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Coimbra: Valdemar Caldeira consente hospitalização

30 de Novembro 2016 Jornal Campeão: Coimbra: Valdemar Caldeira consente hospitalização

Embora permaneça, durante alguns dias, no Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC), Valdemar Caldeira já não está internado compulsivamente.

Como noticiou o “Campeão”, sexta-feira (25), o engenheiro químico, habituado a deambular por Coimbra, teve «alta», na sequência de um internamento compulsivo, ocorrido três dias antes.

Fonte ligada ao processo disse que não se verificaram os pressupostos da medida, concebida para prestação de tratamento médico ao septuagenário.

Segundo a Lei de Saúde Mental, pode ser internado o portador de anomalia psíquica grave que não possua o discernimento necessário para avaliar o sentido e alcance do consentimento, quando a ausência de tratamento deteriore de forma acentuada o seu estado.

Apesar de o diário As Beiras haver noticiado, hoje, que o engenheiro químico continua internado, o Jornal não indicou tratar-se de hospitalização consentida.

Ainda assim, a versão do diário corrobora o estado de lucidez do septuagenário.

“A continuidade no CHUC nada tem a ver com questões do foro psiquiátrico”, reiteraram, hoje, ao “Campeão”, fontes conhecedoras do processo.

A notícia da ida para o Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, divulgada, em primeira-mão, a 22 de Novembro, pela edição electrónica do nosso Jornal, desencadeou uma invulgar onda de reacções pautadas pelo carinho nutrido por Valdemar Caldeira.

A Redacção do “Campeão” recebeu uma dúzia de telefonemas e uma comunidade criada no Facebook, com perto de 1 850 pessoas aderentes, tem sido fértil em comentários.

Figura bem conhecida em Coimbra, o engenheiro químico, 75 anos de idade, foi protagonista de uma reportagem publicada, em Outubro de 2014, pelo semanário “O Despertar”.

“Roto, (…), mas sempre de gravata”, o engenheiro foi descrito como portador de “roupas que já fazem parte do próprio corpo”.

A reportagem fazia notar que Caldeira deambulava “ouvindo os seus próprios passos”, de tão ausente sempre parece andar.

“Vive sozinho, pensa sozinho, fala sozinho (…), vai sempre em trabalho, mesmo que nada fazendo”, assinalou o repórter.

De acordo com Valdemar Caldeira, “para quem tem formação na área do positivismo científico, o ser feliz ou infeliz consiste num dom que não é propriedade inquestionável e irreversível do próprio destinatário, mas de um dom divino”.