Coimbra  12 de Abril de 2024 | Director: Lino Vinhal

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Do Metro Mondego à Vuelta: Luís Antunes faz da Lousã um bom sítio para viver

17 de Março 2024 Jornal Campeão: Do Metro Mondego à Vuelta: Luís Antunes faz da Lousã um bom sítio para viver

Luís Antunes lidera a Câmara Municipal da Lousã desde 2011. Além do seu papel como autarca, tem contribuído activamente para várias organizações e iniciativas regionais e nacionais, desempenhando funções importantes na Direcção da Dueceira, na Mesa da Assembleia Geral da Metro Mondego S.A e na presidência da Empresa Intermunicipal de Ambiente do Pinhal Interior. Uma das maiores batalhas políticas de Luís Antunes tem sido a implementação do Metro Mondego, luta que está a vencer e que agora já é considerada uma realidade.

 

Campeão das Províncias [CP]: A Lousã nos últimos anos tem conseguido crescer e reforçar o orgulho na sua comunidade?

Luís Antunes [LA]: Eu sou presidente de Câmara e é uma honra poder contribuir através destas funções para o desenvolvimento do concelho. A Lousã tem tido, nestes anos, como um um dos objectivos reforçar a identidade e o orgulho das pessoas em serem lousanenses. Há uma dimensão da actividade e do desenvolvimento do concelho, que é a parte económica e a dimensão empresarial, que me parece assinalável porque, de facto, um concelho como a Lousã inserido no âmbito territorial onde está, tem apresentado muito bons resultados. E, portanto, é um dado que nos apraz registar e que reflecte a dinâmica e a qualidade existente na comunidade e reflecte a capacidade empreendedora dos lousanenses.

 

[CP]: Lousã sofreu com o fecho do ramal ferroviário?

[LA]: Foi um golpe duro na esperança dos lousanenses, que afectou a dinâmica e as perspectivas de desenvolvimento do concelho e da região e obrigou a um esforço acrescido para que, na Lousã, continuássemos a crescer, como apesar de tudo se verificou. Foi um revés de grandes proporções e tem sido um processo complicado, que tem exigido toda a atenção e dedicação para ser superado. Empenhámo-nos em proporcionar à população um serviço de transporte. Este tem sido um objectivo prioritário para nós, em que temos investido muito esforço mas que hoje é uma realidade irreversível. O MetroBus é um projecto qualificador da região que vai oferecer um serviço de qualidade, moderno e ambientalmente responsável, que irá beneficiar a população e contribuir para o desenvolvimento da região.

 

[CP]: Com o Metro a começar a ser uma realidade já nota na Lousã mais procura para investimentos?

[LA]: Já começamos a sentir a pressão da procura de habitação excedendo a oferta na Lousã. Estamos a observar um crescimento nas operações urbanísticas. A Lousã tem condições para crescer em habitação, dentro das regras definidas e nas áreas identificadas. Além disso, estamos a trabalhar no âmbito da CIM-RC, melhorar as infra-estruturas rodoviárias, incluindo uma alternativa à Estrada da Beira e a ligação ao IP3 que confiram maior atratividade e competitividade.

 

[CP]: A requalificação da escola Secundária é uma grande vitória?

[LA]: É um objectivo que tínhamos há já alguns anos. No entanto, a sua concretização não foi tão rápida como desejávamos. Neste momento, a Escola Secundária terá uma intervenção substancial. A empreitada que agora lançámos permitirá uma intervenção mais substancial e completa do que tínhamos previsto anteriormente. O investimento total será de 8,5 milhões de euros, qualificando e criando as condições adequadas para o presente e o futuro em termos de ambiente de ensino mais confortável e estimulante para toda a comunidade educativa, especialmente para os alunos.

 

[CP]: A Lousã é um bom sitio para viver?

[LA]: Não apenas para viver. Para trabalhar, investir ou apenas desfrutar. É sempre uma experiência muito gratificante em qualquer uma destas dimensões. Queremos continuar a melhorar as infra-estruturas para além do ensino secundário, mantendo uma das nossas principais prioridades de desenvolvimento, que é o investimento na educação, iremos lançar, em breve, um concurso para a requalificação da EB2 da Lousã, num projecto que envolverá cerca de 5 milhões de euros, também no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Temos também uma candidatura para a construção de um segundo edifício na área da saúde, visando melhorar as condições dos serviços de saúde já existentes e expandir a resposta nessa área. Acredito que seria benéfico para todos, essencialmente para o país, que houvesse uma maior estabilidade e continuidade nas políticas públicas. Maior firmeza e constância é importante, pois a instabilidade acaba sempre por ter impacto negativo.

 

[CP]: A Dueceira, associação que preside, está a celebrar 30 anos.

