Coimbra  18 de Outubro de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

“Detectives das Emoções” ajuda a combater a ansiedade e depressão em crianças

8 de Outubro 2021 Jornal Campeão: “Detectives das Emoções” ajuda a combater a ansiedade e depressão em crianças

 

Um estudo realizado por uma equipa da Universidade de Coimbra (UC) indica que o programa de intervenção psicológica conhecido como “Detectives das Emoções” é eficaz no combate à ansiedade e depressão em crianças dos seis aos 13 anos.

Este estudo piloto contou ainda com a colaboração do Centro Hospitalar Tondela-Viseu e com Agrupamentos de Escolas de Coimbra, Nelas e Viseu.

Com o nome científico “Protocolo Unificado para o Tratamento Transdiagnóstico das Perturbações Emocionais em Crianças”, este programa de intervenção foi originalmente desenvolvido nos EUA e destina-se a crianças dos seis aos 13 anos que apresentem problemas de ansiedade e/ou depressivos clinicamente significativos e respectivos pais. O objectivo da equipa da UC é estudar e validar o programa para a população portuguesa.

O projecto, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), é conduzido por investigadores do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) e da Unidade de Psicologia Clínica Cognitivo-Comportamental (UPC3), da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC), e tem a colaboração da Universidade de Miami (EUA).

Na prática, o programa – composto por 15 sessões semanais em grupo de 90 minutos para pais e filhos – tem como objectivo ajudar as crianças a desenvolverem estratégias para melhor lidarem com as suas dificuldades e emoções difíceis, permitindo assim que progressivamente se sintam menos ansiosas e/ou deprimidas.

É conhecido por “Detectives das Emoções” porque, ao longo das sessões, as crianças aprendem diferentes estratégias com a ajuda dos “Detectives das Emoções” Sebastião, Nini, Edgar e Ana, que são as personagens do caderno de actividades da criança. Também os pais aprendem estratégias para melhor ajudarem os seus filhos a lidarem com as suas emoções fortes.

Os resultados preliminares do estudo piloto, realizado ao longo do último ano com a participação de mais de 30 crianças e pais, mostram uma “elevada satisfação das crianças e pais com a intervenção, um forte envolvimento destes nas sessões e com melhorias significativas ao nível dos sintomas de ansiedade e depressão das crianças” conforme explica Brígida Caiado, doutoranda na UC, sob coordenação das docentes Helena Moreira e Maria Cristina Canavarro.

Observou-se, detalha, “uma redução de processos psicológicos inerentes à psicopatologia (por exemplo, evitamento; dificuldades na expressão emocional; intolerância às emoções negativas; sensibilidade à ansiedade; afecto negativo e erros cognitivos) e uma promoção de processos psicológicos subjacentes à saúde mental (mindfulness [atenção plena], flexibilidade cognitiva, etc.). Os pais também consideram ter aprendido estratégias úteis para lidar com as dificuldades dos seus filhos, considerando a intervenção uma mais-valia para os seus filhos e para si mesmos”.

Agora, a equipa está a levar a cabo um estudo mais alargado que pretende avaliar a eficácia desta intervenção através da comparação com um outro programa de intervenção psicoeducacional para a ansiedade/depressão (ABC das Emoções). “Só através da comparação destes dois grupos, é possível avaliar a eficácia efectiva do programa “Detetives das Emoções: Protocolo Unificado para Crianças””, conclui Brígida Caiado.

Nesse sentido, encontram-se abertas as inscrições para fazer parte deste novo estudo. Podem participar crianças dos seis aos 13 anos com perturbação emocional, isto é, medos interferentes, perturbação de ansiedade e/ou depressão. As crianças e pais que participarem terão acesso gratuito à intervenção psicológica grupal destinada ao tratamento destas perturbações. Os pais que tenham interesse neste projecto deverão preencher o formulário disponível em https://bit.ly/detetivesemocoes e serão posteriormente contactados pela equipa de investigação.