Coimbra  25 de Maio de 2022 | Director: Lino Vinhal

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Coro Sinfónico Inês de Castro celebra uma década com perspectiva de crescimento

27 de Fevereiro 2022 Jornal Campeão: Coro Sinfónico Inês de Castro celebra uma década com perspectiva de crescimento

Integrado na Associação Ecos do Passado, que tem como missão a promoção, execução, pesquisa e divulgação de música coral e instrumental clássica, o Coro Sinfónico Inês de Castro (CSIC) celebra, este ano, uma década de muitas histórias e grandes sucessos. Ao longo do seu percurso já actuou em várias salas de espectáculos por todo o país e não só. Sendo o único coro sinfónico residente no distrito de Coimbra, o CSIC tem desenvolvido um trabalho “consistente e de qualidade” e onde as palavras “resiliência” e “versatilidade” marcam os últimos tempos do grupo. Sob a regência e Direcção artística do maestro Artur Pinho Maria, o coro procura crescer cada vez mais, este ano através da aposta nos mais novos. Actualmente tem 70 coralistas sendo que a Associação Ecos tem 114 associados.

 

Cristiana Dias

 

Foi em meados do ano 2012 que o Coro Sinfónico Inês de Castro iniciou a sua jornada no meio musical. Na altura, os primeiros ensaios surgiram por intermédio de um convite para actuar em Lisboa, no Pavilhão Atlântico (agora Altice Arena), para apresentar o Requiem de Inês de Castro, obra de Pedro Macedo Camacho. Após esta breve exibição, o coro intensificou os ensaios e realizou o primeiro grande concerto coral sinfónico, a 3 de Outubro do mesmo ano, na Sé Velha, em Coimbra. O Coro Sinfónico Inês de Castro encontrou aqui o impulso que necessitava para formar raízes na cidade, tendo depois desenvolvido um grupo coeso e único que nunca mais parou de abrilhantar os admiradores da música sinfónica.

Adoptando o nome da primeira obra que cantaram, João Pinheiro, presidente da Mesa de Assembleia-Geral da Associação Ecos do Passado, considera que este seria o nome mais adequado para atribuir ao grupo. Sendo um coro de Coimbra e por toda a história vivida em torno de Inês de Castro e do romance com D. Pedro, a escolha do nome não foi difícil de decidir. Para além disso, o coro foi o primeiro, a nível mundial, a cantar com tablets, substituindo as tradicionais partituras impressas da obra Inês de Castro. “É uma peça que gostamos particularmente, foi a que nos deu origem”, sublinha o presidente.

A criação do coro resulta ainda da necessidade de formar um grupo com a capacidade de apresentar e abraçar um repertório totalmente diferenciado daquele que já existia na cidade. João Pinheiro, que foi um dos impulsionadores, destacou que os responsáveis se focaram essencialmente em algo que “fosse clássico, erudito e de um nível de qualidade superior”.

 

 

Educar o público

 

O sucesso do CSIC muito se deve ao trabalho árduo que Direcção e coralistas, diariamente, realizam para elevar o nome do coro ao mais alto nível. No entanto, entre os membros pertencentes à Direcção, todos concordam que o sucesso se deve, também, ao público que percorre e preenche salas de espectáculo por onde quer que o Coro Sinfónico Inês de Castro passe.

“Nós contribuímos para a formação de públicos, no sentido que criamos hábitos culturais musicais na comunidade, é um dos nossos objectivos”, destaca João Pinheiro, que reconhece ser um ponto essencial no crescimento do coro. Para o sucesso de qualquer grupo ou artista é imprescindível a presença de uma plateia que, acima de tudo, viva a emoção daquilo que é transmitido. Desta forma, o Coro Sinfónico Inês de Castro tem ao seu serviço a formação de cada coralista, com uma equipa pedagógica e artística que procura despertar as melhores vozes dos elementos integrantes. “A evolução é notória o que nos permite fazer obras com algum grau de dificuldade e com uma qualidade boa”, refere Artur Pinho Maria, maestro do coro desde a sua criação.

Durante a pandemia, a Cultura foi um dos sectores que mais sentiu a crise e, apesar do longo período em que foi obrigado a parar, o CSIC nunca baixou os braços e fez chegar as suas obras a milhares de pessoas. “Conseguimos vender concertos em plena pandemia, quer presenciais quer online, e isso foi uma prova da qualidade do nosso trabalho mostrando a confiança que o público tem no projecto que apresentamos”, conta Maria do Rosário Pinheiro, presidente da Direcção do CSIC.

“O trabalho que temos vindo a fazer ao longo destes anos, primeiramente, foi de afirmação da nossa qualidade, foram e têm sido 10 anos de afirmação constante e manutenção dos nossos padrões de qualidade, mesmo nos tempos mais difíceis de pandemia, e estes anos mostraram realmente a nossa resiliência”, realça.

A responsável reconhece que as expectativas em relação ao consumo dos espectáculos por parte do público durante o confinamento foram superadas, isto porque os concertos do CSIC eram pagos e durante a pandemia muita foi a oferta de forma gratuita, o que tornava difícil competir com esses produtos, mas ainda assim os resultados foram positivos.

