Coimbra  22 de Setembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Coimbra/urbanismo: Empresa não desiste de projecto para a rua do Brasil

22 de Outubro 2018

A empresa WPC 18 vai requerer reanálise por parte da Câmara conimbricense de um projecto tendente à edificação de 349 quartos para estudantes na rua do Brasil, revelou fonte do movimento “Somos Coimbra”.

Segundo o líder do movimento cívico, José Manuel Silva, que se deslocou a antigas instalações da EDP, acompanhado pela vereadora Ana Bastos, para solicitar a reanálise a sociedade carece de ser notificada formalmente do resultado da reunião camarária de 08 de Outubro.

“Ora, isso ainda não aconteceu, embora as decisões sejam tomadas em minuta para terem efeitos imediatos”, declarou o vereador ao “Campeão”, vincando que a Câmara Municipal de Coimbra “ainda não teve tempo para enviar um e-mail e/ou uma carta…”.

A seu pedido, “Somos Coimbra” reuniu-se, nas instalações a reabilitar, com o representante do promotor do empreendimento e com o arquitecto responsável pelo projecto, tendo havido lugar a “diálogo profícuo”, assente numa apresentação enriquecida com pormenores, propiciadora de “melhor conhecimento”.

Da ordem de trabalhos da referida sessão camarária “constava apenas uma informação textual, extraordinariamente reduzida, sem qualquer planta, nem alçado ou outra imagem do projecto de arquitectura”, assinala o vereador.

“Aliás, nas sessões da Câmara nem sequer está disponível um sistema dotado de projecção para apresentações de projectos deste teor, o que muito dificulta a percepção do que está em causa”, acentua José Manuel Silva.

Segundo o autarca, “apesar das insistências de ‘Somos Coimbra’, a ordem de trabalhos da CMC não é habitualmente acompanhada de qualquer peça desenhada, continuando as reuniões a ser feitas da mesma maneira como decorriam no milénio passado”.

Para o anterior bastonário da Ordem dos Médicos, a informação disponibilizada aos vereadores com a ordem de trabalhos das reuniões da principal autarquia de Coimbra está “muito abaixo do limiar exigível em qualquer regime democrático”.

A 10 de Maio, o movimento cívico anunciara esperar que a empresa WPC 18 reformule um projecto tendente a edificação na rua do Brasil de 349 quartos para estudantes.

Segundo o vereador José Manuel Silva, a essa expectativa acresce a de que haja lugar a criação de um “fundo de sustentabilidade” em prol “dos melhores interesses dos munícipes” conimbricenses.

Como noticiou, oportunamente, o “Campeão”, um projecto para investimento de 20 milhões de euros poderá estar comprometido devido a uma deliberação aprovada pelos seis vereadores da oposição com assento na Câmara Municipal de Coimbra.

Os três edis da coligação “Mais Coimbra” (PSD – CDS – PPM – MPT), os dois do movimento “Somos Coimbra” e o eleito pela CDU rejeitaram uma proposta no sentido de ser admissível a supressão de 45 lugares de estacionamento público (embora exista um superavit de 27 lugares privados).

Francisco Queirós (CDU) opinou estar em causa um determinado figurino de desenvolvimento; os vereadores eleitos pelo PSD e os do movimento “Somos Coimbra” entenderam ser defensável a atribuição de uma compensação financeira à CMC para fomento do transporte colectivo no cenário de dispensa de 45 lugares de estacionamento público.

A Comissão Concelhia do PS/Coimbra considerou lamentável, em comunicado, que “uma oposição irresponsável «chumbe» investimento estrangeiro para residência de estudantes (…), prejudicando a cidade”.

O movimento “Somos Coimbra” faz notar que o alvará inicial previa a criação de 149 lugares de estacionamento, espaço que, segundo diz, foi “transformado em área bruta de construção, com a eliminação de mais de 100 lugares (…) em troca da duplicação da área de construção para um total de 349 unidades de alojamento de conveniência, por recurso a regime excepcional” previsto no artigo 133º. do Regulamento do Plano Director Municipal.

Neste contexto, o movimento advoga que “o recurso ao regime excepcional das alíneas a), b) e c) do nº. 01 do artigo 133º. do Regulamento do PDM deve ser transparente, sob pena de a sua aplicação reiterada poder gerar situações de grave injustiça entre requerentes e agravar grosseiramente os problemas de acessibilidade e estacionamento em zonas consolidadas já por si extremamente deficitárias”.

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