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“Estou deputado mas não me eternizarei nesta função”

10 de Março 2020 Jornal Campeão: “Estou deputado mas não me eternizarei nesta função”
Perfil publicado a 21 de Novembro de 2019, na edição n.º 999

Nome: PEDRO Artur Barreirinhas Sales Guedes COIMBRA

Naturalidade: Penacova – Coimbra

Idade: 46 anos

Profissão: Inspector da Segurança Social; Deputado do PS eleito pelo círculo de Coimbra

Passatempos: Viajar; Brincar com o filho de cinco anos; estar com os amigos

Signo: Carneiro

 

Nasceu no dia das mentiras o que, para Pedro Coimbra, é um acaso feliz já que assim os amigos nunca se esquecem do seu aniversário. Além dessa particularidade, quis o destino que nascesse na, existente à época, maternidade de Penacova, “pelas mãos do avô, médico de profissão, e com a ajuda do pai (também médico, com a especialidade de Obstetrícia e Ginecologia)”. Por lá continuou com o irmão e os pais (“a quem tudo devo”), durante uma infância “muito feliz e com muita convivência entre as crianças”, dividindo-se entre a terra natal e Coimbra, onde moravam as duas avós e uma tia. Nasceu no ano anterior ao 25 de Abril de 1974, crescendo no seio de uma família opositora ao regime, com um avô avesso ao regime de Salazar e um pai inúmeras vezes envolvido em manifestações, presente nas crises académicas, chegando mesmo a ser preso pela PIDE. Em 1992 sai de Penacova para “assentar arraiais em Coimbra” onde, mais tarde, se licenciou na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, em Engenharia Civil. “Eu defini relativamente cedo o que gostaria de tirar, embora considere que, nestas idades, seja um pouco violento ter de se tomar decisões tão importantes para a vida quando a maturidade não é a indicada Mas eu já tinha definido que ou tiraria Arquitetura ou Engenharia Civil. Seria sempre uma destas opções”, esclarece.

Dos tempos de faculdade, Pedro Coimbra recorda cada momento com saudade. “Apesar de ter vários familiares em Coimbra, os meus pais deram-me a liberdade de viver com colegas num apartamento e isso permitiu-me fazer amigos que ficam para a vida e ter uma maior convivência com eles e tudo isso faz parte da nossa aprendizagem. Devo dizer que, ainda hoje e desde esses tempos, que reunimos um grupo de amigos que, impreterivelmente, se encontra para jantar nas festas académicas de Coimbra e noutros momentos ao longo do ano”, afirma.

Termina a licenciatura numa época em que existia muita procura e trabalho na área da Engenharia. Na altura opta por dedicar-se à área privada, começando a sua actividade profissional pela execução de projectos de engenharia, direcção e fiscalização de obras, entre outras tarefas.

Mas, nem sempre os tempos são de bonança. O mercado imobiliário começa a arrefecer no início do século XXI e Pedro Coimbra resolve fazer uma opção diferente. “Optei por concorrer para Técnico Superior de Engenharia Civil no Instituto de Segurança social”. Foi admitido começando como estagiário e passando depois a Técnico Superior, dirigindo uma estrutura intermédia na área da análise de projectos e acompanhamento de obras.

Houve, entretanto, uma restruturação do Instituto de Segurança Social. Nesse seguimento, Pedro Coimbra passou a desempenhar funções de Inspector da Segurança Social, cargo que mantém até aos dias de hoje. O seu papel, esclarece, é o de “inspeccionar o normal funcionamento de equipamentos sociais, avaliar se, por exemplo, valências sociais tuteladas pelo Ministério da Segurança Social (como lares de idosos, centros de dia, serviços de apoio domiciliário, creches, entre outros), se funcionam dentro das regras, prestando os cuidados adequados às famílias e respeitando os regulamentos, normativos e leis aplicáveis”.

A nível académico, concluiu, entretanto, o MBA para Executivos na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. A sua vida profissional contempla várias entidades e funções, entre elas: presidir ao Conselho de Administração da Águas de Coimbra, EM (2013-2015) mas, antes disso, foi Vice Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (2009-2011). Foi, também, Diretor Adjunto do Centro Distrital de Coimbra da Segurança Social, Diretor do Gabinete de Planeamento e Acompanhamento de Obras do Serviço Regional da Segurança Social, Deputado Municipal em Penacova em vários mandatos e Dirigente concelhio, distrital e nacional do Partido Socialista e da Juventude Socialista em vários órgãos. Em todos os cargos que desempenhou e/ou desempenha, assume nunca ter “feito algo a contra gosto”, considerando que todas as funções o preencheram de alguma forma, tendo sido feliz em todas elas tanto a nível político como profissional.