A marca que foram criando junto do público permitiu o sucesso do grupo. “Essa imagem de marca é importante para o coro se manter, tem de ter uma estrutura semi-profissional do ponto de vista da educação, da formação, da regência, da Direcção artística, por isso é muito importante, ao fim destes anos, ter a imagem de marca que não é só conhecida cá, porque as pessoas que nos vêem gostam do nosso produto”, enaltece João Pinheiro.

 

 

Programa dos 10 anos

 

O Coro Sinfónico Inês de Castro apaga este ano 10 velas e por isso tem um programa especial alusivo à data. Serão 10 momentos, repartidos pelos 10 concertos previstos, das 10 obras revisitadas, em 10 salas. Este será o ano em que permitirá o coro sinfónico reviver os seus 10 anos de actividade, sendo que estará disponível ao público tanto em concertos presenciais como em concertos online. Desta forma, o X Ciclo de Requiem – Coimbra 2022 associa-se às comemorações do 10.º aniversário do Coro Sinfónico Inês De Castro, cujo o tema deste ano é “Tributo ao Tempo Presente”.

Esta 10.ª edição do Ciclo decorrerá nos dias 26 de Março, 2, 3, 15 e 16 Abril, e 29 de Outubro, podendo ainda realizar-se um sétimo concerto em Lisboa.

Em seis concertos – três em Coimbra (que serão o I, V e VI) e três nas cidades de Vila Franca de Xira (II), Matosinhos (III) e Porto (IV) – apresentam-se três grandes obras de música erudita, envolvendo mais de 180 intérpretes, entre solistas, coralistas e músicos de orquestra. Integram estes concertos, dois coros convidados, o Coro dos Médicos de Lisboa e o Ensemble Vocal Pro Música, a Orquestra do Atlântico e a Orquestra Inês de Castro (também da Associação Ecos do Passado) e ainda os solistas Leonor Barbosa de Melo, Gisela Sacshe, Inês Pinho, Pedro Rodrigues e Rui Silva.  A Direcção dos concertos estará a cargo dos maestros José Manuel Pinheiro e Artur Pinho Maria, também o curador do Ciclo de Requiem.

Será interpretada a obra da actualidade, Requiem For the Living, do jovem compositor americano, e amigo, Dan Forrest, nos concertos I, II e III.

Coimbra voltará a ouvir, no Grande Auditório do Convento São Francisco, um dos ícones do repertório coral sinfónico Messa da Requiem, de Verdi (concerto V), uma obra que também vai ser produzida em concerto no Coliseu do Porto.

A obra sagrada mais célebre de Pergolesi – Stabat Mater (Concerto VI), será o espectáculo associado à memória da cidade e acontecerá a 29 de Outubro, data da transladação da Rainha Santa Isabel.

Este ano, o Ciclo de Requiem de Coimbra é também o III Ciclo de Requiem Online, um conjunto de três concertos gravados em 2021, e que voltarão a ser exibidos na Sala virtual BOL da Associação Ecos do Passado.

Ainda nestas comemorações, Requiem de Mozart, obra coral sinfónica 14 vezes cantada pelo Coro Sinfónico Inês de Castro em 10 anos de actividade e na qual o coro se especializou, será apresentada em CD/DVD, com evento de lançamento marcado para o dia 26 de Março, no concerto de abertura do ciclo.

 

 

Novo Coro Infanto-Juvenil

 

É com olhos postos no futuro e com a dedicação própria de quem conhece e reconhece a importância da música para todas as pessoas que a Associação Ecos do Passado mostra a sua “resiliência, criatividade e responsabilidade social pela inclusão de pessoas cegas e de baixa visão no CSIC”.

A 30 de Novembro de 2021, o CSIC realizou um concerto inclusivo e tem, neste momento, vários elementos da ACAPO – Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal, a ensaiar em conjunto.

“Trabalhamos sempre a pensar em crescer. Acho que 2022 vai ser um ano de crescimento e prova disso é que estamos a criar um Coro Infanto-Juvenil”, conta Maria do Rosário Pinheiro, presidente da Direcção.

A criação do Coro Infanto-Juvenil Coimbra Cantat promulga a actividade coral como forma de aprender música, desenvolvendo as capacidades vocais de cada criança e jovem coralista e promovendo a importância da expressividade musical.

As inscrições já estão a decorrer e o coro será dividido em dois escalões – coro infantil, dos 6 aos 11 anos de idade, e coro juvenil, dos 12 aos 18 anos. Os ensaios estão previstos para as segundas-feiras, das 18h00 às 19h30 (grupo infantil), e às quintas, das 18h30 às 20h30 (grupo juvenil), sendo que decorrerão na Escola Secundária de Avelar Brotero, mediante protocolo entre as entidades. O novo coro será dirigido pela maestrina Leonor Barbosa de Melo.

 

 

»» [Reportagem da edição impressa do “Campeão” de 24/01/2022]