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Equipa da UC descobre proteínas que afectam a murchidão dos pinheiros

16 de Janeiro 2017 Jornal Campeão: Equipa da UC descobre proteínas que afectam a murchidão dos pinheiros

(Na foto, da esquerda para a direita: Isabel Abrantes, Joana Cardoso, Sandra Anjo, Luís Fonseca, Bruno Manadas e Conceição Egas).

Um estudo de três anos, levado as cabo por uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC), revelou a descoberta de novas proteínas envolvidas na patogenicidade do nemátode da madeira do pinheiro, importante para a compreensão da doença da murchidão.

Os investigadores estudaram duas espécies de nemátodes muito próximas: a “B. xylophilus”, causadora da doença, e a “B. mucronatus”, uma espécie com características morfológicas e ecológicas semelhantes às de “B. xylophilus” mas que não é patogénica.

Reproduzindo em laboratório as condições do ambiente natural, a equipa quantificou e comparou as proteínas (enzimas) produzidas naturalmente pelas duas espécies de nemátodes e libertadas para o meio envolvente, tendo descoberto que “a espécie ‘B. xylophilus’ liberta uma quantidade muito maior de determinadas proteínas em comparação com ‘B. mucronatus’, podendo ser esta a causa para a sua patogenicidade, ou seja, o aumento da secreção destas proteínas é responsável pela destruição das células do pinheiro e consequente morte da árvore”, explica Joana Cardoso, coordenadora da investigação.

“Das 422 proteínas quantificáveis nas duas espécies, 158 são libertadas em muito maior quantidade pela espécie ‘B. xylophilus’ e que muito provavelmente estão relacionadas com a sua patogenicidade”, esclarece a investigadora, acrescentando que esta nova informação, “além de contribuir para desvendar os mecanismos envolvidos na doença da murchidão do pinheiro, será de grande utilidade para o desenvolvimento de novas estratégias de controlo do nemátode da madeira do pinheiro que constitui uma ameaça à economia europeia”.

E, por isso, mais um passo importante para a compreensão da doença da murchidão do pinheiro.

Os investigadores vão, agora, caracterizar e estudar a função destas 158 proteínas que são libertadas em maior quantidade, seleccionar as mais relevantes e estudar formas de as silenciar, isto é, de bloquear a sua função.

O estudo foi já publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature, e resulta de uma colaboração entre investigadores do Laboratório de Nematologia do Centro de Ecologia Funcional e da Unidade de Genómica e do Laboratório de Espectrometria de Massa Aplicado às Ciências da Vida do Centro de Neurociências e Biologia Celular da UC.

 

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