Coimbra  25 de Maio de 2022 | Director: Lino Vinhal

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Coro D. Pedro de Cristo celebra 52 anos com regresso aos espectáculos

11 de Março 2022 Jornal Campeão: Coro D. Pedro de Cristo celebra 52 anos com regresso aos espectáculos

O Coro D. Pedro de Cristo iniciou as suas actividades a 11 de Março de 1970. Contas feitas, celebra amanhã o seu 52.º aniversário. Sediado e integrado no Instituto Universitário Justiça e Paz, em Coimbra, o coro tem desenvolvido a música coral cantando grandes êxitos nacionais e internacionais. Com a pandemia viu-se obrigado a parar, tendo ficado com apenas algumas actividades via online de forma a manter o espírito de grupo. Agora com o alívio das restrições o coro está a voltar, de forma gradual, à normalidade e pretende projectar a sua música não só em Coimbra como também além-fronteiras.

 

Cristiana Dias

 

Fundado por Francisco Faria, o Coro D. Pedro de Cristo teve a sua origem num pequeno coro de jovens do Centro de Estudos Teológicos, Instituição da Diocese de Coimbra, que se dedicava ao canto das celebrações litúrgicas e à sua renovação. Francisco Faria abraçou o projecto de dirigir e reorganizar este coro, propondo outros fins adicionais que ainda hoje prevalecem: educação musical, convívio através da vivência musical em conjunto e difusão da arte coral. Foi o director artístico carismático deste coro durante 39 anos e foi ele que o “baptizou” com o nome que ainda tem, escolhendo assim para seu patrono D. Pedro de Cristo. Desta forma, pretendeu homenagear o compositor coimbrão de fins do século XVI, que viveu no Mosteiro de Santa Cruz, dando destaque a um dos melhores compositores polifonistas do seu tempo e dando a conhecer a sua música que, à data, era ainda muito pouco conhecida.

Ao longo do seu trajecto, o Coro D. Pedro de Cristo tem percorrido inúmeras salas de espectáculos e tem marcado a diferença no meio coral. A 25 de Abril de 1995, aquando do seu 25.º aniversário, recebeu a Medalha de Mérito Cultural atribuída pela Câmara Municipal de Coimbra que, deste modo, reconheceu o trabalho artístico realizado pelo coro e a sua representatividade para a cidade.

 

Programa de aniversário

Amanhã (11), o Coro D. Pedro de Cristo apaga 52 velas e, embora os últimos anos tenham impedido de comemorar esta data, o grupo tem preparado um programa relevante.

Desta forma, as celebrações iniciam-se no sábado, dia 12, às 21h30, no Conservatório de Música de Coimbra, com um concerto comemorativo conjunto, protagonizados por três dos coros mais antigos da cidade de Coimbra (ao Coro D. Pedro de Cristo juntam-se o Orfeon Académico de Coimbra e o Choral Poliphonico de Coimbra).

Para além deste espectáculo, o Coro D. Pedro de Cristo prepara, para o mês de Junho, o Festival dos Três Coros (5.ª versão), que já estava previsto nas Comemorações do Cinquentenário (em 2020, mas que devido à pandemia não se realizou) e que junta agora o anfitrião, o Coro Lopes Graça, de Lisboa, e o Choral Phydellius, de Torres Novas.

Em 2020 o coro tinha uma “Comissão Organizadora das Comemorações do Cinquentenário do Coro D. Pedro de Cristo” que preparava um programa que ia desde o dia do aniversário, em 11 de Março, até Dezembro. Neste período, o plano contemplava inúmeros eventos e concertos em Coimbra e fora da cidade. No entanto, tudo foi cancelado e espera-se agora que haja oportunidades para festejar com a devida segurança.

Ainda assim, o coro não quis deixar passar em branco o ano do seu cinquentenário e lançou, em 2020, a monografia “Coro D. Pedro de Cristo. 50 Anos: memória e história(s) 1970-2020”.

