Coimbra  16 de Junho de 2021 | Director: Lino Vinhal

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Enfermeiros alertam para “cenário catastrófico” no Hospital dos Covões

20 de Janeiro 2021 Jornal Campeão: Enfermeiros alertam para “cenário catastrófico” no Hospital dos Covões

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros diz que se deparou com um “cenário catastrófico” na visita efectuada à Urgência do Hospital dos Covões, em Coimbra, e verificou uma situação de “completa ruptura”.

Na sequência do agravamento da situação pandémica de covid-19, com impacto crítico nos serviços hospitalares, a SRCentro levou a cabo uma visita à Urgência dos Covões (Hospital Geral – CHUC), tendo verificado que este serviço se encontra em “completa ruptura”, segundo anuncia, hoje, aquela estrutura profissional.

Ricardo Correia de Matos, presidente do Conselho Directivo Regional da SRCentro, e Pedro Lopes, presidente do Conselho de Enfermagem Regional, referem que se depararam com “um cenário catastrófico, em que os enfermeiros não conseguem garantir a segurança, vigilância e a qualidade mínima que é exigida aos cuidados prestados à população”.

“Já foram abertos todos os espaços disponíveis, incluindo a sala de acompanhamento. Atingiu-se o limite ao nível da estrutura física: vêem-se doentes admitidos sem estarem garantidas as distâncias de segurança, enquanto outros esperam por uma vaga dentro das ambulâncias” – garante Ricardo Correia de Matos.

Durante a visita ficou claro que é “completamente impossível separar doentes positivos para a covid-19 dos doentes suspeitos que aguardam o resultado do teste”. “Esta situação é absolutamente inadmissível porque promove a criação de cadeias de transmissão”, explica o presidente da SRCentro.

“Para agravar este caos, não existem assistentes operacionais que garantam uma eficaz higienização dos espaços comuns, nem motoristas suficientes para procederam ao transporte inter-hospitalar, à remoção de cadáveres ou ao transporte de medicamentos. Além disso, segundo os testemunhos relatados pela equipa de enfermagem das Urgências do Hospital dos Covões à SRCentro, a partilha de informação com familiares não está assegurada, motivo pelo qual alguns profissionais de saúde terão já recebido ameaças de agressão” – descreve a Secção Regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros.

“Sabemos que há enfermeiros com apenas duas folgas no mês de Janeiro. À data, a equipa de enfermagem totaliza cerca de 3 500 horas extraordinárias, o que corresponde a um défice de mais de 28 enfermeiros. A situação é insustentável!” – sublinha o responsável da SRCentro.

No Hospital dos Covões a necessidade mais urgente é o investimento em “recursos humanos (enfermeiros, técnicos de limpeza e motoristas), equipamentos e material, especificamente, oxigénio!”.

“O reforço das equipas de enfermagem, que sempre estiveram deficitárias, não só neste serviço, mas em todas as unidades hospitalares do país, não foi acautelado pelas instituições políticas, mantendo o país no segundo lugar com o pior rácio enfermeiro/utente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE)”, sustenta a SRCentro.

Ricardo Correia de Matos diz não compreender como, “em plena pandemia, entre os meses de Julho e Dezembro 2020, o Governo deixou emigrar mais de 1 000 enfermeiros, negando aplicar medidas similares aos parceiros europeus, quando alteraram os padrões remuneratórios e procederam à contratação de todos os profissionais disponíveis, inclusive, enfermeiros portugueses”.