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Concursos de ideias e negócios premeiam inovação na saúde

9 de Junho 2017

Os prémios do“Concurso Regional de Ideias de Negócio nas Escolas” e do “Arrisca C” premiaram, ontem (08), em Coimbra, os projectos mais inovadores, ambos na área da Saúde.

O concurso regional, promovido pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Centro (CCDRC), vai já na sua quarta edição e tem como finalidade “sensibilizar e motivar os jovens para a inovação e o empreendedorismo, promovendo a iniciativa e o dinamismo nas comunidades onde se inserem”.

No caso, o vencedor da edição de 2017 foi o projecto de comercialização de produtos à base de uma planta medicinal para tratar lesões da pele, desenvolvido por alunos da Escola Profissional de Oliveira do Hospital, Tábua e Arganil (EPTOLIVA), que representou a Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM-RC).

A ideia passa pela “criação de produtos na área da saúde utilizados para o tratamento de lesões na epiderme”, com a proposta de valor da marca “Quicly Heal” (cura rápida).

“Os produtos apresentam-se no mercado sob a forma de um penso biodegradável e uma solução desinfetante 100 por cento natural, com propriedades antibacterianas, feita a partir de extratos da celidónia, planta que é usada pelas gentes locais para tratar pequenas lesões na epiderme”, segundo revela a CCDRC.

Ainda na passada semana, este projecto (dos alunos Bruno Paulino, Carlos Quintino e Catarina Costa) participaram na XI Mostra Nacional de Ciência, onde conquistaram o segundo prémio.

A presidente da Comissão, Ana Abrunhosa, em declarações à agência Lusa, referiu que “é importante desenvolver nos nossos jovens o à vontade, o espírito de equipa e de iniciativa”, adiantando que este concurso, envolvendo escolas de diferentes CIM do Centro, “ajuda a desenvolver essas competências nos jovens”, enquanto empreendedores a título individual, mas também na resposta às “exigências do mercado de trabalho”, como trabalhadores por conta de outrem.

Ao longo deste ano lectivo, várias escolas básicas, secundárias e profissionais promoveram “acções de sensibilização para o empreendedorismo junto da população escolar”, com o acompanhamento dos professores, que culminaram na realização de concursos municipais de ideias de negócio e posteriormente nos concursos intermunicipais, com a forte colaboração das CIM.

Em cada edição da iniciativa, é eleito o “aluno empreendedor da região” entre os representantes das comunidades intermunicipais.

Arrisca C premiou o tratamento ocular não invasivo

Promovido por um conjunto de 16 parceiros, liderados pela Universidade de Coimbra (UC), o concurso nacional de ideias e planos de negócio vai na sua 8.ª edição e já ajudou a criar mais de 20 empresas.

Nesta edição, o vencedor é o projecto “InEye”, um tratamento não invasivo que substitui a aplicação de gotas nos olhos e uma tecnologia de reprogramação de células que poderá ajudar pessoas com doenças do sangue.

O projecto, desenvolvido em Coimbra, consiste num dispositivo esférico, semelhante a uma pequena pérola, que é colocado no interior da pálpebra inferior do olho, substituindo a aplicação de gotas.

O fármaco pode ser libertado durante sete a 300 dias, não havendo desperdício – ao contrário das gotas -, tendo como maior exemplo da sua aplicabilidade o glaucoma, doença que afecta 80 milhões de pacientes no mundo e que implica a auto-administração de gotas oftálmicas.

O “InEye” arrecadou, ainda, o prémio de melhor ideia de negócio IAPMEI, no valor de 2 500 euros.

Já “MIStem”, uma tecnologia de reprogramação de células, venceu o prémio de melhor plano de negócio, no valor total de cerca de 55 000 euros (a maioria em serviços de consultoria e de apoio prestados por várias entidades). A tecnologia, desenvolvida por investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNBC), permite reprogramar células, conseguindo mudar a sua entidade, passando “células da pele para células estaminais”, explicou um dos elementos da equipa do “MIStem”, durante a cerimónia.

O desenvolvimento desta tecnologia poderá ajudar pessoas diagnosticadas com doenças do sangue com indicação clínica para transplante de células estaminais sanguíneas.

No concurso foram, ainda, destacados o “Face2CEPH” (prémio IEFP), um sistema informático multiplataforma de apoio ao diagnóstico, e o ‘software’ áudio para pós-produção “Sound Particles” (menção honrosa), entre outros. O projecto “Sunight” arrecadou o galardão “Social Ao Centro”, destinado a uma ideia de negócio de empreendedorismo social.

Um dos criadores, Diogo Bhovan, explicou à agência Lusa que o projecto se inspirou no “Liter of Light” – iniciativa reconhecida pelas Nações Unidas -, em que é acoplada uma garrafa de água cheia ao telhado – com um terço fora e dois terços dentro da habitação -, permitindo, através da refracção, espalhar de forma uniforme a luz solar dentro da casa.

O projecto “Sunight” procura dar uma resposta a esse projecto para o período da noite, criando um dispositivo que pode ser integrado na garrafa e que armazena a luz do sol durante o dia para a poder espalhar à noite, através de um ‘led’ dentro da garrafa de água.

A ideia ainda está em estudo, mas Diogo Bhovan, de Coimbra, estima que o produto final, que pretende distribuir através de organizações não governamentais, custe menos de 10 euros e possa durar “sem qualquer tipo de carga quatro a oito horas por noite”.

Na 8.ª edição do “Arrisca C” concorreram 81 projectos, sendo que o concurso representa para o grande vencedor um um apoio financeiro de 7 000 euros, aos que acrescem mais quase 25 000 euros em serviços de consultoria de apoio à elaboração de plano de negócio, apoio no desenvolvimento de identidade gráfica e incubação.

Ao longo de oito edições, o “Arrisca C” contabiliza já 760 000 euros em prémios distribuídos.

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