde dos estudantes e propor medidas mitigadoras para os resultados encontrados”, refere a ESTeSC.

A avaliação foi feita no período de Outono/Inverno e de Primavera/Verão, em escolas pertencentes a todas as freguesias do concelho de Coimbra, quer urbanas como rurais, sendo que a capacidade respiratória das crianças do 1.º e 4.º ano dessas escolas foi também alvo de avaliação e os pais e encarregados de educação questionados sobre os sinais, sintomas e patologias dos seus educandos.

Ana Ferreira salienta que o estudo verificou que “várias escolas apresentaram má Qualidade de Ar Interior – QAI e vários parâmetros ambientais ultrapassaram o legislado. Também a temperatura e a humidade relativa nas salas de aula revelaram resultados preocupantes para o conforto das crianças”, acrescentando que “a concentração de poluentes foi superior nas salas de aula, face às concentrações verificadas no exterior.

O problema poderá passar pela não reabilitação da maioria das escolas, que já têm muitos anos de existência, apresentando deficiências nos seus aspectos construtivos, falta de sistema de climatização e falta de ventilação mecânica ou mista.

Também a forma como a limpeza dos espaços era feita; o número de ocupantes; as actividades desenvolvidas e o armazenamento de papel; materiais e equipamentos nas salas de aula; a utilização de fogões ou salamandras; a utilização de quadro de lousa e giz e a falta de ventilação mecânica, contribuíram para os resultados obtidos.

“Em resultado desta situação, especialmente no Outono/Inverno, foram medidos teores especialmente elevados de dióxido de carbono (CO2) e de partículas, revelando claramente deficiências da qualidade do ar interior devido à insuficiente ventilação e renovação do ar”, refere a professora.

Esta investigação permitiu, também, fazer uma ligação entre alguns parâmetros ambientais analisados e “sinais,sintomas e patologias, bem como alterações na função respiratória nos estudantes”, explica a Ana Ferreira, adiantando que é necessária a implementação “de mecanismos para a melhoria da qualidade do ar nas escolas,quer estruturais como funcionais, com monitorizações contínuas”, não esquecendo a alteração de comportamentos por parte dos ocupantes dos edifícios. Estas são medidas “importantes para a prevenção de consequências adversas à saúde das crianças”, até porque os dados do relatório de 2014 do Observatório Nacional das doenças respiratória mostram que, nas últimas duas décadas, a saúde respiratória dos portugueses se está a deteriorar com agravamentos na ordem dos 30 por cento na mortalidade e nos internamentos.

Ana Ferreira conclui que estes são “números pouco animadores” que “indicam claramente que estamos a falhar na prevenção da doença e promoção da saúde, bem como na educação para a saúde e na implementação de politicas de saúde ambiental”.

O estudo foi feito à qualidade do ar interior em 51 escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico no concelho de Coimbra e envolveu cerca de um milhar de alunos.

O livro, que é o sexto volume da Colecção “Ciência, Saúde e Inovação | Teses de Doutoramento”, será lançado hoje, pelas 16h00, na Escola Superior de Tecnologia de Coimbra (ESTeSC).