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Especialista da UC colabora em estudo europeu sobre polimedicação

6 de Junho 2017 Jornal Campeão: Especialista da UC colabora em estudo europeu sobre polimedicação

João Malva, especialista da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), foi o coordenador da equipa portuguesa que participou num estudo europeu sobre o problema da polimedicação no idoso em Portugal. A investigação envolveu, ainda, cientistas das Faculdades de Farmácia e do consórcio Ageing@Coimbra – Região Europeia de Referência para o Envelhecimento Activo e Saudável.

Os resultados deste estudo não poderiam ser mais claros, “é urgente a criação de um plano para lidar com o problema da polimedicação no idoso em Portugal”, refere a UC. Esta é uma temática recorrente na Saúde em Portugal, que não tem qualquer política para lidar com a polimedicação (polifarmácia – uso de múltiplos medicamentos) desadequada. É, por isso, “urgente a criação e implementação de um Plano Nacional de Revisão da Polimedicação na população mais velha”, conclui o estudo europeu SIMPATHY.

A equipa realizou o levantamento do “estado de arte” do problema e efectuou vários estudos de caso nos países parceiros do projecto, concluindo que, no caso de Portugal, “não há qualquer política para lidar com este problema que já assume dimensões preocupantes e que se irá agravar nos próximos anos, considerando que, em 2060, Portugal será o país da União Europeia com o maior decréscimo de natalidade e maior aumento no número de idosos com doenças crónicas”, alerta João Malva.

Esta “tensão demográfica é” leva a que seja urgente “encontrar soluções”, salienta o especialista da FMUC, adiantando que “caso contrário, o impacto na sociedade e no Sistema Nacional de Saúde será crítico”.

“Não podemos esquecer que as patologias crónicas associadas ao envelhecimento são múltiplas, potenciando a polifarmácia e aumentando o risco para os idosos. Além disso, acarretam elevados custos económicos e sofrimento às famílias”, sublinha.

O investigador nota que “cerca de 40 por cento das pessoas que toma cinco ou mais medicamentos, não o faz de forma apropriada, e cerca de 50 por cento das hospitalizações que acontecem devido a medicação excessiva seriam evitáveis se existisse um plano de revisão da polifarmácia”.

O especialista dá como exemplo nesta matéria países como o Reino Unido, em especial a Escócia e a Irlanda do Norte, e também a Suécia.

Deste estudo resultou, também, um ‘Manual de Diagnóstico da Situação de Polimedicação no Idoso na Europa’, onde são indicadas seis grandes recomendações para implementação de Programas de Revisão da Polifarmácia em todos os Estados-Membros da UE, entre as quais, o uso de abordagens multidisciplinares nos Sistemas Nacionais de Saúde, encarando o problema de forma holística; a promoção de uma cultura que valorize a segurança e a qualidade na prescrição de medicamentos; e a recolha de dados nacionais que auxiliem a tomada de decisão política.

O Manual, dirigido aos profissionais de saúde, especialmente médicos, enfermeiros e farmacêuticos, e aos decisores políticos, tem o editorial assinado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), reconhecendo a importância deste trabalho, e está disponível gratuitamente na Página Web do projeto: SIMPATHY.

A investigação decorreu ao longo dos últimos dois anos, por uma equipa multidisciplinar de 10 instituições da Alemanha, Espanha, Grécia, Itália, Polónia, Portugal, Reino Unido e Suécia. O SIMPATHY (Stimulating Innovation Management of Polypharmacy and Adherence in The Elderly) foi coordenado pelo Governo da Escócia e obteve um financiamento de um milhão de euros da União Europeia (UE) através do 3.º Programa Europeu de Saúde.

O estudo, que contou, ainda, com a colaboração da Universidade de Lisboa (UL), teve como objectivo estudar o impacto da polimedicação e da adesão à terapêutica na saúde da população mais idosa.