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Condeixa: “A mão e o barro” para candidatar Conímbriga à UNESCO

10 de Fevereiro 2017 Jornal Campeão: Condeixa: “A mão e o barro” para candidatar Conímbriga à UNESCO

Um colóquio sobre cultura cerâmica com a participação de vários especialistas vai realizar-se em Condeixa-a-Nova, amanhã (sábado), como contributo para a candidatura da cidade romana de Conímbriga a Património Mundial.

O arqueólogo Miguel Pessoa, da organização, refere que o encontro “A mão e o barro”, no auditório da Pousada de Condeixa-a-Nova, visa “promover o complexo arqueológico de Conímbriga” e do território na expectativa da sua classificação como Património da Humanidade pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.

Conímbriga, segundo Miguel Pessoa, “está envolvida por um outro rico património cultural, material, imaterial e natural”, sendo convicção dos organizadores “que a sua inventariação, estudo e divulgação, se for amplamente discutida, de forma a chegar a todas as faixas etárias, grupos sociais, visitantes nacionais e estrangeiros, é um factor de afirmação dos valores humanistas das comunidades” de Condeixa-a-Nova e municípios contíguos, no distrito de Coimbra.

“Pretende-se espelhar a intervenção de numerosos estudos em curso no território do município de Condeixa-a-Nova, reflectindo também o que de semelhante ocorre noutros lugares”, salientou.

Este conjunto de acções é, ainda, “uma contribuição para o fortalecimento do turismo cultural e social, potenciando o que existe, com a participação da população, das escolas, empresas e associações”, disse Miguel Pessoa, coordenador do Museu da Villa Romana do Rabaçal, no concelho de Penela.

“Será importante lembrar, no que toca aos antigos oleiros e pintores da cerâmica decorativa, que podemos estar no último momento possível para preservar o património vivo que representam”, adiantou.

No passado, “os rapazes ainda novos começavam a aprender o seu ofício indo para a oficina no fim da escola primária e aprendiam tudo desde o princípio, herdando gestos e saberes que tinham séculos”.

“Agora, já ninguém quer tal ofício. A escolaridade é mais larga e ninguém está disponível para o sacrifício que foi imposto a tantas gerações de trabalhadores servis”, explica a organização do colóquio.

A criação de um Centro de Desenvolvimento da Cultura de Cerâmica teria “o maior interesse sócio-cultural e serviria para conservar e eventualmente desenvolver um sector da economia que tem dado o seu melhor na criação de riqueza” durante séculos, defende.

“A produção de cerâmica artística reflecte uma complexidade vastíssima de fenómenos artístico-culturais com raízes distantes, correspondentes ao destino riquíssimo, tão disperso como fascinante, de toda a gesta das viagens dos portugueses pelo mundo em pedaços repartida”, refere-se.

O programa do colóquio inclui o lançamento do “Calendário – Almanaque 2017: cinco séculos de azulejo em Condeixa-a-Velha, Conímbriga, Condeixa-a-Nova, Anobra, Ega, Furadouro, Sebal, Vila Seca, Zambujal”.

Trata-se das V Jornadas de Valorização do Património Cultural, uma iniciativa conjunta do Centro de Estudos Vergílio Correia, Câmara de Condeixa-a-Nova, Associação Ecomuseu de Condeixa e outras entidades.

O programa, das 09h00 às 19h00, compreende comunicações e debates de âmbito pluridisciplinar sobre as artes da olaria, da cerâmica e do azulejo, sob a égide do historiador, arqueólogo e etnógrafo Vergílio Correia (1888-1944).

Já hoje, às 21h00, é também apresentado o livro das “III Jornadas de Valorização do Património Cultural e Natural de Eira Pedrinha”.