Coimbra  23 de Julho de 2024 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Dispositivo de combate a incêndios entra hoje na capacidade máxima

1 de Julho 2024 Jornal Campeão: Dispositivo de combate a incêndios entra hoje na capacidade máxima

O dispositivo de combate a incêndios rurais é hoje reforçado para entrar na sua capacidade máxima, passando a estar em prontidão 14.155 operacionais, 3.162 equipas e 3.174 viaturas com os meios aéreos a poderem chegar aos 72.

A Directiva Operacional Nacional (DON), que estabelece o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) para este ano, indica que os meios são reforçados hoje pela terceira vez este ano com a entrada em vigor do denominado ‘reforçado – nível Delta’, que se prolonga até 30 de Setembro.

Nos próximos três meses vão estar operacionais 14.155 efectivos, 3.162 equipas e 3.174 veículos, números que podem aumentar em caso de necessidade, uma vez que o DECIR deste ano prevê a mobilização de meios adicionais para responder a situações mais graves.

Nesta situação, o número de elementos em combate pode ultrapassar os 20.000, um reforço que é feito sobretudo com os bombeiros voluntários.

O DECIR deste ano prevê para este período, que é considerado o mais crítico, 70 meios aéreos, que podem chegar aos 72 com a contratação de dois aviões pesados ‘canadair’, estando o processo de contrato ainda a decorrer.

Do total dos operacionais envolvidos, o maior número pertence aos bombeiros (8.061), dos quais 3.794 são das Equipas de Intervenção Permanente, seguido do ICNF (2.430), da GNR (1.946) e da Força Especial de Protecção Civil (216), segundo a DON.

O dispositivo de combate para este ano aumentou ligeiramente em relação a 2023, à excepção dos meios aéreos, cujo número é idêntico, estando no combate aos fogos mais 261 operacionais, mais 78 equipas e mais 183 viaturas.

Dados provisórios do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) indicam que desde o início do ano deflagraram 1.796 incêndios rurais, que consumiram cerca de 2.918 hectares, 56% dos quais referente a matos, 19% a povoamentos florestais e 25% a terrenos agrícolas.

No mesmo período de 2023, tinham já ocorrido quase 4.000 incêndios e ardido cerca de 8.800 hectares.

Zero considera haver medidas a “marcar passo”

Para a associação Zero a diminuição de incêndios em 2023, em relação aos dois anos anteriores, pode transmitir “uma falsa sensação” de mudança nos comportamentos, afirmando que há medidas “a marcar passo” e desvalorização do fogo posto.

No dia que marca o início da fase mais crítica de incêndios (‘nível Delta’), que se estende até 30 de Setembro, a Zero faz uma avaliação ao relatório anual de actividades do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR), relativo ao último ano, que contabilizou menos 2.866 fogos e menos 75.588 hectares (ha) ardidos do que em 2022.

“Estes números muito positivos podem transmitir-nos uma falsa sensação de que está a acontecer uma modificação dos comportamentos face ao fogo e que a desejável mudança estrutural nas políticas públicas com impacto nos territórios está a ocorrer com a celeridade necessária”, observa a Zero.

Para a associação ambientalista, ainda existem “muitas medidas” importantes que estão a “marcar passo”, alertando que “os fogos rurais são um problema social que continua longe de estar resolvido”.

“Parece continuar a existir uma certa desvalorização do papel do incendiarismo na perpetuação do flagelo dos fogos, apesar de este constituir um crime previsto no código pena (…), o qual prevê penas de prisão até oito anos, que se forem de especial gravidade poderão chegar aos 12 anos”, realçou, indicando que nos últimos três anos o fogo posto representou 19% dos incêndios contabilizados.