Leonor Almeida, presidente da Direcção do grupo coral, refere que esta obra pretendeu ser “uma espécie de autobiografia do coro, escrita a várias vozes por elementos que fizeram parte do grupo e por outros que, de algum modo, o acompanharam e influenciaram a sua actividade. Em suma, são 300 páginas de história, em imagens e notícias, entre 1970 e 2020, com testemunhos e depoimentos vários”.

Música portuguesa em destaque

O coro conta, actualmente, com 55 elementos, com formações académicas muito diversificadas e diferentes idades. Cristina Faria, filha do fundador, é a maestrina que assumiu o cargo em 2009, e que com “muita garra” e com o seu estilo próprio tem assegurado a continuidade do coro, a sua qualidade artística e os seus princípios.

Quanto ao repertório, Leonor Almeida destaca que o coro tem dado primazia à música portuguesa tanto erudita como popular, em particular à música polifónica de D. Pedro de Cristo e D. Pedro da Esperança, autores do século XVI, e à música de compositores dos séculos XX e XXI, nomeadamente Manuel Faria, Fernando Lopes Graça, Mário de Sousa Santos e José Firmino, compositores sobejamente reconhecidos pela qualidade da sua música.

Embora o Coro D. Pedro de Cristo se dedique mais a este estilo de música, a presidente refere que também cantam música de autores estrangeiros, em vários idiomas (inglês, italiano, espanhol, brasileiro, francês e alemão) e lembrou a este respeito os concertos memoráveis, em Coimbra, “Missa Crioula”, de Ariel Ramirez (1984), e “Carmina Burana”, de Carl Orff (2019), em que a parte coral foi cantada pelo Coro.

“Ao longo dos nossos 52 anos, cantámos um repertório muito diversificado, embora com destaque para a música portuguesa. Refiro, no entanto, que agora, estamos a ensaiar uma peça musical em alemão, de Johannes Brahms, “Marienlieder”, constituída por sete canções”, esclarece Leonor Almeida.

No meio de um reportório há sempre uma ou outra obra que traz um sentimento especial pela sua representatividade. É o caso das músicas de D. Pedro de Cristo (séc. XVI) e de Manuel Faria (séc. XX) que foram sempre o ‘ex libris’ do Coro D. Pedro de Cristo.

“Poder-se-á dizer que algumas músicas de Manuel Faria que cantámos em primeira mão nas primeiras décadas do coro foram quase uma marca pois, na altura, julgo eu, éramos o único Coro que as cantava. Refiro-me às obras “A Prece” (poema de Fernando Pessoa), “Amaremos” (Palavras de Paulo VI) e o “Convite de Caminhante” (Poema de Luís Miller), peças de grande impacto, mas muito difíceis de cantar”, conta.

 

Objectivos futuros

 

O Coro D. Pedro de Cristo ao longo destas mais de cinco décadas de história fez inúmeras digressões nacionais e já levou a música coral para países como Angola, Espanha, França, Bélgica, Luxemburgo e Itália.

Leonor Almeida afirma que, ao celebrar os 52 anos de vida, o Coro D. Pedro de Cristo tem uma composição muito diferente da que tinha no seu início, sendo um grupo maioritariamente com mais idade. “No entanto, o bom ambiente, o convívio e a amizade mantêm-se. Para muitos, é uma espécie de segunda ‘casa’, onde vamos regularmente e onde, pelo menos duas vezes por semana, nos encontramos, trabalhamos em conjunto, cantamos e nos divertimos”.

Para o futuro, a presidente espera que o caminho trace mais sucessos. “Melhorar a qualidade vocal do coro, através da entrada de novos elementos, preferencialmente jovens, que adiram aos fins que o coro se propõe prosseguir e procurar estabelecer intercâmbios com outros coros, nacionais ou internacionais, que nos permitam oferecer à cidade de Coimbra bons concertos de música coral e levar a nossa música a outras paragens”.

 

»» [Reportagem da edição impressa do “Campeão” de 10/03/2022]