Coimbra  26 de Janeiro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Dique do leito periférico do Mondego acabou por colapsar

22 de Dezembro 2019

Embora as descargas no Açude-Ponte tenham descido, o caudal principal do Mondego voltou a subir durante a madrugada e a manhã de hoje, pelo que a pressão da água continua a ameaçar as populações na margem direita, em Montemor, tendo um dos diques que estava mais fragilizado já colapsado, como confirmam as autoridades.

O dique, que fica perto da localidade de Casal Novo do Rio, em Montemor-o-Velho, oposto àquele onde hoje foi identificado um aluimento de terras, esteve durante grande parte da tarde e início de noite a ser reforçado pela Protecção Civil com pedras, telas e sacos de areia, contudo, acabou por colapsar esta noite.

“O que estamos a fazer é criar um mecanismo de defesa na margem oposta [àquela onde foi identificado o deslizamento de terras], criar ali um mecanismo de defesa, de resistência, através de pedra, através de tela e de `bigbags´ [sacos] de areia, que já estão no terreno, já estamos a começar a por alguns”, disse Carlos Tavares, comandante operacional distrital (CODIS) de Coimbra.

A intervenção pretendia defender a margem direita do leito periférico do rio que, verificando-se uma ruptura, a exemplo do sucedido nas cheias de 2001, poderá levar a água a invadir a vila de Montemor-o-Velho e a povoação da Ereira, a jusante daquela.

O responsável afirmou, ao final da tarde, que existiu um aluimento do talude da margem esquerda do leito periférico direito do rio Mondego, que está a “preocupar as autoridades”.

Confirmando-se a ruptura do segundo dique, Emílio Torrão, presidente da Câmara de Montemor, revelou que a situação está a ser “monitorizada” e “mais ou menos calma”.

O CODIS de Coimbra aludiu, ainda, a “outra escorrência”, a jusante de Montemor-o-Velho, referindo, no entanto, que esta “não é tão preocupante”.

Ambas as situações estarão a ocorrer por pressão da água que saiu do leito principal do rio e se espalhou pelo vale central de terrenos agrícolas, estando a pressionar a margem esquerda do leito periférico direito que corre mais perto da sede de concelho.

“O único problema é que aquelas águas que estão retidas nos campos agrícolas podem romper [o dique] e passar para o periférico direito que vai conduzi-las novamente ao leito [principal] do rio. Mas se fragilizar a margem direita, podemos ter problemas em Montemor, tal como previmos, e na Ereira”, frisou o responsável operacional.

A zona onde foi detectado o aluimento de terras situa-se algumas centenas de metros a jusante da povoação de Casal Novo do Rio – cuja parte baixa fica situada em frente ao talude direito do leito periférico – não é acessível por meios terrestres e terá uma profundidade de cerca de 10 metros.

A Câmara Municipal de Montemor-o-Velho emitiu, ao final da tarde de hoje, um aviso de evacuação da zona baixa da localidade, por perigo de “ruptura iminente” do dique, o que poderá já ter acontecido, mas ainda sem confirmação oficial.

No vale central do Mondego, a água que está a entrar na abertura do dique que colapsou ontem (21), junto a Formoselha, está a canalizar 400 a 500 metros cúbicos por segundo (m3/s) para a zona agrícola, que agora pressiona este leito periférico direito.

Ainda de acordo com Carlos Tavares, o dispositivo operacional presente no município de Montemor-o-Velho cifra-se em cerca de uma centena de operacionais, entre os quais bombeiros locais e de um grupo de reforço do distrito de Leiria, uma equipa dos Fuzileiros da Marinha, Força Especial de Bombeiros e funcionários camarários e da Protecção Civil Municipal.

Situação mais pacífica em Coimbra

Depois de uma noite de sobressalto, nas várias localidades evacuadas junto ao rio Mondego, a Câmara Municipal de Coimbra deu ordem de regresso dos cidadãos às suas habitações ao início da tarde de hoje.

As populações do eixo Bencanta – Ameal puderam, assim, regressar a casa, devido à “diminuição do risco de cheias e inundações”, adiantando que “o caudal do rio Mondego mantém-se elevado, tendo reduzido ligeiramente durante a madrugada, apresentando-se actualmente com cerca de 1700 m3/s no Açude-Ponte, pelo que a população deve manter-se em estado de permanente alerta, colaborando e respeitando todas as indicações e a sinalização das autoridades”.

Montemor alerta a população das zonas baixas, particularmente quem reside em Montemor-o-Velho, Casal Novo do Rio e Ereira, para que tomem medidas de prevenção e auto-protecção devido ao risco elevado de cheia.

“Aconselhamos que acautele os seus bens e os seus animais, se proteja e recolha uma muda de roupa, medicação e documentos de identificação para a eventual necessidade de, em caso de emergência, evacuação das zonas sensíveis”, nota.

* Mantenha-se calmo, vigilante e transmita serenidade aos outros;

* Faça uma lista e recolha os objectos importantes e necessários, nomeadamente documentos de identificação e medicamentos;

* Mude o recheio da casa para os andares superiores colocando os objectos de maior valor nos pontos mais altos;

* Esteja atento às comunicações das autoridades;

* Respeite todas as indicações das autoridades que estão no terreno.

Em caso de necessidade, dirija-se para os locais de segurança:

Montemor – Pavilhão Municipal

Ereira – Associação Cultural Desportiva e Recreativa da Ereira

Em situação de urgência, contacte o 112.

 

Imagens aéreas do Baixo Mondego – Fuzileiros – 22 Dezembro

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