Coimbra  21 de Julho de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Coimbra: Sociedade Filantrópico-Académica morta pela modernidade

20 de Março 2018

A Sociedade Filantrópico-Académica de Coimbra, que se dedicou à procuradoria servindo milhares de estudantes universitários, vai encerrar, incapaz de resistir aos modernos estilos de vida, soube o “Campeão”.

Tratava-se de uma entidade única em Portugal, fundada, há perto de 170 anos, sob o alto patrocínio da Universidade de Coimbra, tendo sido uma instituição de Direito privado e de reconhecido interesse público sem fins lucrativos.

A Sociedade Filantrópica (SFAC), que ajudou muitos alunos socialmente desfavorecidos, sofreu, por um lado, a concorrência da informática e, por outro, perdeu, recentemente, a receita outrora proporcionada por um posto de abastecimento de combustíveis.

A instituição manteve, durante décadas, o controlo de uma cantina universitária, que funcionou inicialmente na sede da AAC (antiga rua Larga) e acabou por transitar para um espaço adjacente às Escadas Monumentais.

Em tempos remotos, os estudantes da Universidade de Coimbra (UC) pertenciam, maioritariamente, à fidalguia, ao clero e às classes abastadas; mas, a partir de meados do século XIX, começaram a chegar a Coimbra os filhos da pequena burguesia, de proprietários rurais e, até, de algum campesinato, os quais traziam de casa os mantimentos da semana e, por isso, ficaram conhecidos por “broeiros”.

Este grupo – de condição modesta, que protestava contra a segregação exercida pelo dos ricos e bem-nascidos, designados por “polainas”, proclamando o seu brio ofendido e exigindo uma academia mais igualitária – foi-se tornando dominante, havendo ficado conhecido por “briosos” ou Academia Briosa. Foi ele que fundou, sob o alto patrocínio da UC e sob a égide de um então quartanista de Direito, Feliciano Augusto de Brito Correia, a Sociedade Filantrópico-Académica, fundamentalmente vocacionada para ajudar estudantes carenciados.

A SFAC foi sempre administrada por uma direcção própria, cujo cargo de timoneiro era ocupado por personalidades notáveis do meio académico, social e político, como, por exemplo, Bernardino Machado (antigo Presidente da República), Daniel de Matos, António Cândido, Sousa Refóios, Joaquim Martins Teixeira de Carvalho, Júlio Henriques, Luís Carriço, João Maria Porto, João Vaz Serra, Pereira Dias, Andrade Gouveia, Miranda Barbosa, Alexandre Morujão, Aníbal Pinto de Castro e Manuel Ferro.

A Universidade de Coimbra, sobretudo nas horas menos boas da SFAC, nunca se demitiu de lhe conceder a devida protecção, para que a sua acção fosse mais eficaz.

Em tempos mais recuados, raro era o ano em que não se realizava, a favor da Filantrópica, um bazar no Jardim Botânico ou no Clube Académico, um momento alto da vida mundana da cidade.

 

 

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