Coimbra  20 de Junho de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Crime de Montes Claros: Inspector absolvido

13 de Fevereiro 2019

Um inspector da PJ que estava acusado de falsidade de testemunho – prestado por ocasião da absolvição de Ana Saltão quanto ao crime de Montes Claros – foi ilibado, hoje, pelo Tribunal de Coimbra.

O Ministério Público (MP) imputara a Carlos Coelho o cometimento do alegado crime, em 2017, no âmbito da audiência de julgamento da inspectora Ana Saltão, com o intuito de obstaculizar a descoberta da verdade.

A juíza Paula Moura Leitão absolveu o arguido ao abrigo do princípio “in dubio pro reo”.

Como noticiou, desenvolvidamente, o “Campeão” (vide a edição impressa de 24 de Janeiro [de 2019]), o caso não era linear.

A procuradora-adjunta Constança Guerra requereu, hoje, a extracção de uma certidão atinente às alegações proferidas pelo defensor de Carlos Coelho, o advogado Rui da Silva Leal, a fim de este ser constituído arguido por haver dito que a PJ sabe quem matou a vítima do crime de Montes Claros.

Para o jurista, trata-se de uma iniciativa inscrita em “atitude persecutória” do MP em relação a tudo o que não se coaduna com a perspectiva da entidade titular da acção penal sobre a improcedente acusação deduzida a Ana Saltão.

“Os advogados não se calam e este advogado não tem medo do Ministério Público”, declarou aos jornalistas Rui Leal, que invocou o alcance do artigo 208º. da Constituição da República. Diz aquela norma constitucional que “a lei assegura aos advogados as imunidades necessárias ao exercício do mandato e regula o patrocínio forense como elemento essencial à administração da Justiça”.

Segundo o causídico, o MP, ao pressentir que Carlos Coelho ia ser absolvido, tratou de “perseguir o advogado”.

“Encaro isto como retaliação contra a advocacia”, concluiu Rui Leal.

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com