Coimbra  23 de Setembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Covid-19: Área metropolitana de Lisboa sujeita a medidas de confinamento

22 de Junho 2020 Jornal Campeão: Covid-19: Área metropolitana de Lisboa sujeita a medidas de confinamento

O Governo vai aplicar a partir de amanhã (terça-feira) a toda a área metropolitana de Lisboa as principais novas medidas de confinamento obrigatório, designadamente as referentes a estabelecimentos e à imposição de um limite para ajuntamentos.

Em conferência de Imprensa, em São Bento, no final da reunião do Governo com os cinco presidentes dos municípios actualmente mais atingidos pela pandemia de covid-19 (Lisboa, Loures, Odivelas, Sintra e Amadora), o primeiro-ministro, António Costa, frisou que parte das novas medidas agora tomadas pelo seu Executivo “terá um carácter transversal”.

“Algumas das medidas são transversais a toda a área metropolitana. Não podemos ignorar que estamos num espaço onde o grau de mobilidade é muitíssimo grande” – alegou António Costa.

Entre as principais restrições, está o regresso da proibição de ajuntamentos com mais de 10 pessoas, o reforço da fiscalização de centros comerciais e o encerramento geral dos estabelecimentos às 20h00, excepção feita aos restaurantes para serviço de refeições.

Perante os jornalistas, o primeiro-ministro referiu que muitos cidadãos residem e trabalham em concelhos distintos, “assim como podem ter ocasiões de convívio no município ao lado”.

António Costa frisou também que, em algumas freguesias, “o número de casos não tem a ver com contaminação comunitária”, mas sim com “contaminações em locais já em si confinados, como, por exemplo, lares”.

Nestas situações, “faz sentido analisar se faz sentido adoptar-se uma medida para toda a freguesia, quando se está a falar num problema localizado num espaço confiando, como é um lar”. “São aspectos destes que precisam de acerto, razão pela qual o Governo não divulgou a lista das 15 freguesias”, justificou.

Na conferência de Imprensa, que se iniciou mais de quatro hortas após o fim da reunião, estiveram presentes os ministros da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e da Saúde, Marta Temido, bem como o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro, bem como os presidentes de câmaras de Lisboa, Fernando Medina, de Sintra, Basílio Horta, de Loures, Bernardino Soares, de Odivelas, Hugo Martins, e da Amadora, Carla Tavares.

Na perspectiva de António Costa, o “núcleo do problema” ao nível das contaminações centra-se “em 15 freguesias” dos cinco referidos concelhos e em várias dessas freguesias “é possível localizar áreas residenciais onde há uma incidência particular” do novo coronavírus.

“Isto permite-nos adoptar uma estratégia que combine medidas transversais de reforço das restrições de algumas actividades com um trabalho localizado e focado do ponto de vista da saúde pública”, declarou.

Tendo por base os boletins divulgados pela Direcção-Geral da Saúde (DGS) entre 07 e 21 de Junho, os concelhos de Amadora, Lisboa, Loures, Odivelas e Sintra acumularam 50,2% do total de novos casos neste período em Portugal, 4.440.

Sintra, com 695 novas infecções, era o concelho mais afectado, seguido de Lisboa com 521, Loures com 414, Amadora com 397, e Odivelas com 203.

Os números nestes cinco concelhos, que reúnem aproximadamente 1,4 milhões de habitantes, correspondem a um rácio de 154 novos casos por 100 mil habitantes – um valor três vezes e meia superior ao verificado em todo o país, que foi de 43,3.

A Amadora é, neste indicador, o concelho mais atingido, com 219 novas infecções por 100 mil habitantes nas duas últimas semanas, à frente de Loures com 196, Sintra com 179, Odivelas com 128, e Lisboa com 103.

A capital é a que apresenta o registo mais perto da média da Área Metropolitana de Lisboa, que somou 3.055 novos casos no período analisado (68,8% do total), o que corresponde a cerca de 107 por cada 100 mil habitantes, numa região com uma população que ronda os 2,8 milhões.

Com 83,1% dos novos contágios registados entre 07 e 21 de Junho, ou seja, 3.689, a região de Lisboa e Vale do Tejo apresenta um rácio de 101 novos casos por 100 mil habitantes, numa população aproximadamente de 3,6 milhões.