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Crime de Montes Claros: Muitíssimo pouco Ministério Público

13 de Junho 2017 Jornal Campeão: Crime de Montes Claros: Muitíssimo pouco Ministério Público

Com o marido de Ana Saltão pela frente, em quatro horas de inquirição, o Ministério Público (MP) não conseguiu, hoje, um detalhe comprometedor para a arguida do crime de Montes Claros.

Inspectora da PJ, Ana Saltão, colega do marido, está acusada de ter matado, barbaramente, a avó materna de Carlos Coelho, Filomena Gonçalves, uma antiga empresária, com 80 anos de idade à data do assassinato (em Novembro de 2012).

Além da falta do paradeiro da arma usada, da escassa explicitação acerca do móbil do crime e da dificuldade de situar a arguida em Coimbra à provável hora do homicídio, a Polícia Judiciária enfrentou outras dificuldades para habilitar o MP a deduzir uma acusação consistente.

De resto, o magistrado do MP Jorge Leitão começou por expressar estranheza ao ouvir a testemunha dizer que o inspector titular do inquérito, José Cardoso, foi o único membro da Brigada de Homicídios da PJ de Coimbra a faltar, em 2005, ao casamento de Carlos Coelho e Ana Saltão.

Sem esconder, de início, uma relativa perplexidade, o procurador fez notar, depois, com base no depoimento testemunhal, que José Cardoso justificou a falta de comparência.

Em anterior inquirição de testemunhas, José Cardoso admitiu ter sabido pelo marido da arguida (neto da vítima) do desaparecimento de uma pistola na PJ do Porto, arma tida pelo MP como sendo a Glock usada no assassínio de Filomena Gonçalves.

Acontece, por um lado, que a arma do crime nunca foi encontrada e, por outro, que a pistola confiada à inspectora Liliana Vasconcelos estava desaparecida há mais de um mês, sendo que, ainda assim, só no dia a seguir ao do homicídio a Polícia atribuiu importância ao alegado furto.

Carlos Coelho indicou, agora, ter falado a José Cardoso do desaparecimento de uma pistola numa conversa em que pôs em evidência a venda de armas no mercado negro.

Segundo o marido da arguida, tal troca de impressões foi precedida de um desabafo do inspector titular do inquérito, sendo que este terá desconfiado dos pais de Carlos Coelho, cuja mãe, Rosa Maria, é filha da vítima.

Neste contexto, Carlos Coelho admitiu ter tirado cápsulas de projécteis da casa dos pais, mas minimizou o episódio dizendo tratar-se de invólucros que mais não eram do que lembranças da época em que frequentou, em Loures, a Escola de Polícia Judiciária.