Coimbra  1 de Março de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Cova Funda e Toca do Gato querem ser entidades de interesse histórico e cultural

24 de Janeiro 2021 Jornal Campeão: Cova Funda e Toca do Gato querem ser entidades de interesse histórico e cultural

O Executivo da Câmara Municipal de Coimbra vai analisar e votar, amanhã (25), duas propostas para o eventual reconhecimento das tabernas “Toca do Gato” e “Cova Funda/Restaurante Espanhol” como entidades de interesse histórico e cultural ou social local.

A decisão será, posteriormente, submetida a um período de consulta pública, de 20 dias, para que, por fim, seja elaborado o relatório final e aprovado o reconhecimento. Recorde-se que, até ao momento, a autarquia já reconheceu 15 repúblicas de estudantes e duas “Loja com História”.

A taberna “Toca do Gato” existe, pelo menos, desde 17 Junho de 1930, data de um alvará com a autorização de venda de vinhos pelo estabelecimento. Próximo da Portagem, em plena Baixa de Coimbra, a entrada faz-se pela rua dos Gatos (ou da Sota) e é precisamente uma escultura de um gato que tem à porta que lhe dá o nome.

A candidatura confirma, ainda, o histórico de actividade do estabelecimento no contexto académico e tradicional de Coimbra, com, presumivelmente, um século de actividade continuada, bem como uma actividade ininterrupta de restauração e convívio, destacando-se as referências de boémios da Academia dos inícios do século XX, bem como figuras históricas dessa época.

A taberna é, hoje, uma referência histórica, sociológica e gastronómica da cidade, atestando esta candidatura “o esforço do proprietário na preservação e conservação do património material, tendo sempre mantido os traços arquitectónicos e decorativos iniciais, que lhe dão o ambiente de taberna tradicional”, salienta a autarquia,

Este é, pois, “um espaço de preservação da memória histórica colectiva, construída por anos de convívio da comunidade académica e frequência local, constituindo, assim, um inegável património imaterial, registado em testemunhos escritos e fotográficos”, lê-se na informação dos serviços municipais. A candidatura foi, assim, avaliada e foram confirmados todos os critérios necessários à obtenção do reconhecimento.

Já relativamente à taberna “Cova Funda/Restaurante Espanhol”, situados na rua da Sofia, n.º 113, há elementos que confirmam a sua existência antes de 1930. A candidatura atesta, ainda, o histórico de actividade do estabelecimento no contexto socioeconómico e político de Coimbra, com quase um século de existência, bem como uma actividade ininterrupta de restauração e convívio, com destaque para reuniões espontâneas após o 25 de Abril de 1974 e a presença de figuras históricas desse período.

O estabelecimento desde sempre agregou uma heterogenia de clientela, sendo que muitos desses clientes ainda hoje frequentam o local, o que lhe atribui o estatuto de referência sociológica e gastronómica para a cidade.

Igualmente está “provado o esforço do proprietário na preservação e conservação do seu património material, ao manter os traços arquitectónicos e alguns elementos decorativos iniciais e, ainda, ao assegurar a conservação do variado espólio documental, desde fotografias a instrumentos de cozinha e serviços de vinho originais deste estabelecimento”, revela a Câmara Municipal.

A taberna “Cova Funda/Restaurante Espanhol” é considerada, igualmente, um espaço de preservação da memória histórica colectiva. Com os seus encontros, reuniões, jantares e sessões de Fado, o estabelecimento constitui, assim, “um inegável património imaterial, registado em testemunhos escritos e fotográficos de sucessivas gerações de frequentadores”, lê-se na informação.

A candidatura foi avaliada e foram confirmados todos os critérios necessários à obtenção do reconhecimento.

Recorde-se que a Câmara de Coimbra aprovou, na reunião do Executivo do dia 05 de Março de 2018, uma ficha de candidatura para a instrução de processos de reconhecimento e protecção de estabelecimentos e entidades de interesse histórico e cultural ou social local, de forma a auxiliar os estabelecimentos ou entidades que pretendessem ver efectivado esse reconhecimento.

O objectivo passa, pois, por “simplificar o procedimento, para que os estabelecimentos que se enquadrem nas categorias previstas na lei, entre eles as repúblicas de estudantes de Coimbra e as lojas com história, possam desencadear, com maior celeridade e simplicidade, o seu processo de pedido de reconhecimento como entidade de interesse histórico e cultural ou social local”.