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Covões: Quem toma más decisões não pode ficar impune, diz Carlos Cortes

2 de Julho 2020 Jornal Campeão: Covões: Quem toma más decisões não pode ficar impune, diz Carlos Cortes

“Não se pode tomar decisões tão graves, como aquelas que têm sido tomadas em relação ao Hospital dos Covões, desqualificando vários serviços, e ficar-se impune, sem consequências”, considera o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos.

Carlos Cortes é da opinião que se o Conselho de Administração do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) [presidido por Fernando Regateiro] tomou “decisões infundadas e irresponsáveis, tem que ter consequências”, porque “o impacto é sobre a saúde das pessoas”.

O líder da Ordem dos Médicos na Região Centro reagiu assim, ao ser interpelado pelo “Campeão” a propósito de declarações de ontem da ministra da Saúde, em Comissão Parlamentar, com Marta Temido a referir que “não há decisão política” para desmantelar serviços no Hospital dos Covões, nem nenhum plano estratégico para o desenvolvimento do CHUC.

“Essas afirmações são do meu ponto de vista muito graves, porque se se confirmarem significam que o anterior Conselho de Administração – e o actual, porque vários dos seus membros faziam parte do anterior – mentiu”, comenta Carlos Cortes.

Para este responsável médico, “se a decisão que foi tomada não foi uma técnica, não foi fundamentada em critérios técnicos, significa que quem as tomou é irresponsável e que toma decisões que do ponto de vista ético são graves”.

“Estou à espera de saber – e a própria Ordem dos Médicos irá questionar essas declarações da ministra da Saúde – se é verdade que não existe nenhum estudo técnico público, nem não público, o que significa que foi alguém que, de forma inconsciente, tomou uma decisão destas com o impacto que tem sobre os doentes, não só de Coimbra, do distrito, mas de toda a região Centro”, conclui Carlos Cortes.

Conforme noticiámos, a ministra da Saúde, questionada pelo deputado José Manuel Pureza, do Bloco de Esquerda, respondeu: “Sobre se tem o Governo algum estudo técnico para justificar a transferência de serviços do Hospital Geral [dos Covões] para os Hospitais da Universidade de Coimbra, não. Fundamento para a reclassificação da Urgência, não. E estudo que sustente este tipo de opção também não”.

Marta Temido defendeu que se deve “apostar no trabalho da construção de um Centro Hospitalar que seja consistente, sustentável, integrado, e que não privilegie nenhuma das suas instituições originárias por qualquer razão”.