Coimbra  22 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Criado programa que facilita identificação do sexo dos esqueletos

29 de Julho 2019

Os investigadores Francisco Curate, do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), e João Coelho, da Universidade de Oxford, desenvolveram um programa informático que facilitará o trabalho de antropólogos e arqueólogos no processo de identificação e caracterização do sexo de esqueletos humanos.

Designado como “CADOES: Classificação Automatizada de Dados Osteométricos para Estimar o Sexo”, é um programa que resulta de uma investigação que partiu de um trabalho realizado em 1938 pelo cientista José Antunes Serra.

Com base nesses mesmos dados, Francisco Curate refere que desenvolveram “diferentes algoritmos de classificação que geram modelos osteométricos de elevada precisão, sendo possível analisar 38 variáveis do complexo ósseo pélvico. “Com os dados em bruto fornecidos no trabalho descritivo de 1938, criámos novas abordagens para a estimativa de sexo com base em características morfométricas do complexo ósseo pélvico”, acrescentou o investigador.

A região pélvica é a zona do corpo humano que apresenta maior grau de dimorfismo sexual assumindo grande importância na identificação do sexo.

A principal mais-valia do “CADOES”, que se encontra disponível gratuitamente na Internet, “é a flexibilidade, permitindo efectuar um conjunto alargado de análises de forma rápida. É um sistema amigo do utilizador que pode ser usado por qualquer investigador em qualquer parte do mundo”, salienta Francisco Curate.

“É uma ferramenta credível, que simplifica processos e minimiza o grau de erro. Disponibiliza, ainda, ilustrações que indicam a forma mais adequada de efectuar as medidas dos ossos e caminhos para explorar os dados fornecidos”, acrescenta.

Este programa permite, também, trabalhar com pequenos fragmentos de ossos, o que representa um avanço na identificação de esqueletos, dado que “infelizmente, a pélvis é uma região que se preserva menos bem, que se fragmenta muito”, esclarece o investigador.

Assim, além de facilitar o trabalho da comunidade científica da área, este novo programa informático tem um grande potencial como recurso pedagógico, “podendo ser utilizado em sala de aula para explorar a anatomia da região pélvica, por exemplo em escolas secundárias”, finaliza.

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