Coimbra  16 de Julho de 2019 | Director: Lino Vinhal

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“Conto do vigário” permitiu burlar duas mulheres em Coimbra

19 de Fevereiro 2019

Crimes de burla acabados de divulgar pela PSP aconteceram, em Coimbra, um por via online e outro na presença do autor e da vítima, tendo resultado num prejuízo financeiro para as duas mulheres lesadas.

No primeiro caso, uma cidadã, com 41 anos, “viu um anúncio de uma instituição de crédito (fictícia) numa rede social e, dessa forma, entrou em contacto com um ‘representante’ no sentido de contratar um empréstimo”, explica a Polícia. Após lhe terem sido fornecidos os trâmites do negócio, os mesmos foram acordados, sendo que, para o “legalizar, havia lugar ao pagamento de um valor e, assim que efectuado, ser-lhe-ia depositado o valor solicitado”, adianta a PSP.

Sem desconfiar, a mulher procedeu ao pagamento, mas “o empréstimo não se verificou e, entre os dias 08 e 18 de Fevereiro, foram-lhe pedidos outros valores adicionais”, revela a corporação, adiantando que “a vítima realizou alguns pagamentos mas, no fim, percebeu que estaria a ser burlada, pelo que tentou cancelar o contrato”.

Nessa altura, segundo a Polícia, a mulher recebeu “uma mensagem, cujo remetente afirmava ser uma força de segurança, ameaçando-a que, se levasse a cabo o cancelamento do contrato, iria sentir graves repercussões pessoais e judiciais, sendo que já estaria a ser alvo de uma investigação criminal”, reforçando, ainda, que “caso se deslocasse às instalações da força de segurança em causa seria imediatamente detida”. Uma ameaça feita com o claro objectivo de dissuadir a vítima de fazer qualquer denúncia.

Já no dia de 18 de Janeiro, outra mulher, com 80 anos, denunciou um caso em que ela foi vítima de uma burla, desta feita no entrada do seu prédio, na zona da Solum, onde um homem se apresentou como funcionário de uma instituição bancária.

O burlão disse, depois, à mulher que o seu “cartão de débito estava caducado e que o deveria devolver, juntamente com o seu código pin”, um pedido ao qual a senhora acedeu “não desconfiando”. Na posse do cartão, o homem ausentou-se para parte incerta.

Só mais tarde, quando foi “consultar os movimentos da sua conta e percebeu que tinham sido feitos levantamentos não autorizados” é que se deu conta da burla, tendo contactado a instituição em causa, “no sentido de se inteirar sobre o que havia ocorrido e foi informada que não existem colaboradores que exercem funções fora das instalações bancárias”, esclarece a PSP.

Por isto, quer seja via Internet, e principalmente pessoalmente, os cidadãos não devem “confiar cegamente em alguém, apenas por se apresentar de forma convincente e bem vestido”, pedindo a Polícia que a vítima “tente memorizar os traços físicos e indumentária do burlão”.

E, caso seja confrontado “com uma situação como a descrita tente chamar alguém para junto de si. Não tome decisões sozinho e sem ponderação. Quando estiver na dúvida não hesite em contactar a força policial da área”.

Este é um crime que “assenta na fragilidade ou falta de informação das vítimas como oportunidade para os burlões, que se apresentam como familiares, conhecidos ou funcionários de instituições reconhecidas, ganhando desta forma a sua confiança”, explica a Polícia, acrescentando que “as forças de segurança não têm este tipo de procedimento, nem os créditos devem ser contratados através de redes sociais ou outra forma não oficial”.

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