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Equipa de Xavier Viegas apresenta estudo sobre uso de pirotecnia

27 de Maio 2019

Uma equipa de investigadores da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), coordenada por Xavier Viegas, apresenta, na próxima quarta-feira (29), um estudo sobre o uso de artigos pirotécnicos em dias de risco de incêndio.

A apresentação dos resultados deste estudo irá ter lugar no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa, a partir das 10h00.

A investigação teve como objectivos “efectuar o levantamento de dados estatísticos sobre a ocorrência de incêndios florestais causados por artefactos de pirotecnia; a caracterização do risco de incêndio florestal, em função das condições meteorológicas, do coberto vegetal e da topografia; a caracterização dos principais artefactos de pirotecnia e modos de lançamento; e apresentação de recomendações sobre cuidados ou limitações no emprego de artigos pirotécnicos em cenários de risco de incêndio”, revela a UC.

No âmbito do estudo foram realizados ensaios sobre a dispersão e queda de possíveis resíduos do lançamento de diferentes artigos de pirotecnia e a temperatura desses resíduos ao atingir o solo, e a possibilidade de ignição de biomassa no coberto do solo, adianta a instituição.

Nesse sentido, a apresentação e discussão dos resultados deste estudo “revestem-se de particular interesse para os profissionais do sector e para as entidades envolvidas no licenciamento de espectáculos de pirotecnia, durante o período crítico”, afirma José Carlos Góis, docente e investigador da FCTUC que participou no estudo.

“Importa dar a conhecer as diferentes tipologias de artigos de pirotecnia e em que condições é seguro ou não o seu emprego e não decidir apenas com base nas condições climatéricas. Em caso de maior risco, importa definir as condições mínimas que garantam a mitigação do risco e salvaguardem a segurança de pessoas e bens”, sublinha o investigador, acrescentando que “existem diferentes categorias de artigos de pirotecnia de venda livre, certificados por organismos notificados que podem ser utilizados de forma segura, de acordo com as regras definidas na rotulagem que acompanham o artigo”.

O também presidente da Associação Portuguesa de Estudos e Engenharia de Explosivos (AP3E) nota que nota que apesar de a legislação em vigor se aplicar de forma igual em todas as regiões do país, “não existem critérios uniformes e fundamentados para muitas decisões de proibição. Tal situação tem conduzido, de forma indiscriminada, à não aprovação ou cancelamento de espectáculos de pirotecnia em eventos culturais ou religiosos onde o fogo-de-artifício é uma tradição, que atrai a população e marca os pontos altos das festividades”.

O especialista refere, ainda, que “durante o período crítico e mesmo com risco máximo de incêndio existem locais com condições para o lançamento de alguns tipos de artigos de pirotecnia, sem risco de incêndio, podendo, contudo, ser adoptadas algumas medidas de segurança (exemplo desses locais: praias, rios, lagos, zonas urbanas ou até rurais sem qualquer vegetação próxima da zona de lançamento)”.

José Carlos Góis relembra, contudo, que “no período crítico os foguetes estão proibidos”.

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