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Equipa da UC cria novo método para estudar interacções entre espécies

11 de Janeiro 2018

Compreender como as interacções entre as espécies se organizam espacialmente, em ecossistemas complexos, constituídos por múltiplos habitats, é agora mais fácil devido a um método inovador desenvolvido por investigadores do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

A inovação surgiu no âmbito de um estudo resultante da colaboração com o Parque Nacional da Gorongosa, em Moçambique, e a Fundação norte-americana Greg Carr, tendo já sido publicado na revista Nature Communications.

“Ao longo de um ano, os investigadores reconstruiram a complexa rede de dispersão de sementes através da qual os animais da Gorongosa, como elefantes, babuínos, impalas ou aves, entre muitos outros, transportam sementes de plantas entre os principais habitats do parque”, refere a UC.

Até agora, os métodos que existiam para estudar este tipo de interacções eram “demasiado simplificadores, já que obrigavam ao estudo isolado de cada habitat ou ao estudo global, independente da estrutura espacial mais fina”, explica Sérgio Timóteo, um dos investigadores do projecto, adiantando que o novo método desenvolvido “demonstra como através de uma abordagem de redes complexas (‘multilayer networks’), ambas as escalas podem ser consideradas em simultâneo, e revela uma surpreendente dinâmica de interacções entre os vários habitats, que em última análise é responsável pela manutenção da vida nas paisagens das planícies aluviais do Grande Vale do Rift”.

No estudo, é mostrado como as comunidades de animais dispersores de sementes se encontram distribuídas pelos diferentes habitats da Gorongosa, e qual o papel dos diferentes animais neste processo.

A investigação permite, assim, “tratar cada habitat como uma camada de uma complexa rede de interacções constituída por múltiplas camadas, cuja ligação é feita pelas espécies que partilham, e explicitamente incorporada na análise. Desta forma, é possível ter em conta o modo como os processos que decorrem em habitats contíguos se influenciam entre si”, sublinha o investigador.

Os resultados revelaram a existência de várias comunidades funcionais de dispersores e de plantas dispersadas que se estendem para além das fronteiras dos habitats individuais.

“A forma como estas comunidades se estendem pelos habitats da Gorongosa é fortemente influenciada pela intensidade de movimento das espécies, o que não seria, no entanto, possível de detetar com o recurso aos métodos até ao momento aplicados”, realça.

As conclusões da investigação apontam um novo caminho para um melhor entendimento de diversos processos ecológicos a um nível global, podendo este método ser aplicado em áreas geográficas distintas e em outros sistemas como polinização ou redes alimentares.

Além disso, afirma Sérgio Timóteo, “é de grande relevância na perspectiva da conservação e recuperação dos ecossistemas, pois o papel das diferentes espécies é agora melhor captado, ajudando assim a delinear melhores estratégias de conservação. Para que este tipo de trabalhos seja efectivo é da maior importância entender qual o papel que cada espécie desempenha no ecossistema, e de que modo interage com as restantes espécies”.

Sérgio Timóteo

Sérgio Timóteo – Universidade de Coimbra

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