[LA]: Sim, neste momento tenho também a honra de presidir a essa associação. É uma associação que ao longo dos últimos 30 anos tem tido um desempenho que consideramos bastante importante e que não se reflecte apenas no concelho da Lousã. Portanto, abrange quatro municípios do Ceira e Dueça, Penela e Miranda do Corvo, além de Lousã e Vila Nova de Poiares. São 30 anos de história, uma história importante na perspectiva de contribuir para o desenvolvimento desses quatro territórios. É uma associação de desenvolvimento local muito ligada ao desenvolvimento rural em termos de fundos comunitários. A Dueceira tem participado activamente, nomeadamente no que diz respeito ao desenvolvimento rural e aos programas existentes neste âmbito. Mas também tem tido uma participação neste novo ciclo que se está a iniciar com o Portugal 2030. Essa participação será mais reduzida devido às regras e ao desenho criado para a implementação dos fundos em Portugal. No entanto, é importante salientar que são 30 anos de uma actividade relevante em várias áreas, nomeadamente no que diz respeito à floresta e protecção civil, através do seu parque de máquinas, com o intuito de criar medidas preventivas, melhorar os caminhos e apoiar as operações logísticas durante as épocas críticas. Neste momento juntaram-se mais dois municípios à Dueceira, no âmbito do projecto 6 em rede: Penacova e Pampilhosa da Serra.

O projecto “6 em Rede” Rede Intermunicipal de Apoio à Vítima de Violência Doméstica tem duas componentes: o GAV – Gabinete de Apoio à Vítima e as RAP – Respostas de Apoio Psicológico a Crianças e Jovens Vítimas de Violência Doméstica.

 

[CP]: Em termos de água e saneamento a APIN tem funcionado?

[LA]: Tem, mas sabíamos desde sempre que seria desafiante. A criação da empresa pública foi complexa e o projecto enfrentou dificuldades adicionais com a pandemia, o aumento de custos e questões sociais e políticas. Apesar disso, é um projecto que está a funcionar e que era necessário para a região. É uma empresa ainda em desenvolvimento. A região enfrenta desafios únicos, como o alto custo de fornecer serviços básicos em zonas remotas. Continuo a pensar que teria sido mais benéfico se tivéssemos estabelecido a agregação com a Águas de Coimbra porque já era uma empresa com trabalho reconhecido na área e que permitiria mais ganhos de escala.

 

[CP]: Como é que conseguiu trazer a Vuelta (Volta a Espanha em bicicleta) para a Lousã?

[LA]: Foi um conjunto de circunstâncias. É um conjunto de redes de trabalho onde nos temos inserido e que permitiu ao concelho e à região conquistar o evento. Deixe-me só dizer que o investimento e aquilo que acordámos com a organização da Vuelta é inferior ao valor que é necessário para situação similar da Volta a Portugal. E, portanto, entendemos que é um investimento muito, muito bom, até do ponto de vista financeiro. Vai seguramente chamar muitas pessoas à região. Só a caravana da organização são mais de 3.000 pessoas. Irá certamente projectar a Lousã para todo o Mundo e ajudar a concretizar o objectivo de crescimento sustentado do turismo no Concelho.

 

[CP]: Este ano assinalam-se os 50 anos do 25 de Abril. A Lousã também vai celebrar?

[LA]: Sim, claro. Não é um programa completamente fechado, mas entendemos que é um programa que vai afirmar aquilo que foram e são as conquistas de Abril e afirmar a importância da democracia e da vida em liberdade, num sistema democrático. Temos um programa diversificado, mas uma das prioridades deste é, claramente, trabalhar com as camadas mais jovens, dando-lhes o conhecimento daquilo que era o país antes da revolução e o que se tornou depois do 25 Abril. Queremos também dar expressão a uma das principais conquistadas de Abril, o Poder Local Democrático, e por isso a Comissão de Honra é constituída por todos aqueles que ainda estão vivos e que foram presidentes de Junta de Freguesia, presidentes da Assembleia Municipal e presidentes da Câmara.

 

[CP]: Está a terminar o último mandato autárquico permitido. Lousã vai continuar a contar consigo?

[LA]: Em termos políticos, sempre tive o objectivo de contribuir para o desenvolvimento da minha terra, a Lousã. Este é um compromisso que pretendo manter, independentemente do que o futuro possa trazer. Continuarei a trabalhar para concretizar projectos importantes, como a conclusão do Metro, investimentos na área da educação e saúde, a requalificação do Cineteatro e da Casa da Lagartixa / Museu Carlos Reis, ou seja, projectos que trarão benefícios claros à comunidade. Serei sempre um lousanense interessado e orgulhoso da sua terra.

Entrevista: Lino Vinhal/ Joana Alvim

Publicada na edição do “Campeão” em papel de quinta-feira, dia 14 de Março de 2024