Coimbra  27 de Junho de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Convento de São Francisco recebe o “Museu da Existência”

3 de Março 2017

Mais de uma centena de objectos, que contam 98 histórias, estão patentes no “Museu da Existência”, da companhia de teatro Amarelo Silvestre. O Convento de São Francisco foi o local escolhido para o espectáculo com o mesmo nome, que estará em cena até dia 11 de Março.

O espectáculo conta a história de cinco habitantes da freguesia de Santa Clara que abriram a porta das suas casas à companhia de Canas de Senhorim, que tem vindo a recolher “objetos com memórias vivas” por todo o país.

Mas, para além da peça, o “Museu da Existência” inclui, também, uma exposição constituída pelos objectos recolhidos pela companhia de teatro, que contam 98 histórias que retratam momentos felizes da vida de pessoas comuns.

“Antes das apresentações ao público, fazemos um périplo de cinco visitas por Município às casas das pessoas, onde apresentamos o projecto e pedimos que nos falem dos seus momentos mais felizes”, normalmente associado a um ou a vários objectos, disse à agência Lusa um dos diretores artísticos da Amarelo Silvestre, Fernando Giestas.

Posteriormente, a companhia pede às pessoas para emprestarem os objectos ao museu, explanou.

“Olha-se para um objecto e ele funciona como um desencadeador de memória”, sublinha Fernando Giestas.

À medida que o espetáculo vai andando de cidade em cidade, a companhia acumula mais histórias e mais objectos, incorporando, repondo e tirando histórias à peça, explanou o responsável pela dramaturgia do “Museu da Existência”.

Em Coimbra, para além de histórias que foram recolhendo ao longo de um ano de digressão, também estarão cinco objectos e cinco histórias recolhidas em Santa Clara.

Há um colar de tartaruga “da dona Albina, que o marido lhe trouxe de Moçambique quando regressou da guerra colonial”, ou um quadro feito pela filha de Miriam, brasileira a viver em Coimbra, que “exacerba a mãe de uma forma incrível” com um desenho “com braços enormes e fortes e uma barriga tremenda”, quando a progenitora “é pequenina e de braços delgados”.

O espectáculo “tem uma base dramatúrgica predefinida”, em que o senhor Melo, personagem da peça, conhece Kemal, figura do livro “Museu da Inocência”, de Orhan Pamuk, no qual este Nobel da Literatura afirma que “o futuro dos museus é dentro das nossas casas”.

Fernando Giestas acredita que “o público vai para este espectáculo como se fosse para um museu”e que no final da peça as pessoas “também ficam entregues a elas próprias para se poderem relacionar com o museu”, sem a intermediação do actor.

O espectáculo já passou por Viseu, Ovar, Sever do Vouga, Guimarães e Torres Novas e estão previstas mais apresentações este ano e em 2018.

“O processo ainda não está terminado. Gostávamos de pensar num final que pudesse falar de tudo o que foi sendo construído”, realça Fernando Giestas.

Os espetáculos em Coimbra tiveram início ontem (02), mas há mais sessões marcadas para sábado (10), às 21h30, e domingo (11), pelas 16h00. No dia 10 haverá, ainda, uma apresentação às escolas, pelas 15h00.

Os bilhetes custam entre dois e quatro euros.

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