Coimbra  20 de Junho de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Equipa de Xavier Viegas fez relatório sofre fogos de Outubro de 2017

28 de Fevereiro 2019

O Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Universidade de Coimbra considera duvidoso que a existência de mais meios operacionais, incluindo meios aéreos, “pudesse ter feito grande diferença” no combate aos incêndios de 15 de Outubro de 2017.

“É duvidoso que a existência de mais recursos operacionais, incluindo meios aéreos, pudesse ter feito uma grande diferença, perante o número e violência dos incêndios ocorridos”, refere o relatório “Análise dos Incêndios Florestais ocorridos a 15 de Outubro de 2017”, hoje tornado público pelo Ministério da Administração Interna (MAI).

No entanto, o documento feito pelo Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Universidade de Coimbra, sob coordenação de Domingos Xavier Viegas, sustenta que a definição rígida de períodos de risco de incêndio baseadas em datas do calendário, como acontecia em Outubro de 2017, sem tomar em conta as alterações sazonais da meteorologia, e “uma preocupação com a contenção de despesas terão levado a reduzir o dispositivo operacional, sem prestar a devida atenção ao risco extremo de incêndio que estava previsto”.

“Esta falta de recursos ter-se-á sentido sobretudo na ausência de uma vigilância mais reforçada, que reduzisse o número de ignições, pelo menos no dia 15, que deram origem ao registo de 517 ocorrências”, sustenta.

O documento encomendado pelo Governo indica que mais meios podiam ter feito “alguma diferença se tivessem contribuído para reduzir o número de ocorrências e conseguido extinguir a maioria dos incêndios na sua fase inicial”.

Mas, avança o relatório, as condições de vento que existiram – induzidas pela passagem do furacão Ophelia – quando os incêndios se encontravam desenvolvidos, “era virtualmente impossível enfrentar o fogo em segurança”.

Segundo o Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Universidade de Coimbra, “a própria tarefa de defender pessoas e bens foi limitada pela dificuldade de gerir os recursos e de os colocar onde fossem requeridos pela inviabilidade de muitos percursos”.

Sobre os recursos de combate disponíveis em Outubro de 2017, o documento indica que a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) pediu um ao MAI, a 27 de Setembro e 09 de Outubro, um reforço de meios terrestre e aéreos, que se veio a concretizar embora “em número inferior ao solicitado”, tendo sido recusado nomeadamente o reforço de quatro aviões anfíbios médio.

A equipa do investigador Xavier Viegas considerou igualmente apropriado que a ANPC tenha colocado todos os distritos em nível de alerta máximo perante as previsões adversas do Instituto Português do Mar e da Atmosfera para o dia 15 de Outubro.

No capítulo dedicado às recomendações, o relatório adianta que, actualmente, “não se assiste a uma época bem definida de incêndios florestais pelo que os meios em prontidão devem ser ajustados em função das condições de risco de incêndio e não em função do calendário”.

“Em consonância, o pré-posicionamento dos meios de combate em locais estratégicos deve considerar a distribuição territorial prevista do risco de incêndio, permitindo que qualquer ocorrência seja prontamente combatida e que, na eventualidade do desenvolvimento de um incêndio com maiores dimensões, as equipas de reforço ao combate possam chegar ao teatro de operações da forma mais rápida”, indica ainda.

 

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