Coimbra  22 de Setembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Coração: Cirurgião Manuel Antunes chega à meta, mas vai continuar

20 de Julho 2018

Manuel Antunes e a mulher, Maria da Luz

 

“Quem trabalha mais tem mais sorte”, declarou Manuel Antunes, ao despedir-se, hoje, da sua actividade de director do Centro de Cirurgia Cardiotorácica do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e de professor catedrático de Medicina.

Com o sentimento de quem fez “uma longa caminhada até à meta, mas ao alcançá-la tem vontade de continuar”, Manuel Antunes proferiu a última lição sobre “Uma vida com o coração nas mãos”, com “dedicação, paixão e emoção”.

No repleto auditório dos Hospitais da Universidade de Coimbra, o cirurgião ouviu os mais rasgados elogios do Presidente da República, do ministro da Saúde, do director da Faculdade de Medicina, do reitor da UC, do presidente do CHUC e do professor Ferrão de Oliveira, e foi brindado pela sua mulher, Maria da Luz, com o fado “Samaritana”.

Manuel Antunes, que ontem realizou a última intervenção no Centro de Cirurgia Cardiotorácica e cujo edifício passa a ter o seu nome, conforme a placa hoje descerrada, reafirmou que vai continuar a trabalhar com doentes, não sabendo, ainda, se “é em clínicas privadas ou se é em missões humanitárias”.

Sobre o futuro, diz que ninguém o vai ouvir falar sobre o Centro, mas, relativamente ao SNS, “é outra coisa”. “Continuarei a pertencer ao sistema de saúde de Portugal e sempre que achar que tenho alguma coisa a contribuir, fá-lo-ei, naturalmente”, disse.

Durante a última aula, no dia em que completou 70 anos de idade, Manuel Antunes fez um resumo do seu percurso de vida pessoal e profissional, em que aproveitou para louvar os seus mestres, a sua equipa e, de forma especial, a respectiva família, a quem agradeceu “o tempo que lhes era devido” e que não lhes deu.

Do Governo, através do ministro da Saúde, o professor e cirurgião ouviu a promessa de que “não o vão deixar em paz”. Adalberto Campos Fernandes confessou a sua vontade de, antes de estar no Executivo, “poder, um dia, ‘manuelantunizar’ o Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

“’Manuelantunizar’ não significava fazer clones, mas trazer para o sistema pessoas com capacidade de liderar, com coragem, com seriedade dos propósitos, com capacidade de serem reconhecidos como exemplo e com aquela pontinha de mau feitio que o líder tem de ter”, afirmou o governante, sublinhando que não acredita “em personalidades redondas”.

Por Manuel Antunes ser um “pioneiro e um homem que nunca desistiu de pensar”, o ministro da Saúde sublinhou que vai continuar a procurar os seus contributos, considerando-o “uma das páginas mais importantes” da História do SNS, e “embora a lei da República o impeça de continuar ao serviço do serviço público o cirurgião não será deixado em paz”.

Interveniente na sessão, o Presidente da República sublinhou as várias qualidades de Manuel Antunes – “inteligência, cultura, coragem, competência, intuição, liderança e visão humanista” -, reconhecendo-lhe “um excepcional percurso de vida”.

“Apesar de sair do SNS, a colectividade não vai desperdiçar o talento de quem hoje é celebrado”, vincou Marcelo Rebelo de Sousa, considerando este momento “não como um ponto final parágrafo na carreira, mas apenas um sinal de que a vida e obra do médico prosseguem”.

O Chefe do Estado realçou que Manuel Antunes “não faz falta, porque está presente e é uma referência viva, não é uma referência morta”. “Está para ficar e para contribuir muitíssimo para o futuro da saúde em Portugal”, acrescentou.

Para o reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, o cirurgião e professor Manuel Antunes é “o exemplo pleno do mérito” e de quem “não deixa nada ao acaso, sempre atento aos detalhes”.

Duarte Nuno Vieira, director da Faculdade de Medicina da UC, anunciou a atribuição de medalha de ouro ao jubilado, em futuro próximo, enquanto o presidente do CHUC, Fernando Regateiro, destacou Manuel Antunes como um “grande médico”, que “trata o doente que tem a doença”, sublinhando o seu valor na “cultura do rigor, na exigência, na valorização e direcção da equipa”.

Para o professor Ferrão de Oliveira, que, juntamente com Luís Eugénio, esteve um ano com Manuel Antunes ainda na África do Sul, antes de ele rumar a Coimbra, o agora jubilado possui “hábitos simples, gosta de música e de jardinagem”, mas “tem horror ao desleixo e ao desperdício e detesta a incompetência”.

 

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com