Actualmente preside à Assembleia Municipal de Penacova e à Federação de Coimbra do Partido Socialista sendo também Membro da Assembleia Intermunicipal da Região de Coimbra e do Conselho Geral da Fundação Sophia bem como do Conselho de Estratégia da Fundação ADFP. É também Presidente do Conselho de Administração da Fundação CCD da Segurança Social, além de ser Dirigente nacional do Partido Socialista. Este é o terceiro mandato como deputado (segundo consecutivo) e, enquanto eleito pelo círculo eleitoral de Coimbra, pretende dar continuidade ao trabalho que tem feito com primazia pelas questões da região centro, embora com algumas competências nacionais que lhe têm sido atribuídas como, por exemplo, o acompanhamento do Portugal 2020. Foi eleito, recentemente, vice-presidente da Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação e, novamente, coordenador dos Deputados de Coimbra.

Sobre o futuro Pedro Coimbra não gosta muito de falar. Acredita que o segredo é desfrutar da vida e deixá-la fluir “sem fazer planos nem a longo nem a médio prazo porque, geralmente, quando se planeia demais as coisas saem furadas”, confessa. Sente-se totalmente realizado e feliz “com uma vida de altos e baixos como qualquer pessoa”, com uma certeza apenas: “estarei deputado durante mais algum tempo mas não farei disso a minha vida. Sê-lo-ei enquanto tiver motivação e enquanto me sentir útil. No dia em que não tiver motivação ou que considere ser útil noutro lado, mudarei de vida como já mudei várias vezes. Estou deputado, não sou deputado. Gosto de estar nesta função mas não me eternizarei como deputado”.

 

E AINDA…

É absolutamente intolerável que o país tenha chegado ao século XXI com uma estrada como o IP3 depois de termos recebido tanto investimento comunitário e nenhum governo até ao anterior está isento de culpas. Trata-se de uma das estradas mais importantes e movimentadas do país, que nos liga a Espanha e que tem elevados índices de sinistralidade grave. Felizmente há hoje uma boa solução que já está em curso e que importa agora levar até ao fim. São 134 milhões de euros de investimento e valeu a ajuda de alguns autarcas e organizações cívicas. Coloquei neste assunto todo o meu empenho e dedicação e, felizmente, o governo foi sensível aos argumentos e aos estudos técnicos realizados! O sistema de mobilidade do Mondego, a conclusão do IC6, a requalificação de algumas estradas nacionais, o desassoreamento do rio Mondego, o novo bloco do IPO e a nova maternidade de Coimbra, são exemplos daquilo que tem sido o meu empenho na actividade parlamentar.”

Eu ficaria contente se neste ciclo político concretizássemos na região um conjunto de investimentos anunciados e previstos. Mas temos mesmo de os fazer! Isto sem prejuízo de ambicionarmos mais e de continuarmos a lutar por mais soluções para a melhoria da qualidade de vida das pessoas”.

Completarei em breve oito anos como Presidente da Federação de Coimbra do PS. Neste período tivemos os dois melhores resultados da sua história em eleições autárquicas, governando hoje 12 concelhos com vitórias para os executivos e assembleias municipais. Eu próprio fui a votos tendo sempre sido eleito presidente da assembleia municipal de Penacova e contribuindo para a vitória num dos concelhos do distrito de matriz social mais desfavorável ao PS. Nas últimas eleições legislativas tivemos uma maioria de deputados eleitos pelo PS em Coimbra (elegemos cinco em nove), tendo tido o segundo melhor resultado do país e uma percentagem de três pontos acima da média nacional. Também neste período, e durante o último governo do PS, foi possível contribuir para a solução de um conjunto de problemas da região e que já referi. É por isto que o futuro julgará o meu trabalho e sinto-me completamente realizado e feliz. Em breve fecharei este capitulo. Os militantes decidirão, como sempre, de forma livre e democrática, mas gostava de ver à frente da federação alguém com carreira académica, técnica e profissional relevantes e com provas dadas na política. Provas dadas na política não apenas em eleições internas, mas sobretudo em eleições externas. Um militante daqueles que encabeçam listas do PS em eleições externas, e que ganham eleições, provando dessa forma que têm reconhecimento externo.”

Conciliar a vida pessoal e familiar com tanta actividade e compromissos nem sempre é fácil. Tanto mais com um filho pequeno e que faço questão de acompanhar de muito perto. Exijo a mim mesmo um esforço físico para me dividir entre Lisboa e Coimbra, regressando sempre que posso, e os compromissos autárquicos em Penacova, onde tenho muito gosto em ter presença próxima e assídua, os inúmeros compromissos por todo o distrito e, até, pelo país. Vale também a minha mulher que é uma magnífica mãe.”

O meu pai foi sempre militante do partido socialista e, antes, opositor ao regime. Tinha eu três anos quando ele foi eleito presidente de câmara de Penacova e, portanto, a minha ligação ao PS vem desde o berço. Tenho fotografias com três anos na campanha do meu pai.”