Coimbra  16 de Julho de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Cuidados continuados: Médico diz que RNCCI está a dar respostas sociais

1 de Março 2018

Um médico advertiu, ontem, em Coimbra, que a taxa de ocupação das unidades de longa duração de cuidados continuados atingiu uma dimensão desvirtuadora dos princípios da Rede Nacional (RNCCI).

Segundo José Silva, citado pela Agência Lusa, os médicos são, hoje em dia, “confrontados com o internamento e institucionalização abusiva nas unidades de longa duração, de custos elevados, resultados questionáveis e, por vezes, de uma violência psicológica inaceitável”.

“A taxa de ocupação de unidades de longa duração por casos unicamente sociais atinge uma dimensão que desvirtua os princípios da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados”, opinou o clínico, que participou no Encontro “Cuidar em casa”, organizado pela Equipa Coordenadora Regional da RNCCI da ARS/Centro.

Ao intervir no painel “Cuidados de saúde no domicílio – a perspectiva do médico de família”, José Silva vincou que Portugal não é, infelizmente, “um país tão rico, que, de forma perdulária, possa gastar recursos financeiros”.

“Se fossemos mais criteriosos e exigentes, faríamos uma aposta forte e séria nas Equipas de Cuidados Continuados Integrados (ECCI) e, simultaneamente, nas estruturas sociais para idosos que não necessitam de cuidados de saúde mais diferenciados”, advertiu o clínico.

Para ele, manter o rumo actual de crescimento das rendas das unidades de cuidados de longa duração “para dar resposta a casos exclusivamente sociais que não necessitam de cuidados de saúde específicos mais não serve do que colmatar a incapacidade da Segurança Social em encontrar respostas e, simultaneamente, ceder e satisfazer grupos de pressão”.

Segundo José Silva, o caminho de futuro dos cuidados continuados passa por “apostar nas ECCI, trabalhar com as famílias, criar as condições para retardar a institucionalização do dependente e pedir aos técnicos da Segurança Social para estarem no terreno”.

“Acelerar o estatuto do cuidador informal e penalizar o abandono são regras essenciais na procura de soluções sustentáveis”, disse o médico, que também dirige as residências clínicas Montepio (em Coimbra).

 

 

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com